Cultura

CAMERA NOS MAUS HÁBITOS: UMA VIAGEM A MEIO DA SEMANA

A banda que se aventura por krautrock, noise e rock psicadélico enfrentou o público dos Maus Hábitos na passada quarta-feira, deixando uma selvajaria de sons que explora todos os caminhos para a formação musical. Por Francisco Cardoso.

Poucos minutos depois das 22h30 da noite de quarta-feira, subiam ao palco da sala de concertos dos Maus Hábitos quatro músicos, que, depois dos primeiros sons, só teriam descanso uma hora e meia depois. O quarteto composto por sintetizadores, teclado, guitarra e percussão explora a sua música para fora de todos os cânones tradicionais, e para fora também das ideias que muitos têm daquilo que a música pode ser.

Camera, o grupo oriundo de Berlim, teve passagens por Aveiro, Lisboa e Leiria antes de aterrar na casa de Luís Salgado e Daniel Pires. O concerto no Porto encerrou a visita a Portugal para apresentar Emotional Detox, o trabalho mais recente, lançado em 2018.

Após uma longa introdução, a fazer lembrar um concerto de noise, introduz-se a percussão, também esta pouco ortodoxa, e é transmitida aquela familiar sensação de que primeiro se estranha, mas depois se entranha.

Surgem os sorrisos, e os pés começam a mexer na sala quase cheia do espaço de intervenção cultural. Começa assim uma viagem pela música experimental, passando pelo krautrock, sempre com presença do noise, formando um rock psicadélico que fascinou o público portuense. Sem pausas, apenas suaves e praticamente impercetíveis transições entre músicas, o grupo explorou, improvisou e apresentou toda a sua qualidade num concerto memorável.