Cultura

VIVARIUM FESTIVAL: HÁ MÚSICA NO AR

O segundo dia do Vivarium Festival ficou marcado pela atuação musical de Elizabeth Brown no Ateneu Comercial do Porto. Por Inês Moura Pinto.

Elizabeth Brown é uma compositora estadunidense que rendeu o Ateneu Comercial do Porto à encenação teatral e musical “Bookmobile for Dreamers” que junta a sua habilidade com o instrumento theremin às animações projetadas, da autoria do seu marido Lothar Osterburg.

Em entrevista ao JUP, a artista confessa que descobriu a paixão pelo instrumento num documentário sobre o seu inventor, Lev Termen: “Eu adorei o som, era como a música na minha cabeça. Mas não sabia como podia arranjar um e, depois, fui a um concerto de um amigo e ele estava a tocar num e disse-me como arranjar um”.

“Eu simplesmente ouvi-o [theremin] e queria fazer aquele som”, Elizabeth Brown.

Sobre o funcionamento do instrumento, a compositora explica que existem duas antenas e que cada uma tem dois conjuntos de ondas de rádio circundantes: um conjunto é um tom [pitch] tão elevado como o de um apito para cães, inaudível ao ouvido humano; o segundo conjunto interage com o corpo do utilizador e a sua proximidade.

Segundo Elizabeth, o theremin funciona com a diferença na frequência entre essas duas ondas de rádio, uma para o tom [pitch] e uma para o volume. Quanto mais perto o corpo estiver da antena do tom [pitch], maior é o mesmo. Da mesma forma, quanto mais perto o corpo estiver da antena do volume, mais suave é o mesmo.

“Para tocar o theremin é preciso encontrar a primeira nota muito silenciosamente, é por isso que tenho o amplificador mesmo atrás do meu ouvido. Por que nunca está onde se pensa [a primeira nota], tens de encontrá-la e ressoá-la na tua cabeça e partes daí”.  A notação musical do theremin é comum à de qualquer outro instrumento, contudo, neste instrumento, “a música diz-te o que tocar, mas não como tocar”.

A artista considera incomum a aplicação do instrumento na música clássica, mas garante que muitas bandas de rock usam o theremin hoje em dia.

Sobre a projeção artística durante a sua atuação, Elizabeth afirmou que não há uma narrativa, mas sim uma “ideia de livros, ler, sonhar, aquilo que imaginamos, e também, o livro físico que é quase dispensável”.  A animação, da autoria do seu marido, e a peça musical de Elizabeth foram compostas em simultâneo numa abordagem à “nostalgia do livro físico e livrarias onde talvez se pudesse pesquisar e encontrar um livro por acaso, não um livro sugerido pela Amazon mas simplesmente descobrir algo acidentalmente e deixar a mente viajar”.

No fim do espetáculo, depois de uma longa ovação de pé, Elizabeth interrompeu os aplausos para convidar o público a tocar o instrumento invulgar e a compreender como funciona. A fila para experimentar chegou a meio da sala e toda gente saiu do Ateneu maravilhada.

O festival contou também com o workshop “Enraizar para Virtualizar” de Isabel Valverde que, mais tarde, deu uma performance participativa com a Senses Places nos Maus Hábitos. À noite, “Tempus Fugit” de Magna Ferreira foi o concerto que antecedeu Elizabeth Brown no Ateneu.

De volta à associação cultural, Jung In Jung apresentou “Poetic Corner(s)”, uma performance coreográfica que cruzou a tecnologia sonora com o movimento do corpo da artista. Para encerrar o dia, deu-se a primeira noite de Vivarium Clubbing nos Maus Hábitos com Bleid, YNK e Justine Emard, e Proc Fiskal.

O Vivarium Festival decorre até sábado numa segunda edição repleta de participações artísticas interdisciplinares.