Cultura

FAP: “A QUEIMA DAS FITAS DO PORTO É UM PROJETO INACABADO”

Em entrevista ao JUP, o presidente da Federação Académica do Porto esclareceu questões relativas à Queima das Fitas, a decorrer durante toda a semana. Por Inês Moura Pinto.

João Videira, Presidente da Federação Académica do Porto (FAP), respondeu a alguns aspetos circundantes à Queima das Fitas do Porto, nomeadamente a luta por uma maior sustentabilidade e o reforço da segurança interna contra o assédio e comportamentos problemáticos.

Sustentabilidade na Queima

À semelhança do ano passado, o queimódromo adotou novamente os copos reutilizáveis – “copo de fino e copo de tubo (…) convertidos apenas num único copo”. Contudo, ainda há algum desperdício difícil de contornar relativo aos copos de shot: “nós este ano tentámos procurar algumas soluções que não em plástico para o copo de shot: procurámos alternativas em papel – como os copos de café – só que a medida que nós temos são 3 centilitros e não tínhamos nenhum fornecedor capaz de nos fornecer o produto na quantidade que necessitávamos para o evento”.

O presidente da FAP assegurou que se tratam de “cerca de um milhão de copos” consumidos durante a Queima das Fitas. Embora ainda seja plástico, a solução mais favorável que a FAP encontrou foi usar um material menos fraturável: “o ano passado e este ano adotámos um copo de shot em polipropileno, que é um material dúctil e portanto dobra e não parte. Isso facilita em muito a recolha e o tratamento dos resíduos”.

Outra medida sustentável acolhida pela Federação foram as “plataformas de serviços de transportes partilhados – os shuttles com a STCP”. Este ano, a maioria dos autocarros ao serviço do queimódromo são “os autocarros mais sustentáveis da STCP”, a gás natural e elétricos. Além disto, estão a ser implementadas “algumas medidas também de tratamento de resíduos que as próprias barracas produzem”.

João Videira concluiu que o “compromisso com a sustentabilidade está visível” e que a Queima do Porto foi “o primeiro evento académico a envergar o Sê-lo Verde. “Obviamente esse foi um passo muito importante enquanto Federação Académica do Porto e enquanto Queima das Fitas do Porto, porque conseguimos pautar a agenda com essa conquista”, confessou.

A Queima das Fitas do Porto, que este ano voltou a candidatar-se ao fundo ambiental Sê-Lo Verde, aguarda resposta à candidatura: “no recinto, estamos à espera de obter a resposta por parte do Ministério do Ambiente para saber se temos efetivamente o Sê-lo Verde ou não. Esperamos que sim. Estou convicto de que vamos ter”.

João Videira, presidente da FAP. Fotografia por Ana Rita Félix.
João Videira, presidente da FAP. Fotografia por Ana Rita Félix.

Assédio Sexual e Ponto Lilás

Todos os anos são reportados casos polémicos de assédio sexual, nudez e comportamentos de cariz sexual dentro do queimódromo. Este ano a FAP decidiu acolher um projeto internacional, promovido por várias organizações contra o assédio – o Ponto Lilás. “Não permito o teu assédio” é o mote de campanha deste novo espaço dentro do queimódromo, que oferece um porto seguro com profissionais dispostos a ajudar.

João Videira assumiu que a FAP tem uma “responsabilidade social, com o combate às desigualdades, com o dizer não aos discursos de ódio, com o acabar com a violência sexual e com os abusos sexuais”. A Queima das Fitas do Porto e a FAP foram “pioneiras em Portugal, a ter um Ponto Lilás no recinto do seu evento”.

“Os dados que nós temos até agora é que serão muito poucas as ocorrências, para já, registadas [no Ponto Lilás]. Os profissionais estão a fazer campanhas de sensibilização no próprio recinto, estão a abordar algumas pessoas, para já tudo sem problemas de maior”, assegurou o presidente.

Sobre a necessidade deste reforço, João acrescentou: “acreditamos que temos uma responsabilidade de uma mensagem a passar aos nossos estudantes e àqueles que nós representamos e que nos visitam na Queima das Fitas do Porto. É passar esse tipo de mensagens – uma mensagem política, uma mensagem de preocupação e de responsabilidade social, uma mensagem verde”.

Para o académico, “a Queima das Fitas e qualquer evento não pode estagnar, tem que haver sempre avanço mínimo. Todos os anos nós pautamos sempre por acrescentar qualquer coisa ao evento, para o dinamizar da melhor maneira”.

Headquarters da FAP no Queimódromo. Fotografia por Ana Rita Félix.
Headquarters da FAP no Queimódromo. Fotografia por Ana Rita Félix.

Vigilância e Segurança Reforçadas

Para além do recente Ponto Lilás, a FAP reforçou a segurança este ano com a implementação de torres de vigia em zonas de pouca visibilidade. Segundo João Videira, “a Queima das Fitas do Porto é um projeto inacabado”, o que justifica a necessidade de estabelecer um “compromisso de segurança e de que as pessoas se sintam confortáveis e à vontade no recinto”.

Sendo um espaço que acolhe “25 mil pessoas em média” por dia, o presidente apontou para a necessidade de aumento da segurança através da redução de “blindspots”: “as ilhas onde estão neste momento colocadas as torres de vigia eram um blindspot, zonas de fraca visibilidade, e, com as torres de vigia em cada uma das ilhas, para além de nos permitir vigiar as próprias ilhas, conseguimos ter uma visão muito ampla do próprio recinto, identificar rapidamente algum foco de conflito (…) e reclamar rápida intervenção do meio que se adequar”.

Por último, o presidente referiu ainda o dever de estabelecer uma ponte entre os estudantes e a política este ano, para os aproximar e estimular a votação. “Este ano estamos a trazer alguns candidatos às próximas eleições europeias à Queima das Fitas do Porto, nesse sentido de aproximar a política aos jovens e trazer a política para os meios onde os jovens se inserem e onde passam o seu tempo. No sentido de os aproximar e, de facto, descomplicar e desburocratizar essa forma de estar e essa maneira de fazer política”, rematou.