Cultura

RITA REDSHOES E UM POUCO DA SUA HISTÓRIA NO DAR LETRA À MÚSICA

Rita Redshoes foi a protagonista da segunda sessão do DAR LETRA À MÚSICA de 2019 que aconteceu esta quinta-feira, dia 14 de março, e que teve lugar no Auditório do Museu do Futebol Clube do Porto. Por Mariana Vilas Boas.

Desta vez, Tito Couto e Jorge Oliveira abriram as portas do auditório do Museu do Futebol Clube do Porto à cantora e compositora Rita Redshoes. Como não podia deixar de ser, utilizaram o humor, a informalidade e a “palhaçada”, como a própria cantora denominou, para a deixarem confortável e não só dar letra à música, mas também à conversa que foi evoluindo.

Futebol, maternidade e Rock and Roll foram alguns dos muitos temas que os apresentadores e a cantora abordaram naquela que foi uma conversa-concerto descontraída, honesta e invadida por sorrisos.

Começou como baterista e depois roubou a banda ao irmão. Entretanto, virou teclista e mais tarde apostou numa carreira a solo contando já com quatro discos lançados, sendo o último intitulado de ROSA.

Após as humorísticas acusações dos apresentadores, dirigidas a Rita Redshoes acerca desta ter roubado a banda do irmão, a cantora e compositora conta o que realmente aconteceu. O seu irmão mais velho tinha uma daquelas típicas bandas de garagem com um grupo de amigos. Ela, grande fã de música e da banda do irmão, assistia a todos os ensaios. Acontece que num certo dia o vocalista adoeceu e não conseguiu ir ensaiar. A banda ficou sem cantor. A solução foi a Rita que, como assistia a todos os ensaios, sabia a letra de todas as músicas e rapidamente se adaptou à banda.

“De repente ele tinha a pirrada da irmã na banda” – Este foi o comentário que um dos apresentadores fez depois de Rita contar a história, ao que esta responde admitindo que o irmão nunca lhe confessou como se sentiu quando tal aconteceu, mas que acreditava que este tivesse ficado um pouco chateado. E a opinião dos pais? Sendo a banda constituída por amigos, “os pais conheciam os pais dos amigos” e a presença do irmão facilitou o processo.

Fotografia de Joana Jacques.
Fotografia de Joana Jacques.

Os pais nunca foram um obstáculo nem questionaram sequer as opções da cantora. Ela própria diz “Nunca me perguntaram «quando é que vais arranjar um emprego?»”, apesar de para muitos ainda ser uma profissão sem futuro “e sem presente às vezes”, afirma a artista, partilhando assim a opinião de que a música e o fazer dela vida ainda não é algo fácil.

Uma das opiniões partilhadas pela cantora foi a de que as pessoas mudaram a forma como consomem música. Consomem muito mais música a música do que discos. Apesar disso, ainda acredita muito no conceito álbum.

Tendo sido mãe há cerca de seis meses, a cantora falou um pouco da experiência que está a viver, confessando que “a vida de maternidade é uma vida exigente. Mais pesada que a vida do rock. A vida do rock é, na verdade, para betinhos.”. Rita Redshoes é uma grande fã de “dormir” e conta que quando viajava em digressão tinha muito mais tempo para o fazer: “Entrava na A1, adormecia e só acordava à porta do teatro quando me chamavam para fazer o ensaio para testar o som.”.

Ser mãe é “toda uma transformação muito grande para as mulheres”, afirma a cantora e compositora de origem lisboeta. Eis que os apresentadores Tito e Jorge fazem das suas e questionam-na sobre o que lhe custava mais: a filha ser portista ou ter sotaque madeirense, ao que ela responde com uma pitada de humor: “Ser portista, porque saber várias línguas é bom”.

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A sua carreira tem já algum tempo e a coleção de experiências e oportunidades permitiu que Rita Redshoes partilhasse alguns dos episódios mais caricatos que vivenciou. Um deles foi sobre um dia em que a cantora se encontrava muito descontraída no seu camarim e um homem entrou e fechou a porta. Pensou ela que este era um jornalista e que estava lá para lhe colocar algumas questões, como já tinha acontecido anteriormente. Nisto, o senhor questionou a cantora: “Tem noção do que está a fazer à sua vida?”, e insistiu nesta questão várias vezes, até que Rita Redshoes lhe responde: “Desculpe isto é uma entrevista? Não estou a perceber”, ao que o homem respondeu “Não, eu sou seu fã. A menina tem noção que esta a desperdiçar a sua vida ao andar por aí a dar concertos?”. Numa situação constrangedora e desconfortável para a cantora eis que o baterista da sua banda entra e esta pensa “Estou salva”. Não foi o que aconteceu. Este, distraído, não se apercebeu da situação e perguntou: “Vou buscar uma cerveja, queres uma?”. Vários foram os sinais que a cantora teve de fazer até que o colega percebesse que esta precisava de ajuda.

O crescimento da sua carreira sujeitou a cantora e compositora a uma maior exposição, o que a levou a passar por um processo de adaptação e procura de ferramentas para lidar com essa mesma exposição. “O segundo álbum traduz um pouco isso”, afirma Rita Redshoes. Daí a diferença entre o álbum “Golden Era” e “Lights and Darks” ser tão grande, foram fases e aprendizagens completamente distintas.

Lidar com as críticas nem sempre é fácil, sobretudo quando são negativas. Confrontada com esta questão, Rita Redshoes partilhou alguns episódios que viveu e afirmou: “Normalmente distribuo amor por quem me distribui ódio”. Partilha ainda uma filosofia pela qual orienta a sua vida. “Errar todos erramos, mas ao menos fizemos”. Uma das máximas que a cantora defende é o arriscar, o tentar.

“You came to this world to see what I’ve done” – The beginning song, Rita Redshoes. As pessoas foram até ao Museu do Futebol Clube do Porto ver o que Rita Redshoes tinha feito e mais do que isso, conheceram um pouco melhor a mulher por detrás da cantora e compositora que é.