Cultura

PARTY É PARTY E NINGUÉM SLEEP (REPEAT)

A sétima edição do Party Sleep Repeat prometia ser a maior de todas desde a criação do projeto em 2013. À semelhança dos outros anos, a venda de bilhetes reverteu parcialmente para a Liga Portuguesa Contra o Cancro e outras organizações solidárias. Por João Norte.

Ainda antes de começarem as 12 horas de música seguidas já dezenas de pessoas estavam sentadas na entrada da exposição “Contra a Abstração” no Centro de Arte Oliva para ouvir Duquesa, naquele que foi o concerto mais intimista do festival inteiro.

Mal os últimos acordes de guitarra foram tocados, o público movimentou-se em direção ao Palco Terraço, onde Melquíades dava início à programação planeada, às 17h00. A banda lisboeta pautou a sonoridade rock que marcaria o resto do festival e, igualmente, o seguinte concerto, dos Galo Cant’às Duas. À medida que suor escorria da cara de Hugo Cardoso – o baterista da dupla de Viseu – já se começava a sentir o ambiente familiar e íntimo tão característico do Party Sleep Repeat.

Seguiu-se o concerto de rock psicadélico dos Astrodome no Palco Alameda, o segundo maior. E a mudança não foi por acaso – a percussão contínua e a densidade instrumental de guitarras elétricas distorcidas gritavam por um sistema de som que aguentasse com o aumento de decibéis.

Jibóia veio introduzir uma maior variedade sonora e as camadas de instrumentais que puxam influência de música oriental serviram como uma mudança de ritmo bem-vinda na programação do festival.

Já sem luz diurna, 15 minutos foi o tempo necessário para retirar os instrumentos e as unidades de efeitos do palco, para preparar uma atuação em que só é necessário uma mesa de misturas, uns microfones e boa disposição. Quando Conjunto Corona subiu ao palco, a audiência entrou em erupção e, por entre cânticos de “Gondomar, Gondomar”, era claro que havia uma relação próxima entre o público de São João da Madeira e David Bruno e companhia.

A energia era contagiante e, no meio de stage dives, quedas do Homem do Robe e shots de hidromel, não havia uma pessoa parada durante o concerto. Mesmo aqueles que no início não reconheciam as músicas, passado uns minutos já cantavam os refrões repetitivos, numa atuação em que participaram também Fred&Barra e Minus como convidados especiais.

O concerto dos Corona prolongou-se e, quando acabou, os Go!Zilla já tocavam na Sala dos Fornos. Menos de uma hora depois, foi a vez dos Glockenwise subirem ao palco. A banda de Barcelos fez uso do seu rock melódico e divertido para pôr as pessoas em São João da Madeira a abanar a cabeça e vibrar ao som dos seus refrôes hipnotizantes, cortesia do vocalista carismático Nuno Rodrigues.

Os Dead Combo entraram em palco, como sempre, vestidos a rigor. Se nos discos, os acordes de guitarra são delicados, ao vivo estes tornam-se mais pesados e fortes. No entanto, nunca perdem a harmonia sinfónica tão tipicamente portuguesa que os caracteriza, especialmente quando acompanhados por contra-baixo, saxofone e um baterista que, ao longo do concerto, conseguiu roubar as atenções do público com solos impressionantes.

Já passava das duas da manhã, mas ainda houve quem resistiu ao sono para ouvir The Parkinsons,  num espetáculo de punk rock em que não faltou energia. Para finalizar a noite, às 3h00, a dupla de DJs Cumbadélica pôs o público da Sala dos Fornos a dançar ao som de cúmbia.

Cada vez se torna mais importante apoiar projetos locais com cariz solidário como o Party Sleep Repeat, num panorama nacional em que os grandes festivais de verão atraem a grande maioria da atenção mediática.