Cultura

MIGUEL VIDAL: 25 ANOS DE SONHOS

De um conjunto de 300.000 originais, foram selecionadas 50 fotografias que se encontram em exposição no Centro Português de Fotografia (CPF) e marcam 25 anos de carreira do fotógrafo Miguel Vidal. Por Joana Novo.

Miguel Vidal (Pontevedra, 1968) é um fotógrafo autodidata que, na exposição “Soños”, reúne e organiza o seu trabalho artístico com o objetivo de criar pontes para a intimidade e para o ato individual de sonhar – e o que ele representa na nossa atual sociedade.

A cerimónia de inauguração, a 1 de março, contou com um discurso de boas-vindas por parte de Bernardino Castro, Diretor de Serviços do Centro Português de Fotografia (CPF), que cita a escritora espanhola Susana Fortes: “Dá-me um ponto de vista e construirei o prato necessário a tudo aquilo que é a emoção das coisas pequenas e das coisas grandes. Só assim se pode captar algo que não se sabe o que é, mas que está lá”. É através desta frase que somos convidados a partir em descoberta daquela que é a interpretação do mundo de sonhos de Miguel Vidal.

Numa amostra que beneficia da parceria entre o CPF e o Museo de Pontevedra, o artista demonstra a sua gratidão por expor o seu trabalho num edifício de relevo histórico, que, ao mesmo tempo, exerce uma grande carga emocional. As obras selecionadas encontram-se dispostas em três espaços distintos: Room 111, Meeting Point e The Farm. Vemos diversos locais onde a imaginação de Vidal dá forma às suas fotografias, dentre os quais uma quinta abandonada ou um hotel vazio, no meio de uma natureza que cria no espectador uma sensação de claustrofobia.

Em cada um dos diferentes espaços, testemunhamos a rutura com a realidade, ao vermos retratos de personagens em diferentes locais e ambientes inspirados nos sonhos de Miguel Vidal. Estes, carregados de fricção, mágoa e sufocamento, pretendem, segundo o artista, “levar cada um de nós a olhar para dentro”, e têm a força precisa para impactar o espectador nesse sentido.

Existe em “Soños” uma encenação por parte do fotógrafo, encenação esta que, no contexto em que se insere, é bem-vinda, já que as suas imagens correspondem a pedaços tão efémeros e inalcançáveis como a representação dos sonhos do artista.

A amostra permanecerá em exposição no CPF até 5 de maio de 2019.