Cultura

UMA NOVA DOSE DE ARTE: REDEFINIR O ACESSO À CULTURA

A dose é uma revista que emerge num tempo e espaço onde o acesso à arte já não se confina nas quatro paredes de um museu e pode estar ao mero alcance de uma tabacaria para qualquer interessado. Por Mariana Amado.

Na passada quinta-feira, dia 22, foi apresentada a primeira edição da revista dose, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP).

Lançada em setembro deste ano, conta com a contribuição de Alina Koshova, Joana Ribeiro, Maria João Ferreira, Mariana Rocha, Mariya Nesvyetaylo, Manuel Tainha, Manuel Queiró, Mauro Ventura, Nelson Duarte, Nuno Vieira, Sara Mealha e Rafael Silva.

O projecto é da autoria de quatro jovens artistas – três oriundas do Norte e uma da Figueira da Foz – que se encontraram na cidade do Porto no seu percurso de estudos académicos. Margarida Oliveira (23), Mariana Rebola (23) e Maria Miguel von Hafe (23) licenciaram-se em Pintura pela FBAUP e Cristina Oliveira (23) é licenciada em Comunicação pela Universidade do Porto.

Margarida Oliveira e Maria Miguel Von Hafe explicam, numa entrevista ao JUP, o desejo de estabelecer o seu “produto” como uma marca que procura ir além do que já foi feito no ramo. No estrangeiro, o conceito de revista renasceu para agora se estabelecer como uma das maiores fontes de trabalhos de artistas emergentes no ramo, sobre o formato impresso, algo peculiar para o contemporâneo que estabelece o seu cognome como “era digital”.

O conceito para a revista é simples: artistas que estejam interessados podem entrar em contacto com qualquer uma das criadoras; não há temas nem especificidades, o único requisito é que o trabalho do artista em questão ainda não tenha sido exposto ao público, mas abrangem-se trabalhos que tenha arredados ou que possam criar especificamente para a revista. Por edição, uma cor é selecionada, e todo o trabalho da resma de artistas integrantes nesta tem que seguir essa condicionante, sendo que a cor selecionada para a primeira edição foi uma escolha clássica, o preto. Estas condicionantes não são vistas pelas editoras como limitações, mas sim “guias”, onde o artista trabalha com e através de.

Além da revista física, a dose também conta com uma plataforma online, que as autoras visam estabelecer não apenas como a revista em formato digital, mas como “uma rede” que leve a dose para um outro formato, onde não há a limitação do objecto que é a revista. Desta maneira, os artistas têm o desafio e a oportunidade de trabalhar com uma paleta de media, como som, imagem e vídeo, para criação de conteúdo.

A segunda edição será lançada em maio no espaço Manifesto, em Matosinhos. Actualmente, a dose está disponível para venda no Grande Porto na Temporada, no Ink, no Manifesto, na Rua do Sol e na Matéria Prima, sendo também distribuída no sul do país.