Cultura

NOS ALIVE: VAMPIRE WEEKEND DOMINARAM A NOITE FRIA

No segundo dia do festival NOS Alive, Vampire Weekend chegaram e dominaram o Palco NOS. No Palco Sagres, os jovens Pip Blom prometeram e Primal Scream deram espetáculo.

Se no primeiro dia de festival o calor abrasador foi um obstáculo, a leve chuva e o céu cinzento vieram colocar um entrave maior aos concertos de abertura do segundo dia. Ainda assim, os espanhóis Izal, no Palco NOS, e ETC, no Palco Sagres, abriram as hostilidades no Passeio Marítimo de Algés, num dia que ansiava fortemente nomes como Vampire Weekend e Primal Scream.

Johnny Marr. Fotografia: Hugo Macedo
Johnny Marr. Fotografia: Hugo Macedo

O som hipster de Pip Blom

Os irmãos Blom estrearam-se em Portugal no palco Sagres, trazendo consigo a sua música e o seu estilo indie, um deleite para os hipsters que invadiram o Palco Sagres para ouvir os holandeses. A jovem banda trouxe Boat na bagagem, álbum de estreia que recebeu elogios de grandes nomes da crítica musical como a revista Rolling Stone, a BBC Music 6 e a Pitchfork.

Houve também espaço para alguns temas do EP Paycheck de 2018, como “Pussycat” e “The Shed”. A jovem banda ainda mostra sinais da sua tenra idade, no entanto, não é por acaso que já se apresentam em festivais como o NOS Alive e Glastonbury, onde estiveram em junho deste ano. Talvez fosse a impossibilidade de ficar parado ao som da voz querida e simpática da vocalista, homónima da banda, ou talvez fosse dos forteis níveis de hipsterismo presentes tanto em palco como no público.

Pip Blom. Fotografia: Hugo Macedo
Pip Blom. Fotografia: Hugo Macedo

Primal Scream e a energia de Gillespie

Talvez por Trace Nova ter brilhado no Palco Sagres, que se encontrava lotado, o público presente no Palco NOS, a dez minutos do início do concerto de Primal Scream, era ainda escasso. No entanto, isso não impediu a banda já trigenária de pôr logo a audiência do NOS Alive a dançar e a cantar com “Movin On’ Up”. De maneira gradual, o ambiente do concerto foi ficando mais carregado de cores e luzes alusivas a efeitos psicadélicos, tudo combinado com os riffs agressivos da banda.

Gillespie, de fato rosa choque, tem uma energia única que transmite ao público ao longo de todo o concerto, atingindo o auge do ambiente alucinogénico do concerto com “Higher Than The Sun”. Há algo de nostálgico no rock de Primal Scream, com “Loaded” e “Country Girl” a abrir caminho para um final um tanto previsível: “Rocks”, o maior êxito da banda, fechou a sua passagem pelo Palco NOS.

Primal Scream. Fotografia: João Silva
Primal Scream. Fotografia: João Silva

Abanar o capacete com Led Ze… Quer dizer, Greta van Fleet

A confusão é normal; afinal de contas, são inúmeras as semelhanças (ou influências, vá) entre as duas bandas, que se separam por uns simples 40 anos. O concerto de Greta van Fleet veio trazer ao Palco NOS uma sonoridade que já não se ouvia há já algum tempo. Os agudos incríveis de Joshua Kiszka, conjugados com as notas altas da guitarra do seu irmão Jake, formam a sonoridade da banda e compõem a maior parte do concerto, que parece ser uma só grande música, no meio da qual deu ainda para identificar “The Cold Wind”, “Safari Song” e “Highway Tune”, um dos maiores êxitos da banda.

Talvez fosse pelo concerto de Tash Sultana no Palco Sagres, ou Plutónio no NOS Clubbing, que o público, ainda que já mais composto do que aquele que viu Primal Scream, estava longe de chegar à ocupação do dia anterior na altura do concerto de Ornatos Violeta. Um dos ossos do ofício de ser festivaleiro é mesmo esse: ter dois, ou às vezes três bons concertos ao mesmo tempo e ter que decidir a qual dedicar mais tempo, ou se vale a pena ou não furar por todo um mar de gente para ir de um palco para o outro.

Greta van Fleet. Fotografia: Arlindo Camacho
Greta van Fleet. Fotografia: Arlindo Camacho

Com licença, que os Vampire Weekend chegaram

Já se sabia. Eram cabeça de cartaz por alguma razão. No entanto, nem a própria banda esperava que o concerto no segundo dia do NOS Alive fosse um exemplar tão bom da qualidade da banda.

Durante cerca de uma hora e meia viajou-se pela discografia dos britânicos, que estavam em perfeita sintonia tanto entre si como com o público. Ouviu-se Contra, com “White Sky” e “Run”, Modern Vampires of The City, com “Unbelievers”, Vampire Weekend, com “Cape Cod Kwassa Kwassa” e Father of The Bride, o álbum mais recente, com “Bambina” e “Sympathy”, para além de “Sunflower” e houve ainda tempo para uma homenagem a Bob Dylan, com um cover de “Jokerman” que aqueceu os corações de todos os presentes, e um de “NEW DORP. NEW YORK”, de SBTRKT.

Dançou-se e cantou-se ao som da voz de Ezra Koenig, que faz jus ao seu apelido germânico, uma vez que reinou durante todo o concerto. “Já tivemos vários shows bons, mas este fica sem dúvida no top cinco”, afirma o vocalista e guitarrista dos Vampire Weekend. Sem dúvida que a performance dos britânicos foi, até agora, um dos pontos altos do NOS Alive 2019.

Vampire Weekend. Fotografia: Arlindo Camacho
Vampire Weekend. Fotografia: Arlindo Camacho
Gossip. Fotografia: Arlindo Camacho
Gossip. Fotografia: Arlindo Camacho

No segundo dia do NOS Alive 2019, vibrou-se com o rap de Plutónio e Dillaz, sonhou-se com os primeiros sons dos promissores Pip Blom, viveu-se uma certa nostalgia com Primal Scream e meditou-se ao som de grandes solos e riffs de Greta van Fleet. Fica alta a fasquia para o terceiro e último dia do festival, que traz The Smashing Pumpkins, Bon Iver, The Chemical Brothers e Thom Yorke na bagagem.

Tash Sultana. Fotografia: Hugo Macedo
Tash Sultana. Fotografia: Hugo Macedo