Cultura

A BAQUETA CONVULSA DE ELI KESZLER NO GNRATION

O percussionista americano escolheu, na passada sexta feira, a cidade de Braga para apresentar “Stadium”, o mais recente projeto.

As portas da BlackBox abriram às 22h30, mas não foi até às 23h47 que o furacão Keszler varreu a sala. Uma bateria virtuosa arrebatou desde o mais leigo até ao mais inquisidor do público bracarense.

Certo é que o espetáculo foi algo difícil de decompor, tendo em conta que “Stadium” – lançado em 2018 – foi apresentado por atacado, praticamente sem pausas entre os temas.  O virtuosismo quasi epilético de Eli Keszler – que agrega no seu estilo jazz  eletrónica e música ambiente – advém de um ritmo rápido, cru e certeiro que cria na plateia uma sensação de velocidade e vertigem de cortar a respiração. Uma espécie de Whiplash  em modo “panning”.

Keszler domina anatomicamente a sua bateria: todo o kit foi explorado, pelo que os solos frenéticos de baqueta – tradicional, vassoura, etc. – foram sempre complementados com sintetizador e erupções sonoras. Desde badaladas techno, a farrapos de piano, pizzicatos aos flashes de música tipo sacra, o percussionista conseguiu milagrosamente integrar tudo no seu tempo.

Por outro lado, a luminotecnia foi essencial, acompanhando de forma perfeitamente equilibrada as oscilações do som, tanto através da mudança das cores (os vermelhos para os momentos mais gravosos, os azuis para secções mais livres) como pela intensidade dos focos. A interseção de quatro focos brancos enjaulando Keszler nos momentos-chave mostrou bem como o americano é além de músico, um exímio artista visual.

A apresentação do disco durou uma hora, pelo que a performance suada de Keszler foi recompensada por um aplauso consistente do público, sensato o suficiente para não exigir um encore

Por último referir que o GNRation, ao captar nomes como Eli Keszler (que segue em tour para Haia), mostrou mais uma vez a fama de templo do experimental a nível nacional, tendo contribuído inclusive para a nomeação de Braga como Capital das Media Arts pela UNESCO em 2018.