Cultura

FRANCISCO, EL HOMBRE: ‘SOLTASBRUXA’ NA CASA DA MÚSICA

Na passada sexta-feira, o grupo agitou a plateia portuense, num encontro marcado para as 23:30 horas. Dor, vontade e resistência foram motes na festa de libertação que iniciou a Tour Europa da banda.

Eles cobrem o conservadorismo de purpurinas e o preconceito de lantejoulas, e acabam de chegar à Europa. A tour estreou no Porto, seguiu para a capital e atravessou a fronteira para mais três concertos em Espanha.

Francisco, el hombre subiram ao palco para encontrar uma plateia ansiosa por os ouvir. Em conjunto, despiram os constrangimentos e fizeram o calor da rua sentir-se dentro da sala. Sem nunca deixar cair o peso da dor de viver no contexto socio-politico atual, abriram espaço na plateia e deixaram que todos e todas soltassem a bruxa. Lembrando um ritual de libertação, o público desconectou-se das normas do quotidiano para, naquele espaço, viver em união e partilhar emoções.

A banda, formada em 2013 e composta pelos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte e pelos brasileiros Juliana Strassacapa, Andrei Kozyreff e Rafael Gomes, trás o nomadismo, a transgressão identitária e a multiculturalidade para o espetáculo e apresenta-se numa performance intima e muito energética. Cantam e dançam contra o conservadorismo, contra a formatação social e o conformismo no quotidiano, e fazem-no numa performance-viagem juntamente com o público. Uma viagem pelo bolso dele, unificadora e catártica, que questiona o papel do ser humano no mundo contemporâneo e corrige mitos (‘tá com dólar, tá com deus’).

Chegaram ao Porto e cá deixaram a força latino-americana. Hibridizaram o samba com ritmos hispânicos e instrumentos elétricos. Ainda assim, é fluido o discurso que têm entre eletrónico e acústico. Na Casa da Música, o espetáculo transcendeu expetativas. O penteado, a maquilhagem e as roupas de Mateo transgrediam um código, que se tornou linguagem. A banda deu as mãos, juntou-se ao público e cantou sobre identidade e sobre violência de género, sobre cultura e sobre lar. Em conjunto aceitaram que tudo deve mudar, e gritaram, correram e pularam. Sair do chão era o mote para uma festa com dor, com emoção, em constante lembrete de que nada mudou ainda e de que essa é a razão porque cantam.

E para quem perdeu o momento ou quer relembrá-lo, o JUP preparou um video-resumo do espetáculo.