Cultura

DIOGO PIÇARRA DEU ABRIGO AOS PORTUENSES

Diogo Piçarra visitou a sala Suggia da Casa da Música, no sábado, num concerto da digressão Abrigo, inspirada no último EP do músico. Foi uma noite intimista e diferente do registo habitual, em que Piçarra visitou todos os seus trabalhos até à data. Por Francisca Costa.

A Abrigo Tour é, até ao momento, a tour mais intimista de Diogo Piçarra. Após três anos de inúmeros concertos de grande dimensão por todo o país, incluindo os dois Coliseus, Piçarra decidiu despojar-se da parafernália de instrumentos e luzes e enveredar por um conceito de concertos mais intimistas alternativo ao que dele conhecemos.

Diogo Piçarra estava acompanhado no palco “apenas” pela sua voz e guitarra, e pelo pianista Francisco Aragão. O conceito gira à volta de uma espécie de iglu digital, que muda de luzes e cores consoante as canções. O artista, desde logo, mostrou ao que vinha: estar perto do público, interagindo com ele várias vezes, chegando mesmo a sair do palco e a percorrer a plateia, cumprimentando os fãs.

“Era uma Vez” e “Abrigo” abriram o espetáculo. O EP Abrigo, terceiro trabalho do cantor, editado em 2018, que emprestou o nome à digressão e que foi inteiramente composto, produzido e interpretado pelo músico, foi lançado, digitalmente, com o apoio visual de três videoclips interligados entre si.

Piçarra prosseguiu com “Já Não Falamos”, canção do seu segundo álbum, editado em 2017, DO=S. Esta foi a primeira canção verdadeiramente acompanhada pelo público, que a entoou do início ao fim, como viria a acontecer várias vezes daí em diante.

Seguiram-se duas canções feitas em colaboração com dois grandes amigos de Diogo Piçarra, Agir e Carolina Deslandes. A primeira, “Até ao Fim”, foi lançada em 2018, em parceria com Agir. A segunda, também lançada em 2018, “Respirar”, foi composta e interpretada por Carolina Deslandes e Agir. Ambos ausentes da sala da Casa da Música, tendo Piçarra assumido as responsabilidades vocais por inteiro.

“Verdadeiro”, do seu primeiro álbum, “Espelho”, editado em 2015, foi a canção seguinte e funcionou muito bem num espaço pequeno, por permanecer quase igual à original, mesmo quando despida de outros instrumentos. Foi outra favorita do público, que a sabia de cor.

 

O espetáculo continuou com “Dois”, canção mais pesada do que o normal em Diogo Piçarra e com o mesmo nome que o seu segundo álbum, e, ainda, com “Breve” e “Sopro”, do seu primeiro álbum.

De seguida, Piçarra entoou “Mágico” e “História”, duas canções de DO=S. “História”, segundo single do segundo álbum, mostrou ser também um favorito do público. Foi nesta canção que o cantor largou o palco e percorreu a audiência, comunicando de forma mais íntima – afinal, o objetivo principal desta tournée. “Vocês também fazem parte da minha história”, afirmou, quando regressou ao palco.

Seguiu-se um tributo a Chester Bennington, vocalista do grupo norte-americano de rock alternativo Linkin Park, que se suicidou em 2017. Foi a banda preferida de Diogo Piçarra durante a sua adolescência e uma das inspirações para seguir uma carreira musical, tendo até tatuado o rosto de Bennington, homenageando-o, uma vez mais, construindo um medley em que incluiu “Numb” e “In the End”, dois grandes sucessos desta banda.

Este medley fez parte de uma “dádiva” ao público, que o requisitou enormemente, sendo um momento do espetáculo aguardado com muita intensidade.

A seguir, “A Donde Vas”, composta e interpretada em colaboração com António José, cantor espanhol, é a sua mais recente canção. Foi a primeira atuação de José em Portugal e o público acolheu-o calorosamente. Esta colaboração poderá, ainda, ser indicadora de uma futura ligação mais forte a Espanha.

 

As três últimas canções do concerto (antes do encore) são dos seus maiores êxitos. “Tu e Eu”, primeiro single do primeiro álbum, foi a primeira a ser entoada, seguida por umas referências familiares a “Meu é Teu”, canção exclusiva da edição especial de Espelho e parceria com a cantora Isaura.

“Volta”, também de Espelho, e provavelmente, a canção mais emotiva de Piçarra, seguiu-se na setlist. Diogo Piçarra dirigiu-se ao público, explicando os motivos que o levaram a compô-la: a morte de uma amiga, e também a vontade de fazer uma canção de luto com que todos pudessem identificar se. Por fim, encerrou com “Dialeto”, primeiro single do segundo álbum e a canção de Piçarra com mais de 14 milhões de visualizações no Youtube.

Após vários minutos de aplausos e pedidos de encore, Piçarra voltou ao palco e interpretou “Só Existo Contigo” de DO=S (uma canção muito pessoal), “Trevo (tu)” e “Paraíso”. A energia da audiência atingiu o máximo quando começou a cantar “Trevo (tu)”, uma parceria com a dupla brasileira Anavitória, ainda antes de o próprio cantor começar o tema. E, efetivamente, quando começou, a plateia continuou a cantar por cima da sua voz, num dos momentos mais bonitos do espetáculo.

“Paraíso” fechou este concerto, assim como encerra o EP (as três músicas de Abrigo foram cantadas pela ordem dos videoclipes). Este novo projeto de Diogo Piçarra confirma ser realmente intimista e acolhedor. O público, que, na sua maioria, segue Piçarra há vários anos, sente-se mais próximo do cantor. Talvez funcione ainda melhor num auditório mais pequeno, mas cumpriu todos os objetivos e expectativas, numa sala de enorme prestígio, já esgotada há muitos meses.

Diogo Piçarra. Fotografia por Sara Cardoso.
Diogo Piçarra. Fotografia por Sara Cardoso.