Cultura

MEO MARÉS VIVAS: HUSTLE COM KEANE, UM BAILE DOS QUATRO E MEIA, KODALINE E NEVOEIRO

No primeiro dia do festival, o MEO Marés Vivas levou consigo o sol e trouxe o nevoeiro, mas não ver as estrelas não impossibilitou a energia de assistir a boa música. Por Maria Pinto.

A abertura começou com Beatriz Pessoa às 16h30, no palco Santa Casa da Misericórdia, que, embora com pouco público, passou por todo o seu reportório, começando com “Everyday Fights” e passando por “Namora Comigo”, música feita a convite de Cristina Branco. Beatriz Pessoa encantou com apresentações de músicas dos seus dois EP e uma surpresa nova, “Sonhos de Moça”, que poderá ser ouvido em breve.

A energia estabelecida continuou para o palco Moche com Kappa Jotta e o seu convidado Amaro que, em nenhuma circunstância, deixou a energia do público morrer. Os pedidos constantes de mãos no ar chamaram uma multidão que se ia juntando, ficando cada vez maior. Parecia impossível, mas o público ficou ainda mais vivo com “Hustle”, onde Kappa Jotta explicou, antes de começar, que estávamos todos no hustle: a fazer alguma coisa para avançarmos na vida, e que isso é sempre melhor que esperar no sofá que tudo aconteça. O concerto acaba com “DPDC”, um pedido subtil de chamada de atenção: as câmaras e as visualizações não são mais fortes que a realidade.

O palco MEO estreou-se com Mishlawi, que juntou pessoas que não abdicaram do seu lugar até ao final da noite deste primeiro dia. Mishlawi fez um pedido à multidão que colocou o público inteiro a gritar “Porto”, agradecendo às belas cidades de Gaia e Porto, espírito que foi continuado pelos Quatro e Meia, que intensificaram a importância de um festival internacional também apostar em música portuguesa, e pelos Keane, que, a meio do concerto, colocaram o público desejoso quando referiram que não se importavam de viver nestas duas cidades.

O concerto dos Quatro e Meia passou a correr, criando um baile entre os mais dançantes ao som de êxitos como “Baile de São Simão” e “Bom Rapaz”. Todos cantaram com raiva “Não Respondo por Mim”, a lembrarem-se do Porto que, embora sempre belo, está sempre com trânsito. O concerto terminou assim com “uma dança da chuva, mas ao contrário”: “Sentir o Sol” não trouxe o sol de volta mas fez com que a noite caísse na melhor das atmosferas.

Keane. Fotografia: Gonçalo Sabença
Keane. Fotografia: Gonçalo Sabença

O público esperou ansiosamente, enquanto via a desmontagem dos Quatro e Meia, sentindo o entusiasmo quando a equipa técnica começou a colocar uma grande projeção que dizia apenas “Keane”. Os Keane entraram então, meia hora depois, com o dobro das pessoas presentes, e deram um concerto completo, passando por baladas, como “My Shadow”, que chamou as lanternas dos telemóveis, criando assim as estrelas que faltavam nesta noite. Anunciaram um novo álbum com lançamento para setembro, cantando alguns dos temas que poderemos ouvir na altura. Acabaram o concerto com a promessa de haver sempre mais uma música, e levaram o público ao rubro deixando para o fim “Everybody’s Changing”, “Somewhere Only We Know” e “Crystal Ball”.

O festival continuou pela noite fora, clandestinamente entrando no segundo dia, com um concerto dos Kodaline, que teve início à meia noite.

Artigo da autoria de Maria Pinto.