Cultura JUP Destaques

JUP DESTAQUES: VERÃO 2019

Em dia de equinócio, o JUP lembra os melhores discos, filmes e séries que deram cor à estação que agora se despede.

Música

100 gecs – 1000 gecs

Longe vão os tempos em que música “estranha” ou “inaudível” era sequer um conceito; a emergência da PC music por volta de 2014 e a sua constante ascensão até ao momento certificaram-se disso. Apesar do público alvo do duo constituído por Laura Les e Dylan Brady ser, na prática, fãs de PC Music, dadas as inegáveis similaridades e a clara inspiração no microgénero, os 100gecs conseguiram, realmente, ir mais além.

Em 1000gecs, o primeiro álbum de estúdio, não falta nada. De uma forma simplista não-ofensiva, o projeto assemelha-se ao possível resultado de um álbum dos Death Grips produzido por SOPHIE – ainda assim com um rótulo extra de experimentalismo por cima. Os vocais alterados e os típicos ritmos do bubblegum bass são um bom ponto de referência; os sintetizadores do trance também, mas o projeto torna-se praticamente indefinível – apesar de facilmente identificável – quando o dubstep, o heavy metal, o emo rap, o noise pop e até o ska entram em jogo.

Com apenas 23 minutos e em 10 músicas, 1000gecs é equivalente a uma passagem por uma montanha russa. Para os não-fluentes na forma esotérica de humor absurdo da Geração Z, o projeto pode parecer só uma bagunça caótica de sons sem sentido e letras propositadamente meme-y, mas por baixo da superfície assenta uma base incrivelmente técnica e experimental, que irá certamente marcar o futuro dos vários géneros envolvidos.

Lingua Ignota – Caligula

linguaignota_caligulaFoi em 2017 que Kristin Hayter lançou o seu primeiro álbum, e um dos mais negligenciados desse mesmo ano: All Bitches Die, um projeto elaborado na esteira da sua história de violência doméstica, ultimamente acabou de uma maneira empática, num tom de “o tempo tudo curará”. Contudo, dois anos depois, aprendemos que o típico healing process de filme raramente acontece na realidade, e, certamente, não aconteceu para a cantora.

O título do álbum fala por si. O imperador romano Caligula ficou conhecido como uma das mais cruéis e depravadas personagens da história. Kristin Hayter vê nele o seu abusador. Ao contrário do que se poderia esperar, o sucessor de All Bitches Die é tudo menos um bonito conto acerca da vida pós-superação de trauma. Caligula não é bonito, não é calmo, não tem arco-íris e muito menos guarda no fim um pote de ouro. Os seus 66 minutos, desdobrados em onze faixas, são aflitivos, e Lingua Ignota deixa mais do que claro que a luta contra o trauma é uma viagem só com bilhete de ida, para a qual nunca estamos preparados. Cheia de raiva e sem qualquer tipo de filtro, a cantora declara, em em “IF THE POISON WON’T TAKE YOU MY DOGS WILL”, que “a vida é crua e o tempo não cura nada”.

Hayter tem formação clássica, o que lhe permite uma magnificência tanto emocional como técnica na maneira como explora a sua voz, especialmente em momentos de desespero, como “DO YOU DOUBT ME TRAITOR” – uma amálgama martirizante, que não deixa de ser poética, de metal, noise, opera e folk.

Em Caligula, chega de desculpas, chega de tentar ultrapassar o trauma através do perdão forçado – ou do yoga, ou do que quer que seja. As mulheres também têm direito à raiva e à busca da vingança. Para Kristin Hayter, a superação pode nunca chegar, mas Caligula é certamente um triunfo na sua sobrevivência.

Lana Del Rey – Norman Fucking Rockwell!

lanaO hot girl summer que vivíamos até ao momento viu os seus dias contados quando a rainha irrefutável do indie atual, Lana Del Rey, anunciou o lançamento do seu quinto álbum, Norman Fucking Rockwell!, no fim de agosto. Pensou-se, então, que o sad girl fall teria início mais cedo, mas uma primeira passagem pelo álbum mostrou-nos que talvez não.

Foram faixas como “Born To Die”, “Video Games”, “Summertime Sadness” e “Young And Beautiful” que lançaram Lana para os holofotes da música internacional, e para o pódio do indie – músicas, na sua grande maioria, baseadas em relações tóxicas e amores de perdição, ilustradas com filtros de hiper-romantismo e delicadeza; hinos de sad girl. Talvez mais do que em qualquer outro dos seus projetos, a atmosfera etérea e suave continua presente, mas, agora uma mulher grande com 34 anos, Lana Del Rey vê as coisas com outros olhos. A prova disso está logo no início do álbum, na faixa-título, com um call-out nada envergonhado e muito pouco soft: “Goddamn, man-child / You fucked me so good that I almost said ‘I love you’”.

As baladas minimalistas e delicadas permitem que o foco esteja sempre na voz angelical da cantora e nas suas letras, que têm vindo a ser aperfeiçoadas, fazendo de Lana uma das melhores compositoras dos nossos tempos. Depois de excursões pelo hip-hop e o trap-pop, Lana encontrou no piano e na folk a melhor banda sonora para os altos e baixos da sua vida.

Em “Norman Fucking Rockwell!”, a cantora americana é muitas coisas contraditórias; tanto está irremediavelmente apaixonada como renunciada à miséria; um pilar emocional ou uma “fucking mess”; preparada para perdoar quem lhe partiu o coração ou a rainha do movimento “men are trash”. Mas algo é bem certo e nada refutável: para quem, em tempos, afirmou que “queria estar morta”, Lana Del Rey está bem viva e contém multitudes.

O JUP também recomenda: Freddie Gibbs & Madlib – Bandana | Young Thug – So Much Fun | BROCKHAMPTON – GINGER | YNB Cordae – The Lost Boy | Uboa – The Origin of My Depression | WILLOW – WILLOW | Blood Orange – Angel’s Pulse | MIKE – Tears of Joy | Denzel Curry – ZUU | Rapsody – Eve.

Adriana Pinto

Séries

Euphoria

O ensino secundário é uma etapa marcante para toda a gente por motivos variados. Euphoria capta os problemas dessa fase da vida sob uma luz néon. Do sexo e das drogas à violência e às redes sociais, a série retrata várias realidades sem qualquer pudor. Nos primeiros episódios, o espectador é inundado com cenas de nudez. Essas cenas mais chocantes lograram rapidamente muita atenção à série, mas o louvor que tem recebido deve-se ao que está para além delas.

A história desdobra-se em oito episódios, cada um focado numa personagem diferente. Cada uma busca na infância uma justificação para o eu do presente. Muitas encontram a resposta nos problemas familiares.

A protagonist, e narradora da história é Rue, interpretada por Zendaya, que se entrega de corpo e alma à personagem – uma adolescente autodestrutiva de 17 anos que passou o verão em reabilitação após uma overdose acidental. Quando regressa, volta aos mesmos hábitos. No meio de uma das várias house parties tipicamente americanas, Rue conhece a nova melhor amiga, Jules (Hunter Schafer). Entre elas desenvolve-se uma relação romântica, totalmente complicada.

Contudo, a história não roda em torno desse romance, e vai saltando da relação tóxica entre Maddy e Nate até à vida de Fez, o drug dealer com quem os espectadores acabam por simpatizar. Euphoria passa igualmente por Kat e a sua descoberta de uma nova (e pouco comum) vida sexual e uma nova confiança. Não esquecer Cassie, uma das personagens que mais se revela ao longo da história.

Euphoria conta a história de adolescentes sem as promessas de eternização. Não é um teen show. Não é uma série repleta de clichés. Euphoria é Skins para a Geração Z. Retrata a crueldade e mostra os vilões a ganhar e sair impunes, tudo isso sob lentes coloridas e movimentos de câmara invulgares – acompanhados por uma banda sonora de louvar, com Labyrinth como compositor principal.

Stranger Things T3

Tal como anteriormente, a ameaça nesta nova temporada de Stranger Things é uma criatura do mundo Upside-Down. Mas, desta vez, adotou uma forma mais discreta, ao hospedar-se na única pessoa que consegue ficar bem com um mullet – Billy.

Enquanto o MindFlayer se espalha por vários habitantes de Hawkins, o grupo está ocupado a descobrir um novo território: a adolescência. As personagens cresceram, tal como os atores. Os jogos de Dungeons and Dragons são relegados em prol de tempo com as namoradas. Quem sofre mais com as mudanças é Will, o único sem namorada – Dustin volta do seu campo de férias com uma misteriosa companheira, Susy – e ainda preso à sua infância.

No início lento da temporada, o mundo de Eleven gira à volta de Mike. A relação apaixonada e os beijos constantes transformaram Hopper num inspetor das portas fechadas. Mas com o decorrer da história o seu mundo alarga-se; Eleven encontra uma identidade própria e uma nova amizade com Max, que a guia neste mundo de relacionamentos adolescentes – porque amigos não mentem, mas namorados sim.

Joyce Byers continua a mãe preocupada de aspeto maluco, que tenta descobrir o que aconteceu com o campo magnético quando percebe que os seus ímanes caiem do frigorífico. A história divide-se, tal como as personagens, em busca de respostas para os acontecimentos estranhos. A reunião chega nos episódios finais, e proporciona o culminar perfeito de todas as teorias e emoções acumuladas.

O final emocional foi extremamente bem conseguido, arrancando uma lágrima ou duas. Mas a cena pós-créditos voltou a trazer esperança para o destino de Hopper. Agora é esperar pela quarta temporada, que já foi confirmada, mas ainda não tem data prevista.

La Casa de Papel T3

Os oito episódios da terceira temporada trouxeram de volta os assaltantes espanhóis mais queridos do momento.

Após várias cenas, espalhadas pelo mundo, percebemos que todos estão a salvo e a viver de forma luxuosa. Uns mais escondidos do que outros, como é o caso de Tóquio e Rio, que já tinham sido identificados pela polícia no assalto à Casa da Moeda. Vivem agora num ilha paradisíaca quase deserta. Contudo, a beleza natural e calma não chegou para Tóquio, que sentiu a necessidade de sair. E aí começam os problemas. O telefone de satélite que usaram para se comunicar denuncia a sua localização, e Rio é rapidamente preso.

Após uma reunião forçada de grupo, encontra-se um consenso para a nova missão: libertar Rio. Assim surge um novo plano. Ou semi-novo, pois é nada mais nada menos que um plano antigo de Berlim (morto, mas sempre presente). Sem muito tempo para aperfeiçoamento, o plano é claramente falível.

Com novos ladrões no grupo surgem novos problemas, como o machismo de Palermo. Mas também se mantêm velhos defeitos, tais como a imaturidade e impulsividade características de Tóquio.

O ponto alto desta temporada é sem dúvida a nova inspetora que entra em ação, Alicia Sierra (Najwa Nimri). A perspicácia, frieza e inteligência de Alicia faz com que consiga estar um passo à frente do Professor, conseguindo fazer com que este caia na sua própria armadilha.

Há ainda tempo em La Casa de Papel para críticas ao governo de Espanha e de outros países, com menções a documentos confidenciais que envolveriam casos de corrupção.

A terceira temporada consegue manter o interesse na história e cativar os espectadores, focando-se mais nas relações, com muitos momentos de ação explosiva e tensão. Contudo, peca em algumas cenas onde se vê apenas “mais do mesmo”.

When They See Us

When They See Us é uma minissérie da Netflix com apenas quatro episódios. Baseada em factos reais, pode ser pequena, mas não é fácil de ver.

Em 1989, Trisha Meili, jovem de 28 anos, foi brutalmente violada em Central Park e, consequentemente, deixada em coma durante doze dias. Nessa noite, a polícia “escolheu” cinco dos 30 jovens que estiveram envolvidos em crimes de menor expressão nesse mesmo local (Antron McCray, Kevin Richardson, Raymond Santana, Yusef Salaam e Korey Wise – os Central Park Five).

Assim, criou-se a acusação em torno de uma narrativa forçada. Os cinco rapazes, com idades entre os 14 e 16 anos, foram manipulados e interrogados exaustivamente, sem a presença dos pais. Foram todos condenados, com penas de prisão entre os seis e doze anos.

Os cinco homens foram mais tarde ilibados, depois da confissão do verdadeiro violador, Matias Reyes, que se pronunciou em 2001.

Durante os episódios da minissérie, uma reflexão sobre os sistemas de justiça e prisionais norte-americanos, bem como os direitos humanos numa América racista, é impossível ficar indiferente aos olhares de cansaço e às lágrimas de desespero dos interrogados. Escrita e realizada por Ava Duvernay, When They See Us é uma bastante exigente a nível emocional. Contudo, deve ser vista, pois conta uma história demasiado importante para ser ignorada.

O JUP também recomenda: Mind Hunter | Big Little Lies | Pose | Orange Is the New Black.

Cristiana Rodrigues

Cinema

John Wick: Chapter 3 – Parabellum

Verão é época dos blockbusters de Hollywood. De todos os filmes de ação que saíram este ano, um dos mais antecipados foi, sem dúvida, o terceiro capítulo da saga John Wick.

A expetativa foi cumprida totalmente. Dez dias depois de estrear, o filme conseguiu o melhor resultado da trilogia na bilheteira. A crítica e os fãs voltaram a render-se a Keanu Reeves.

O sucesso não é injustificado. Ao contrário dos filmes típicos de ação em que há muitos cortes e transições para mascarar a coreografia, John Wick apresenta sequências longas e impressionantes. As lutas e tiroteios são executados com uma precisão milimétrica, sempre com sentido de humor criativo.

É verdade que é apenas um filme em que um assassino de elite mata outros assassinos. A diferença é que John Wick é dos poucos sem preguiça para elaborar ação tão fluída como uma coreografia de dança.

Rocketman

Uma das modas atuais da indústria do cinema são as biografias musicais. Depois de, no ano passado, Freddie Mercury estar em foco com Bohemian Rhapsody, este ano foi a vez de Elton John ter direito a um filme sobre si.

As biopics de artistas costumam cair numa fórmula previsível, mas Rocketman desvia-se do estereótipo. O realizador Dexter Fletcher transforma a vida de Elton John num musical impressionista, através do uso visionário da discografia do músico britânico.

A coreografia, o trabalho vocal, o arranjo instrumental, a cinematografia, enfim, todas as componentes audiovisuais brilham de maneiras diferentes. No centro de tudo está Taron Egerton no papel de Elton John. A interpretação reproduz de forma fiel os maneirismos e espelha o caos emocional da carreira conturbada do músico.

Ideias refrescantes e talento para as tornar realidade fazem de Rocketman um dos filmes do ano. Deu que falar este verão e vai, certamente, dar que falar na época dos Óscares.

Toy Story 4

A Pixar surpreendeu muita gente quando anunciou um quarto Toy Story, no final de 2014. Seguiram-se cinco anos de antecipação e receio para os fãs. Depois de uma trilogia quase perfeita e, aparentemente, terminada, havia mesmo necessidade de mais um filme? E será que ia ser tão bom como os restantes?

Não para a primeira questão, sim para a segunda. A verdade é que por mais desnecessário que Toy Story 4 seja, a sua narrativa não só reforça os valores que sempre foram os pilares da saga como lhes dá uma conclusão satisfatória.

Tom Hanks tem a sua melhor prestação como Woody, transmitindo as incertezas do protagonista sobre o seu propósito no mundo. Aceitar o fim da linha é uma mensagem forte que pode tocar mais os graúdos que os miúdos. Mesmo assim, qualquer criança vai ficar encantada com a magia típica da Pixar.

O impossível foi feito. Toy Story concluiu duas vezes a saga com sucesso. A Disney está de parabéns, mas esperemos que a empresa aprenda com o seu filme e saiba seguir em frente por um novo caminho.

Variações

Regressamos às biografias musicais, desta feita à moda portuguesa. António Variações continua a ser uma figura icónica da nossa cultura, apesar dos curtos anos na ribalta. A paixão do realizador João Maia – e do ator Sérgio Praia – manteve viva a ideia de um filme sobre o artista. Uma década e meia depois, Variações é o filme português mais visto nos últimos quatro anos.

A narrativa não vai pelo caminho seguro de mostrar os altos e baixos mais famosos do cantor. Em vez disso, temos direito a um estudo íntimo de personagem, onde observamos a luta de António Variações para singrar no mundo da música, enquanto lida com os problemas pessoais que marcaram a sua vida.

Alguns podem ficar desapontados por não verem a descoberta de Variações por parte de Júlio Isidro, ou a atuação de abertura para o concerto de Amália Rodrigues. No entanto, é contar o lado mais desconhecido do artista o que dá mais valor a este filme. Chama-se Variações, mas saímos da sala de cinema a conhecer António.

Sérgio Praia merece todos os elogios imagináveis pela sua transformação camaleónica. A timidez subtil do homem e a irreverência exuberante do cantor são ambas interpretadas genialmente. A prestação vocal é também de grande mérito. Ainda dentro do parâmetro musical, a banda sonora do filme nunca supera as composições originais, com a exceção da ótima rendição de “Canção de Engate”.

João Maia lutou pela sua visão e para nos dar a conhecer melhor António Variações.  Este filme comprova que, três décadas depois da morte do artista, o mito mantém-se vivo.

Once Upon a Time in Hollywood

O nono filme de Quentin Tarantino captou, de imediato, a atenção de todos pelo tema que pretendia abordar: os homicídios da “família” de Charles Manson, dentre os quais se conta o da atriz Sharon Tate. O anúncio de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie nos papéis principais só aumentou a antecipação.

A narrativa, ou falta dela, de Once Upon a Time in Hollywood apanha de surpresa o espetador. O chamado hang-out movie não era feito por Tarantino desde Jackie Brown. Em vez de uma história com princípio, meio e fim, Tarantino opta por nos colocar a conviver com o trio de protagonistas, na fantasia de Hollywood de 1969.

As personagens são, assim, o elemento fulcral para que o filme resulte. Os três atores principais conseguem brilhar, cada um à sua maneira, através das peripécias e o diálogo rico típicos de Tarantino. DiCaprio apresenta uma projeção de insegurança digna de prémios, Pitt tem o carisma ligado ao máximo e Robbie encarna uma Sharon Tate angelical.

A cinematografia e a banda sonora mantêm o padrão esperado de uma produção de Tarantino. O final poderá ser a sequência mais alucinada da carreira do realizador, um clímax explosivamente icónico. E pelo meio ainda há uma cena exímia de tensão e terror.

A melancolia está presente durante toda a duração de Once Upon a Time in Hollywood. A melancolia pelo fim bruto de uma era. É um projeto feito com carinho por alguém que adora a 7ª Arte e quem faz ou já fez parte dela.

O realizador tem dito que não sente necessidade de prolongar muito mais a carreira, planeando retirar-se ao décimo filme. A verdade é que Tarantino pode não precisar de criar mais cinema, mas, neste momento, o cinema precisa de mais pessoas que o criem como Tarantino.

João Malheiro