Cultura

LUÍS SEVERO VOLTOU AO PORTO E TROUXE O SOL COM ELE

Luís Severo veio ao Porto apresentar o novo álbum ‘O Sol Voltou’. O músico atuou quinta e sexta-feira no Passos Manuel, com sala cheia. Por Raquel Maria.

Desta vez Passos Manuel já não tem lugares para o público de Luís Severo que esgotou os dois dias agendados para a apresentação do novo álbum ‘O Sol Voltou’. O jovem músico que se introduziu no mundo da música de um modo mais caseiro há onze anos, e sob o nome de Cão da Morte, agora é Luís Severo, que já conta com três álbuns gravados em estúdio desde 2015: primeiro Cara D’Anjo, em 2017 com Luís Severo e agora O Sol Voltou, um álbum surpresa, desenvolvido em parte na ilha de São Miguel e onde toda a escrita, composição e produção foi da inteira responsabilidade do cantautor. Lançado sem um único single de avanço, o álbum já apresentado em Lisboa no dia 22 de maio vem agora ao Porto e a 14 junho está em Coimbra.

Foi a descer as escadas do auditório e a acenar ao público de um modo bastante simpático, alegre e acolhedor que Luís Severo se apresentou e se veio a sentar ao piano, sob um foco de luz quente que lhe acentuou a presença e conferiu ainda mais intimidade ao concerto bonito que viria a acontecer diante dos nosso olhos. Severo tocou “umas músicas novas” e outras “não são assim tão novas” num concerto que passou pelos três álbuns do músico que, com um sorriso tímido, entre ombros que por vezes encolhiam, tentava observar quem o ouvia.

Desde “Quem Me Espera” a “Domingo”, do seu último lançamento, entre aplausos carinhosos do público Luís Severo passa também por “Cara d’Anjo”, do álbum com o mesmo nome, e por “Planície” e “Boa Companhia”, do seu álbum homónimo.

Entre canções, Luís Severo confessa o gosto que tem por voltar ao Porto e aponta o Passos Manuel como sítio onde gosta muito de tocar – segundo ele, um palco cosy e “um dos sítios onde se sente mais confortável”. Conta, em tom de brincadeira, que já tinha tocado no Passos Manuel e quem assistia eram apenas “umas cinco pessoas”; agora, sete anos mais tarde, não haveria diferença, pois “daqui não se vê nada”. Luís Severo aproveita para desejar que o espaço em questão não seja comprado por nenhum hotel ou algo semelhante e segue com “Joãozinho”, “Primavera” e “Acácia” e deixa-nos à vontade para pedir “as que quiséssemos”: “na boa”.

Mais próximos do final do concerto, sai de palco e volta de seguida. Segundo Severo, essa teria sido a maneira mais oportuna de voltar da guitarra ao piano de maneira elegante. Continua a tocar o seu último trabalho e revela a presença de um convidado que sobe ao palco mais tarde. Ele é Coelho Radioativo, fundador da Favela Discos, seu amigo próximo e com quem forma a dupla Flamingos. Com Coelho Radioativo e Luís Severo, ouviram-se temas dos dois artistas assim como trabalho conjunto. Ouvimos “Cabanas do Bonfim” e “Souvenir”, tema criado pelos dois e dedicada aos seus amigos que, como muitos, procuraram outras oportunidades no estrangeiro. Os amigos saem de palco e voltam momentos depois para mais uma cantada pelo caminho ao palco: esta é “Escola”, do seu segundo álbum, tocada fora de palco, muito próximo do público, que canta com ele.

Com dois concertos cheios no Porto, Luís Severo vai estar ainda esta sexta-feira, na FNAC do Mar Shopping, às 22h00.