Cultura

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA? NÃO, VERDADE E CONSEQUÊNCIA

Foi esta quinta-feira, dia 6, que Verdade ou Consequência chegou ao Teatro Nacional São João, e não poderia ter estreado de melhor forma. Com a plateia praticamente cheia, esta peça leva a audiência a entrar no jogo e esta é levada para o centro do espetáculo - literalmente. Por Mariana Vilas Boas.

Em Verdade ou Consequência, dirigida por Gonçalo Amorim e o Teatro Experimental do Porto, o público é colocado no meio e toda a peça acontece em seu redor, cercado por um complexo e singular cenário.

Coloridos, extravagantes e criativos são os pequenos ambientes que nos circundam e trazem os atores até nós, das máscaras coloridamente expressivas à tenda pendurada na parede ou às plantas dentro das sapatilhas e muitos outros elementos que captam a nossa atenção.

A roleta roda, uma nova frase é anunciada e um novo ator entra em cena para pôr a plateia pensar e decifrar a mensagem que tem para transmitir. Frases como: “o que ensina a água é a sede”, “a natureza é uma ruína” e “só o sol não tem sombra” são o mote para uma nova ação. Ao longo dos primeiros minutos estas são as únicas palavras que ouvimos, em voz off. Tudo o resto são ações.

Com o decorrer da peça, a interação com o público é maior e a proximidade aumenta até que, sem se aperceber, o público está também ele a participar no espetáculo: acabam sentados lado a lado com os protagonistas. Assim, todo o espetáculo é um diálogo que os atores vão criando connosco e que se vai tornando cada vez mais íntimo e informal.

A mensagem que pretende ser passada é bastante clara. “Andamos a correr numa maratona onde já perdemos o tiro de partida”. Nós, a Natureza e o futuro são os temas centrais desta peça que, os atores, através da ironia e da ridicularização, induzem a plateia a perceber que não é “Verdade ou Consequência”. É “Verdade e Consequência”.

Valores humanos como a sinceridade, o respeito pelo outro, assim como pela Natureza, o consumismo e a indecisão constante do ser humano são evidenciados no decorrer da peça para sensibilizar os espetadores sobre as principais problemáticas com as quais somos confrontados e as que no futuro vão surgir.

Um espetáculo que mistura fogo de artifício com arte circense, a natureza com as novas tecnologias e que traz à tona os assuntos centrais da humanidade. Um espetáculo que desperta a curiosidade, faz pensar e no final concluir que todos sabemos a verdade, mas andamos a fugir da consequência. O problema é que não existe um “ou”, mas antes um “e” a separar estas duas palavras.

É como dizem os atores: “enquanto baste é o que é”. Se para ti basta, Verdade ou Consequência vai estar pelo Porto até o dia 16 de dezembro. Os espetáculos sobem a palco às quartas e sábados pelas 19h00 e às quintas e sextas às 21h00.