Cultura

HIP HOP SESSIONS COM BISPO E SPLIFF: UMA NOITE NO HARD CLUB

No dia 14 de junho, Bispo e Spliff atuaram no Hard Club, com fãs fiéis a assistirem. Por Francisca Costa.

Sexta-feira à noite. Tempo incerto, quase outonal, numa noite de primavera. No entanto, isso não impediu os fãs de Hip Hop de se dirigirem ao Hard Club naquela que foi a primeira edição das “Hip Hop Sessions”, promovidas pela Sample.

Primeiro, Spliff. Cheio de energia, o rapper, originalmente produtor e pertencente ao coletivo M75, cuja carreira começou como DJ de Dillaz, apresentou-nos o seu álbum Risco, com espaço para alguns singles, entre os quais, “Porto de Abrigo”. Apesar de o público estar ainda a chegar para o headliner da noite, Spliff soube conquistar os presentes e mostrar todo o seu potencial, com uma grande presença em palco, e ajudou (e muito) a criar o ambiente próprio para a entrada de Bispo, de quem aliás é próximo.

Bispo entrou logo com “Mentalidade Free”, mostrando ao que vinha, comunicando, de imediato, com o público, e recordando o tempo em que pisou pela primeira vez o palco do Hard Club, em 2014, com a mesma “Mentalidade Free”. O espetáculo do rapper inclui já efeitos visuais, num ecrã gigante, onde projeta várias mensagens, como, por exemplo, em letras garrafais, 2725, o código postal do local de onde Bispo é originário, Algueirão-Mem Martins.

Nem Spliff, nem Bispo estiveram sozinhos em palco. Bispo fez-se acompanhar por Ivandro, que desempenhou a função de MC “secundário”, e, por vezes mesmo, cantor, não sendo apenas uma presença de circunstância. Com ele esteve, ainda, uma banda mais “tradicional”, composta por Del, Vala, Frankie Baptista, e, naturalmente, um DJ, D’ay.

A noite continuou com vários dos êxitos do rapper de 27 anos, destacando-se “Pormenores” (uma parceria com Sam The Kid, que originou um dos vários momentos de interação de Bispo com a audiência, ao perguntar quem gostaria de “fazer de Sam” no palco, o que aconteceu, tendo um membro do público aceitado o convite, dando por vezes a ideia de que estava bem ensaiado, embora ambos garantissem que foi um momento de improviso), “Lembra-te”, “Não Fui Sincero”, “Aviola”, e, finalmente, “NÓS2”, o tema de maior impacto até à data, que encerrou o encore, onde houve ainda lugar para a sua música mais recente, “Com Licença”, feita com Deejay Télio.

A casa não estava lotada, o que não é de estranhar, tendo em conta que o principal público-alvo, na sua maioria, se encontra neste momento no meio de exames (tanto nacionais como de faculdade). No entanto, isso foi irrelevante, considerando a energia e intensidade com que, quer o artista, quer o seu público, viveram este espetáculo.

Spliff e Bispo fizeram questão de agradecer várias vezes ao público. No caso do último, manifestamente bem-disposto e comunicativo, houve vários momentos de conversa e até de humor, que aliás definem a presença em palco de Bispo. Como é habitual, fez questão de comunicar com a audiência, incentivando-os a não desistirem de si mesmos e dos seus sonhos, o que pôs em prática com “Sonho Parvo”. Não era um sonho parvo, como o disse (e bem) Bispo e como demonstraram as várias pessoas que acompanharam o rapper com as suas vozes, tendo o próprio dito que sabia que caso perdesse a voz, sabia que a sua audiência estaria disponível para o substituir imediatamente. No fim, apesar do cansaço do artista, ainda houve tempo para um meet and greet, onde Bispo acolheu todos os que se reuniram numa grande fila para o conhecer. Uma bela noite de Hip Hop no Hard Club.