Cultura

GREASE CHEGOU AO PORTO

Na fronteira entre a liberdade e a repressão, a exuberância dos anos 50 chegou ontem ao Coliseu Porto Ageas sob a forma de Grease – O Musical. O espetáculo tem hoje lotação esgotada. Por Álvaro Paralta.

Acendem-se as luzes. Entra a professora Lynch. Ouvem-se aplausos fortes, com a força de quem espera uma grande noite. Soam as primeiras notas de piano. A plateia silencia e sente-se a sala suspensa. “Tenho o enorme prazer de ser novamente a vossa anfitriã.” Assim começa o discurso da professora, introduzindo um novo ano no Liceu Rydell. Sente-se a atenção ao redor, a expetativa. Terminada esta introdução, inicia-se o primeiro momento musical da noite. “I solve my problems and I see the light” foram as primeiras palavras cantadas que se ouviram. Estava lançado o mote: a independência de adolescentes que resolvem os seus próprios problemas, a rebeldia de quem quer alcançar a luz, o inalcançável. “Grease is the time, is the place, is the motion”: mais do que uma frase cantada, é o resumo de um maravilhoso espetáculo, onde o público respira em sincronia com o elenco.

A conquista do público foi progressiva. A intensidade dos aplausos subia com o decorrer da noite. Dos cenários constavam elementos como um carro vermelho – o carro! –, a hamburgueria Burger Palace e o Rydell High School. Com estes e o elenco de 16 atores estavam reunidas as condições para voltar aos anos 50 e por lá ficar durante duas horas. E ficamos. Todos ficamos, suspensos e atentos a cada detalhe. O espetáculo foi dividido em duas partes, separadas por um intervalo de quinze minutos.

A alegria e as gargalhadas foram constantes. Durante o espetáculo, notou-se a euforia dos que não resistiram a acompanhar as músicas com movimentos, balançando ao ritmo do som e aplaudindo no compasso da melodia. A noite culminou com uma ovação em pé e viram-se as caras de quem acabara de viver uma noite enorme. Cantou-se ainda os parabéns aos aniversariantes do elenco, Diogo Morgado e Beatriz Barosa.

Grease trata da história de Danny e Sandy, que, depois de se conhecerem numas férias de verão e estarem algum tempo sem se verem, têm o seu reencontro no Rydell High School. O guião desenvolve-se a partir daqui. O que se sucederá entre eles?

O musical, que estreou na Invicta ontem, nasceu em Chicago, em 1971, e foi apresentado pela primeira vez em Brodway e Londres nos dois anos seguintes. Concebido por Jim Jacobs e Warren Casey, esteve em cena durante oito anos. Sete anos depois da sua apresentação, é realizado o filme Grease, sob direção de Randal Kleiser.

“Brilhantina” foi uma das palavras mais usadas pelo elenco de Grease, em entrevistas para a estreia da peça no Casino Estoril, em Lisboa. Mais do que uma palavra, trata-se de um conceito. E foi o que se constatou no Coliseu: são a exuberância, a rebeldia e o fascínio pelo desconhecido que compõem a linha condutora desta obra.

Do elenco fazem parte, como protagonistas, Diogo Morgado (Danny Zuko) e Mariana Marques Guedes (Sandy Olsson). Ainda podemos encontrar Ana Queirós (Jan), Beatriz Barosa (Frenchy), Carlota Bastos Carreira (Cha Cha), Catarina Siqueira (Patty), Diogo Faria (Kenickie), Diogo Velez, Emanuel Almeida (Eugene), João Guimarães (Roger), Joana Oliveira (Marty), Jorge Rosa, Luísa Salgueiro (Miss Lynch), Maria Sampaio (Betty Rizzo), Ricardo Trêpa e Samuel de Albuquerque (Doody). A encenação é de Paulo Sousa Costa, a direção musical de João Artur Guimarães e a coreografia de Vasco Alves.

A digressão nacional da Yellow Star Company iniciou em Lisboa e passou já por Albergaria-a-Velha, Anadia, Algarve e Setúbal. Chegaram ontem ao Porto, onde apresentarão também hoje, dia 18. Dia 31 deste mês estarão ainda no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Assim foi o Grease de outras gerações, eternizado por um elenco que deixou decerto marca em cada espetador, tanto nos que já conheciam a história como nos que a ficaram a conhecer.