Cultura

A ODISSEIA DIABO NA CRUZ QUE FEZ TREMER O COLISEU

A banda do rock mais popular de Portugal apresentou ontem “Lebre”, álbum lançado este ano, no Coliseu do Porto. Por Inês Anjos.
Eram 22h05 quando as luzes do Coliseu se apagaram para deixar entrar a cavalaria de Diabo na Cruz. Depois de Lisboa, foi a vez de o Porto ser presenteado com a apresentação de Lebre, lançado no passado outubro e com produção de Bernardo Barata e Pedro Gerardo.

Após dois anos sem concertos, a expectativa do público parecia incomensurável, a medir pela excitação da plateia. Mal Jorge Cruz e a banda pisaram o palco, ninguém parou até baterem as 00h00 do dia seguinte.

Lebre foi totalmente percorrido e, como já era esperado, “Forte” foi o hino de abertura, recolhendo um público a cantar em uníssono e a aplaudir com igual intensidade. Seguiu-se uma “Procissão” e um “Roque da Casa” com igual adesão e consistência.

Entre “200 Mil Horas” e “Ganhar o Dia”, houve tempo para uma percussão vibrante dos irmãos Pinheiro e um solo de braguesa do portuense Sérgio Pires (instrumentos que se destacaram várias outras vezes durante o concerto).

Seguido de “Dona Ligeirinha” e “Os Loucos Estão Certos”, temas antigos de Virou! (2009), veio, sentidamente, “Terra Natal” e “Siga, A Rusga” (2012), não fosse a audiência ter tempo para descansar de tantos pulos e palmas.

As luzes vermelhas marcaram “Terra Ardida”, procedida de “Malhão 3.0” e “Lenga Lenga”, um cover dos Gaiteiros de Lisboa já habitual noutros concertos.

Depois foi “Vida de Estrada” e “Montanha-Mãe”, regressando às sonoridades de Lebre, sendo que o concerto “terminou” com “Portugal”, última faixa do álbum.

Aplausos vigorosos e assobios do público extasiado pediram um encore à medida. E claro, os Diabo deram. Foi tempo de ouvir “Luzia”, de rodar as “Saias”, de cantar “Chegaram os Santos” e de nos emocionarmos com “Balada” e “Fronteira”.

“Ó ai meu bem, ó i ó ai”, cantava o público, acompanhando um “ai é tão lindo” que pôs Jorge Cruz e banda emocionados com a dedicação do público da Invicta. Até um comboio houve num “Corridinho”, que não foi de verão mas foi inverno e que aqueceu o Coliseu na noite de chuva de 22 de novembro.

“E salta Diabo, e salta Diabo, olé, olé” gritava a audiência que depois de dois encores lá deixou os Diabo terminarem o concerto por volta da meia noite.

Mal as luzes se ligaram o público dispersou para a banca do merchandising e para marcar lugar na fila para os autógrafos no foyer do Coliseu.

Uma década de concertos ao vivo e cinco álbuns originais são prova da consistência do roque popular dos Diabo na Cruz. O Norte esteve em peso no Coliseu do Porto, numa noite em que se ouviram vários sotaques e se misturaram várias idades, caras e sentimentos. Lebre é uma consolidação de uma banda “com as vigas bem fundadas” nas raízes da música portuguesa.

As expectativas eram altas e foram altamente correspondidas. A festa foi do Diabo, sim senhor.