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JUP RETROSPETIVA: OS MELHORES FILMES DE 2018

Com o fim do ano ao virar da esquina, o JUP faz um apanhado daqueles que foram os filmes mais marcantes de 2018. Por Cristiana Rodrigues, Inês Saraiva e João Malheiro.

Os dias passam a correr e nem sempre temos o tempo desejado para processar ou digerir tudo o que acontece ao nosso redor. As retrospetivas permitem analisar as coisas com mais calma. Elas ajudam-nos a construir as imagens mentais de mais um ano cheio de tonalidades distintas e a admirar o que de melhor ele nos ofereceu.

O JUP volta a aproveitar os últimos dias de dezembro para fazer essa retrospetiva. Olhamos hoje para aqueles que consideramos os melhores filmes de 2018. Hoje as nossas escolhas são estas. Amanhã podemos dar de caras com uma obra que nos vira do avesso e que nos obriga a reformular as nossas pequenas listas completamente. As retrospetivas têm destas coisas engraçadas.

Mas por agora fica a celebração. 2018 foi um ano cheio para o mundo da Cultura e 2019 já está aí à espreita.

Annihilation

Comecemos por um dos filmes menos mediáticos desta lista. Alex Garland, realizador e escritor, entrou em conflito com a Paramount e acabou por ver a sua obra ser distribuída pela Netflix, em vez das salas de cinema. Uma decisão quase ao nível de um crime.

E porquê? Porque Annihilation é um dos melhores filmes de terror e ficção científica deste século. A primeira prova é o seu elenco: Natalie Portman e Jennifer Jason Leigh dominam o ecrã e cativam as atenções, complementadas por Oscar Isaac, num papel secundário.

De seguida, temos o guião: a história oferece um mistério que nunca é esclarecido completamente, nem tem de o ser. O seu verdadeiro valor reside no suspense crescente e sufocante. O espectador começa a acompanhar as personagens numa espiral de paranóia, construída graças à força aterrorizante que a Natureza representa.

Existem duas cenas, em particular, que comprovam a mestria deste filme. Uma delas é o último terço do enredo, um espetáculo visual e sonoro de uma beleza tão perturbadora como surreal. São 12 minutos de cinema em estado puro.

Annihilation passou despercebido pela maioria. No entanto, é uma das peças essenciais de 2018.

BlacKkKlansman

Spike Lee é um dos veteranos da indústria do cinema, porém o realizador parecia incapaz de produzir um bom filme nos últimos anos.

A espera terminou. BlacKkKlansman é um filme em que as marcas características do cineasta funcionam lindamente. Uma biografia que aborda temas sérios, sem se privar de algum humor, o projeto é um espelho que permite à sociedade americana olhar bem para si.

Adam Driver continua a demonstrar a consistência do grande talento que possui. A ele junta-se John David Washington, filho do lendário Denzel Washington. O ator conta só com dois anos na indústria, suficientes para apresentar uma excelente interpretação, digna de nomeações para prémios.

Uma história do passado para provocar discussões sobre o presente, BlacKkKlansman é um dos indispensáveis de 2018.

The Ballad of Buster Scruggs

De regresso às ofertas da Netflix, este western dos irmãos Coen proporciona duas horas de ótimo entretenimento. Dividido em seis histórias de 15 minutos, num formato antológico, o filme não tem uma única fase má.

O primeiro conto, que empresta o nome ao projeto, é o equivalente a uma aventura musical do Deadpool. A paródia aos clichés do género em que se insere e a atuação de Tim Blake Nelson são hilariantes. É um bom aperitivo para o que vem a seguir.

A história que se segue, “Near Algodonis”, é protagonizada por James Franco, numa análise bem-humorada às surpresas da vida que parecem brincar com as pessoas. “All Gold Canyon” conta com Liam Neeson e Harry Melling no capítulo mais silencioso e sombrio do filme.

“All Gold Canyon” é a quarta parte, com Tom Waits no papel principal. Esta secção é a melhor do filme, graças a uma linda cinematografia e ao melhor enredo da coleção.

“The Gal Who Got Rattled” é, talvez, o ponto mais fraco, mas não deixa de ter valor e um ótimo clímax. Por fim, “The Mortal Remains” resume-se a cinco personagens a dialogar de forma divertida, se bem que existem significados mais profundos do que possa parecer.

Em suma, The Ballad of Buster Scruggs é um compêndio de genialidade dos Coen que nenhum cinéfilo pode deixar de parte.

Roma

Mais uma prova que o serviço de streaming teve um ano forte no cinema, Roma é a história parcialmente autobiográfica da infância de Alfonso Cuarón, o realizador.

O filme não é fácil. O diálogo em espanhol e um ritmo abaixo da azáfama visual dos dias de hoje, a preto e branco, constituem fatores que podem afastar alguns espectadores.

Todavia, quem der uma oportunidade a esta obra encontrará uma história sensível sobre a condição humana. A casualidade da vida é tratada com tanto realismo que, a certos momentos, o filme chega a parecer um documentário sobre o dia-a-dia de uma família mexicana.

Roma faz-nos refletir sobre a nossa existência e como esta pode ser dura, ter percalços inesperados, ironias desprezíveis e ternura em detalhes simples. Termos compaixão pelas personagens, que nos são estranhas ao início, é o grande mérito do filme.

Uma palavra para a cinematografia: Alfonso Cuarón apresenta uma mestria na sua técnica de filmagem, o que resulta num trabalho de excelência.

Esta é a grande aposta da Netflix para a época de prémios que se avizinha. Independentemente dos resultados alcançados, Roma será sempre uma obra-prima.

Avengers: Infinity War

Dispensa qualquer tipo de introduções. Este filme é o culminar de uma década de trabalho da Marvel na construção do seu universo cinematográfico.

Os Vingadores entraram, finalmente, em contacto com Thanos. O resultado é um épico de super-heróis que superou todas as expetativas dos fãs.

Os efeitos especiais são do mais alto nível. A realização consegue reunir um elenco gigantesco e, na sua maioria, dar tempo de antena suficiente a todos os intervenientes.

A ação é de uma escala elevada e executada com qualidade. O tempo de duração extenso do filme passa a voar, muito devido à tensão provocada pela incerteza do desenlace desta aventura.

Os atores fazem todos ótimas interpretações, com Robert Downey Jr., Chris Hemsworth e Tom Holland a terem um destaque particular. Depois temos ainda Josh Brolin. O filme rende-se à sua encarnação de Thanos, um vilão trágico e impiedoso que ficará para a história.

Infinity War é o auge da era dos super-heróis em Hollywood. Não só é o filme mais rentável do género, é também o mais ambicioso e, ao mesmo tempo, o que mais tinha a perder.

Não obstante, as circunstâncias certas alinharam-se e uma equipa recheada de talento criou um dos maiores marcos da cultura pop. Nunca ninguém se vai esquecer do que sentiu quando viu aquele final estonteante e os créditos surgiram. No fundo, é o objetivo que todos os filmes tentam alcançar. Infinity War conseguiu-o como nenhum outro em 2018.

João Malheiro

Eighth Grade

Ser adolescente não é fácil. É uma etapa complicada. Todos nós nos lembramos de ter 13 anos e achar que tudo era tão importante.

Kayla é uma rapariga de 13 anos que está na sua última semana de ensino médio a preparar-se para o liceu. É protagonizada por Elsie Fisher, com um realismo extremo, com borbulhas e tudo. Kayla não sofre de bullying nem nada que se pareça, apenas é uma rapariga calada e tímida que se esforça para conectar mais a nível social com os seus colegas. Para tal, usa o seu canal do YouTube com vlogs motivadores para se inspirar, apesar de dizer que pretende inspirar os outros. As temáticas dos seus vlogs estão harmoniosamente ligadas aos acontecimentos ao longo do filme.

É o realismo que caracteriza este filme de estreia do comediante Bo Brunham no mundo do cinema. Eighth Grade aborda, sem qualquer véu ou ornamentos, a adolescência da atualidade e como as redes socais têm um impacto enorme na vida e na perceção dos adolescentes do mundo e de si próprios, desde uma idade muito jovem. A linguagem do filme é tão bem adaptada à faixa etária que chega a ser embaraçoso.

A Star is Born

A história de A Star is Born não é desconhecida do mundo do cinema, sendo que a versão de 2018 é a 5º versão da mesma história. O filme original surgiu em 1937.  O planeamento começou há sete anos atrás e o processo de casting sofreu várias mudanças, acabando por ser filmado com a 5º escolha de ator principal masculino, que se revelou a escolha perfeita. Bradley Cooper  não só se estreou como diretor e argumentista, como protagonizou Jack. Ally foi protagonizada por Laday Gaga. Ambos criaram uma química palpável desde os primeiros momentos do drama musical, perfeito para uma típica comédia romântica.

A história acompanha Jackson Maine, um músico country, que encontra uma talentosa e desconhecida cantora, Ally. À medida que a carreira de Ally cresce, Jack batalha com a realidade da decandência da sua, buscando refúgio na bebida.

Por detrás do romance e das fantásticas composições originais do filme, como “Shallow”, onde Lady Gaga brilhou e Bradley Cooper surpreendeu, existe uma crítica subtil ao estado atual da indústria musical.

A Quiet Place

Casados na vida real, John Krasinski e Emily Blunt representam também no grande ecrã um casal. A Quiet Place é um thriller realizado por John Krasinski que mostra a vida de uma família num cenário pós-apocalíptico,  que vive em pleno silêncio, para sobreviver às criaturas que vivem escondidas no meio da floresta e que caçam através do som. A regra é simples: não fazer barulho. Mas é uma regra complicada.

Dentro do género de terror, é um ótimo filme, com vários momentos de suspense e até sustos para o espectador mais sensível. É de destacar que, ao contrário de muitos filmes dentro deste género, a narrativa não é desprezada. A história segue uma sequência lógica e coerente.

Para um título que apela ao silêncio, o som foi uma das peças fundamentais na edição do filme. Quer fosse a banda sonora ou elementos naturais, como sons da floresta, ou as frequências dos aparelhos de som de Regan Abbot, a filha. Todos foram elementos que contribuíram para o suspense.

Curiosamente, Milicent Simmonds, que interpreta a filha do casal, é surda na vida real, o que deu mais credibilidade ao filme e à sua atuação.

Bird Box

Este ano, no género de terror, a moda foi inibir as personagens de um dos sentidos ou função humana. Em A Quiet Place não podiam falar, em Bird Box não podem ver. Também aqui nos é apresentada a realidade de um mundo pós-apocalíptico.  No entanto, os dois filmes diferem na forma como criam o seu suspense e terror, sendo que em Bird Box este se baseia na emoção.

A protagonista, Malorie, uma mãe de dois filhos, interpretada por Sandra Bullock, vê-se obrigada a enfrentar os seus maiores medos de forma a protege-los. Estão constantemente a tentar sobreviver a “criaturas” não identificadas, e que nunca aparecem no ecrã. Caso cruzem o olhar com elas, mostram os maiores medos da pessoa e levam-na a cometer suicídio.

A atuação de Sandra Bullock é fenomenal, a sua personagem desconecta-se completamente das suas emoções de forma a lidar com os seus medos. Uma história que desafia o verdadeiro significado de amor maternal e maternidade em circunstâncias tão atrozes.

É de destacar o enorme simbolismo que está presente no filme e a sua reflexão sobre vários problemas atuais como a crise dos refugiados, o aquecimento global e a violência das armas.

Beautiful Boy

O filme do realizador belga Felix van Groeningen conta a história, com base em testemunhos verídicos, de uma relação entre um pai e o seu filho toxicodependente. O pai, Dave Sheff, é interpretado por Steve Carell e o filho, Nic Sheff, por Timothée Chalamet, que se tem revelado no mundo do cinema em filmes como Call Me By Your Name. 

O drama é um retrato de um amor profundo e comovente, que sobrevive a uma montanha russa de tentativas de recuperação e recaídas. Um amor de família inabalável e de compromisso face ao vício do filho.

É esse o foco do filme: a família. Quem convive com a dor e não quem vive com ela. Não é uma história egocêntrica e muito menos de superação.

O filme ganha peso emocional pela história e pela forma como foi editado. Baseia-se nos livros de memoirs de David Sheff, que dá o título ao filme, Beautiful Boy: A Father’s Journey Through His Son’s Addiction, e de Nic Sheff, Tweak: Growing Up on Methamphetamines.

Cristiana Rodrigues

Black Panther

Black Panther primou pela diversidade e originalidade. Num filme que promove a igualdade de género e repugna a discriminação, Black Panther salta dos quadradinhos para o grande ecrã numa produção excecional.

Black Panther é a primeira produção do universo da Marvel com um super-herói de descendência africana. O filme retrata a história de T’Challa (Chadwick Boseman), o sucessor ao trono de Wakanda, um país africano fictício que esconde um grande segredo. Por detrás do totalitarismo e militarismo sob os quais o país se veste, esconde-se uma sociedade altamente tecnológica e inovadora, das mais avançadas do planeta, fruto da existência de um metal poderosíssimo que permitiu toda a evolução.

T’Challa depara-se com um dilema que atravessa toda a história: deverá proteger o povo ao seu encargo e manter escondido do mundo o avanço tecnológico da sociedade em que vive, ou deverá antes partilhar com o mundo todo o conhecimento tecnológico que o país adquiriu e ajudar os mais necessitados?

Black Panther, com um elenco maioritariamente constituído por atores negros, transporta-nos para o universo africano, com cenários e planos quentes, de cores vivas e vibrantes, com um ambiente tribal e um enquadramento original e realista. Paradoxalmente, somos expostos a um terceiro mundo diferente do que estamos habituados: ao mesmo tempo que vivenciamos um super-herói com um lado muito humano e não apenas centrado em poderes, o filme alia o lado tecnológico e futurista aos cenários africanos, o que o torna diversificado e interessantíssimo.

Bohemian Rhapsody

Como o nome deixa escapar, Bohemian Rhapsody é nada mais nada menos do que um filme sobre a banda Queen. A música “Bohemian Rhapsody” foi considerada um dos maiores êxitos da banda da década de 70, pela sua estrutura bastante inovadora: não tem refrão e mistura rock, hard rock e ópera em cinco minutos e cinquenta segundos de duração.

O filme é uma espécie de biografia, no formato cinematográfico, de Freddie Mercury, vocalista dos Queen, e da constituição da banda. O roteiro, escrito por Anthony McCarten, não é totalmente fiel à realidade, e o roteirista toma alguma liberdade na história, nomeadamente no que diz respeito à natureza da relação de Freddie com a família. Contudo, isso não é um obstáculo ao espetáculo que é Bohemian Rhapsody como um todo.

O filme tem como principal narrativa a transformação de Farrokh Bulsara (nome verdadeiro do vocalista dos Queen) em Freddie Mercury, e toda a intensidade e criatividade que o caracterizavam, ao ponto de se descolar totalmente da pessoa que era anteriormente à banda. Freddie Mercury era realmente um artista extraordinário, mas o filme mostra como ele conseguia ser ainda melhor junto dos companheiros Brian May, Roger Taylor e John Deacon, que formavam a banda.

Bohemian Rhapsody encontra os melhores momentos quando é posta na tela a vibração e ousadia dos Queen, nomeadamente na sequência final da história. O filme termina com o espetáculo no Live Aid, em 1985. Neste concerto final, estão potencializados todos os aspetos que fazem de Bohemian Rhapsody um filme excecional: a caracterização fiel das personagens, ou seja, dos membros da banda; os cenários da década de 70 e a performance de Rami Malek, ator que interpreta Freddie Mercury e incorpora a personagem de forma eletrizante.

Bohemian Rhapsody é realmente um dos melhores filmes de 2018, a não perder.

The Incredibles 2

Para quebrar um pouco a onda de filmes inanimados que o JUP tem apresentado, falamos agora de um filme de animação, e um dos melhores do ano. The Incredibles 2 (em português, The Incredibles 2: Os Super-Heróis), foi provavelmente a sequela Pixar mais aguardada pelos jovens adultos em 2018. Após 14 anos de espera, a família de super-heróis mais incrível regressa ao grande ecrã, com a Elastigirl (Mulher Elástica) em destaque.

Na sequela de The Incredibles, é à volta da mãe, Helen Parr (Helena Pera, em português) que gira a narrativa principal. O governo baniu os super-heróis e a família Parr tem agora que voltar à vida quotidiana de uma pessoa normal. No entanto, uma empresa convida Helen para se juntar a eles numa missão de tornar os super-heróis legais outra vez. A irmã do diretor da empresa, contudo, tem o objetivo de fazer completamente o contrário e arranja um estratagema futurista e tecnológico para controlar Elastigirl e atingir o seu objetivo.

No meio disto tudo, Bob Parr (Mr. Incredible) fica em casa a tomar conta das crianças enquanto a mulher trabalha para salvar o mundo dos super-heróis. Bob aprende a lidar com os problemas dos filhos: Jack-Jack, o bebé da família, revela a multiplicidade de poderes que possui (entre eles, atravessar paredes e dimensões, alterar o seu tamanho, e emitir raios laser com os olhos); Violet (Violeta), a irmã mais velha, está na fase da adolescência em que surgem as primeiras crises amorosas, e Flash (Flecha) é o miúdo hiperativo que desespera com exercícios de Matemática que não compreende. Por se considerar o melhor super-herói de todos os tempos, Bob não acha ser assim tão difícil lidar com os dilemas dos filhos, pelo que é interessante ver como se desenrasca no papel de pai presente.

Com muitos momentos de comédia, esta animação é um exemplo de desconstrução de estereótipos e de afirmação das mulheres no mundo dos desenhos animados, pelo que aborda o tema essencial da importância da mulher na sociedade, e na própria expressão e afirmação através do trabalho. É fascinante como The Incredibles 2 consegue ser uma chapada de luva branca no mundo de machismo em que ainda vivemos e enaltecer ao máximo a igualdade entre géneros através da seguinte máxima: uma mulher consegue ser tão boa ou melhor do que um homem no mesmo tipo de trabalho; tem é de lhe ser dada a oportunidade de o mostrar e o devido reconhecimento e destaque.

Vale realmente a pena ver esta longa-metragem da Pixar, não só pela nostalgia que traz devido às memórias do primeiro filme, mas pela importância dos temas que aborda. É fulcral que as crianças de hoje em dia percebam o significado de feminismo e todas as questões envolventes.

Widows

Do mesmo realizador de 12 Years a Slave, Steve McQueen, Widows (“Viúvas”, em português) é o thriller dramático que inicia com a fuga de quatro assaltantes da polícia, até serem mortos numa explosão em Chicago, deixando as esposas viúvas e o dinheiro roubado destruído.

Uma das viúvas, Veronica (Viola Davis) recebe a visita inesperada de Jamal Manning (Brian Tyree Henry), dono do dinheiro, que lhe atribui a dívida do marido, dando-lhe o prazo de um mês para a pagar. Veronica encontra um caderno do marido, Harry (Liam Neeson), que contém informações relativamente ao assalto seguinte que o gangue planeava. Tendo em conta a dívida, Veronica junta-se às restantes viúvas, e as quatro decidem concretizar o plano de Harry num novo assalto.

A película torna-se interessante devido ao grande destaque dado às mulheres e, sobretudo, à busca de independência por parte das viúvas. Elas tomam as rédeas das suas vidas e trilham um caminho perigoso e improvável mas interessante, que foi possível apenas porque perderam os maridos.

Um ponto que o filme explorou bastante bem também foi a questão da representatividade de minorias da população, nomeadamente vítimas de violência tais como pessoas de descendência latina, e o conflito dos homens negros com os homens brancos que governam a cidade.

Um aspeto menos a favor do filme, que é também importante ressalvar, reside na fraca credibilidade do facto de quatro mulheres que nunca roubaram ninguém conseguirem concretizar um assalto de grandes proporções e planeamento na primeira tentativa.

Contudo, o filme prima pela ótima prestação do elenco e pela história que toca o espectador de uma forma mais sensível. Os cenários são o ponto-chave de toda a parte visual, devido à riqueza de elementos e boa construção visual. Vale totalmente a pena ver.

Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

Para terminar esta seleção do JUP em grande, eis um filme do universo fantástico do tão adorado Harry Potter. Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald é a sequela de Fantastic Beasts and Where to Find Them, onde vimos as aventuras do magizoologista Newt Scamander.

Nesta sequela, Scamander é recrutado por Albus Dumbledore, o antigo professor na escola de feitiçaria de Hogwarts, para enfrentar Gellert Grindelwald, considerado um dos mais poderosos feiticeiros de todos os tempos.

Grindelwald fugiu da prisão, e pretende reunir feiticeiros de todo o mundo e constituir uma espécie de exército mágico para dominar os muggles, ou seja, a população que não é mágica nem nasceu com poderes, como já tinha prometido quando foi capturado pelo MACUSA (Magical Congress of the United States) no final do primeiro filme.

O filme é repleto de aventura e cenários realmente mágicos, que nos transportam de novo aos filmes da saga Harry Potter, sob a forma de prequela, antes dos tempos de Potter em Hogwarts a combater o poderosíssimo Lord Voldemort. Também Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald é uma obra cinematográfica que se baseia nos livros de J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter e de Fantastic Beasts and Where to Find Them.

O elenco inclui Eddie Redmayne (Newt Scamander), Katherine Waterston (Tina Goldstein), Callum Turner (Theseus Scamander), Dan Fogler (Jacob Kowalski), Zoë Kravitz (Leta Lestrange), Jude Law (Albus Dumbledore) e Johnny Depp (Gellert Grindelwald).

A película tem efeitos especiais que condizem com toda a narrativa, não envolvesse a história magia e monstros fantásticos. É emocionante perceber toda a história por detrás dos livros escritos por J. K. Rowling, que nos dá um background sobre o mundo mágico e Hogwarts antes de sequer existir Harry Potter. Vale realmente a pena, nem que seja por toda a fantasia e aventura que deliciam qualquer um!

Inês Saraiva