Cultura

SENHORA PRESIDENTA PROJETA CURTA DE SKATE

A projeção do filme Pessoal Beto Em Sítios Chungas, da autoria de João Castela e Luís Moreira, encheu a galeria de arte Senhora Presidenta, na passada quinta-feira. Por Joana Novo.

Na iniciativa de exibir curtas-metragens numa parede branca de transição entre exposições, a Senhora Presidenta, galeria de arte no Porto, apresentou, no dia 6, o trabalho mais recente de João Castela e Luís Moreira.

Não será a primeira vez que os dois fazem um vídeo. Ou uma curta-metragem. Ou, como explicam à galeria cheia de pessoas – uns, encolhidos em cadeiras; outros, no chão e ainda a todos os que ficaram a ver de fora pelas janelas de vidro – um filme sobre skate.

Pessoal Beto Em Sítios Chungas surge, apesar disso, de uma motivação diferente quanto a tudo aquilo que o duo fez até agora, de uma vontade de dar a cara e construir a personagem de quem cai do skate e volta a pôr-se de pé. Isto porque, se é verdade que vemos a técnica de um grupo de jovens que faz do skate um estilo de vida, vemos também a história e a pessoa por detrás dela.

Em agosto do ano passado, juntámos um grupo de nove miúdos com skates e uma carrinha, e arrancámos do Porto em direcção aos Balcãs à procura de sítios para andar de skate, sem nenhum destino concreto. Em 15 dias, atravessámos Espanha, França, Itália, Eslovénia, Croácia, Bósnia e Sérvia e voltámos a casa. Entretanto fizemos um filme com o que se foi passando.

Todo o filme é pensado e há uma clara intenção narrativa que percorre a curta inteira. Por outro lado, é talvez porque o grupo apresentado no ecrã já se conhece e quem grava sabe exatamente que reação vai obter (e o quão esta é preciosa) que a sensação de familiaridade dos pequenos apontamentos registados nos é tão marcada e óbvia quanto isso.

É nos pormenores como a luz ou a forma como cada edifício é enquadrado que vemos o perfil de Castela e Moreira, ambos ligados à fotografia. Pensado ou não, não é de surpreender que as imagens que entregam ao público estejam dotadas de uma composição e beleza que quem tem bom olho repara naquilo que o rodeia.

Num documentário que narra a viagem de um grupo de skaters desde o Porto até os Balcãs, e, num período de gravação tão escasso como quinze dias, a curta leva-nos de cidade em cidade por estradas e ruas sem nenhum aparente destino concreto.

Vemos o grupo a ser expulso de praças, jardins, entradas de lojas; a acampar ilegalmente, a dormir perto do mar e a partir repetidamente vários skates: tudo isto enquanto a plateia se ri, comenta para o lado cada queda e a sala enche-se progressivamente de sorrisos tenros que parecem ter já vivido tudo aquilo num outro verão que não aquele.