Cultura

DISMALAND AND OTHERS: UMA VIAGEM AO UNIVERSO BANKSY PELA LENTE DE BARRY CAWSTON

"Banksy’s Dismaland and Others – Photography of Barry Cawston" está em exibição na Alfândega do Porto desde 19 de janeiro e vai manter-se até 28 de julho. Percorremos uma galeria cheia de fotografias impressionantes numa viagem pelo universo do célebre artista de rua, visto pelos olhos de Barry Cawston, ainda com espaço para arte urbana de outros artistas. Por Francisca Costa.

A exibição começa por mostrar-nos imagens de Dismaland, o parque temático contra-cultura (paródia da Disneyland; dismal, que em inglês significa ‘deplorável’) idealizado e criado por Banksy, entre agosto e setembro de 2015, na pequena vila britânica piscatória de Weston-super-Mare.

Cawston terá visitado o parque de atrações múltiplas vezes. Nas fotografias, vemos claramente que o parque pretende, ao mesmo tempo que satiriza o mundo encantado do universo Disney, criticar a sociedade, algo que Banksy já faz através dos seus graffitis, realizados a partir da técnica de stencil. Destacam-se uma fotografia de uma escultura de Cinderela tombada no seu coche enquanto paparazzi a registam e, ainda, um retrato despixelizado da figura de Ariel.

"Dismal Steward". Banksy: Dismaland (2015). Fotografia: Daniel Dias (infomedia)
“Dismal Steward”. Banksy: Dismaland (2015). Fotografia: Daniel Dias (infomedia)

A exposição segue com fotografias do Walled Off Hotel, o hotel concetualizado em 2017 por Banksy em Belém, na Palestina. As suas janelas têm vista para o muro que separa Palestina de Israel. Banksy é um célebre defensor da causa palestiniana e visitou o país várias vezes. Na primeira vez em que visitou o país, conheceu Wissam Salsa, o dono e gerente do hotel e uma das poucas pessoas no mundo que conhece a verdadeira identidade de Banksy. Salsa diz que Banksy decorou o hotel ao mínimo pormenor, e isso é evidente nas fotografias de Cawston. Destaca-se a reprodução do célebre graffiti “Rage, the Flower Thrower”.

Há ainda espaço para outra parte da exposição, “Others”, em que se exibem fotografias de 24 obras de arte urbana de artistas portugueses, juntamente com paisagens industriais, como a da fábrica Völklinger Hütte, local onde esta exposição esteve em exibição durante meses. Também vemos cenas quotidianas fotografadas por Cawston, como as fotografias tiradas em Weston-super-Mare, que retratam o quotidiano da pequena cidade.

Finalmente, temos ainda um espaço reservado ao graffiti e à street art em Portugal, que nos mostra fotografias dos trabalhos de Adres, Hazul, Rami, MaisMenos, Mar, Mosaik, Nomen e Tamar Alves, e ainda a instalação coletiva “Fragmentos”.

Em destaque encontra-se a obra interativa do quadro “Girl With Balloon”, uma das obras mais famosas de Banksy. Em novembro de 2018, esta obra ficou ainda mais célebre por se auto-destruir no momento da sua venda, por 1,2 milhões de euros, num leilão da Sotheby’s, através de um mecanismo que Banksy afirma ter sido o próprio a colocar na moldura. A obra passou a chamar-se “Love is in the Bin”.

A identidade de Banksy, que pertence à chamada “Brighton scene”, permanece desconhecida, apesar de se suspeitar que é Robert del Naja, vocalista da banda britânica Massive Attack. No entanto, com esta exposição, assim como através de todas as suas obras, sentimo-nos sempre um pouco mais perto deste misterioso artista.