Cultura

COLISEU TREME COM REGGAE DE NATIRUTS

A banda brasileira apresentou o seu último trabalho Índigo Cristal. Rael ajudou a abrir a noite mas foi o "reggae power" que conquistou o Coliseu. Por Darcielle Costa.

Na passada terça-feira, os Natiruts regressaram à Invicta – após tocarem na primeira edição do North Music Festival, em 2017 – e passaram pelo Coliseu do Porto, penúltimo destino da tour europeia, para a apresentação do seu trabalho mais recente, Índigo Cristal.

Ainda de cortinas fechadas, o rapper brasileiro Rael, que tem acompanhado a banda na tour, abriu a noite. O artista não se conteve e disse que estava “triste porque o Brasil elegeu um presidente fascista”, sendo confrontado com reações mistas por parte do público. Ainda assim, a sua atuação foi pontuada por vários sucessos; “Envolvidão”, um dos mais recentes hits, encerrou a performance em estilo, e ainda houve tempo para uma foto de grupo.

Ainda faltavam 15 minutos para a entrada em cena da principal atração da noite, e as bandeiras brasileiras já se encontravam estendidas. O Coliseu estava cheio, e uma das muitas ansiosas pelo concerto era Ana Oliveira, que é oriunda da mesma cidade que o grupo. Ana fez-se acompanhar da sua filha Beatriz; presença assídua em todos os concertos que a banda dá em Portugal, diz sair “de alma lavada” sempre que os vê atuar.

Abrem-se as cortinas e o público começa a fazer-se ouvir. Filmados por todos os cantos, os membros da banda começam a entrar, um por um. Mas foi quando o vocalista Alexandre Carlo cumprimentou o público e agarrou o microfone que os maiores aplausos foram arrancados e o reggae power se instalou, ao som de “Na Positiva”. Temas mais antigos, como “O Carcará e a Rosa”, “Quero Ser Feliz” e “Um Presente de um Beija Flor”, também foram bem recebidos e de uma assentada colocaram o público a dançar.

Denny Conceição tocou um solo de percussão durante “Caminhando Eu Vou” e ajudou a dar continuidade à festa. Perante grandes ovações, a primeira parte do concerto fechou com “Deriram” – um dos dois singles que a banda lançou no início do mês, extraído do álbum I Love – e “Você Me Encantou Demais”. Alexandre Carlo, encantado com a receção calorosa, pediu palmas conjuntas ao ritmo da música, e sorria enquanto a música terminava.

Carlo saiu por breves momentos, e, quando voltou, as luzes do palco haviam adquirido um tom intimista e suave. Depois de serem apresentadas as vocalistas do grupo, seguiram-se temas mais calmos, e com uma mensagem social bem sublinhada – tais como “Serei Luz”, “Glamour Tropical”, Em Paz” e “Nossa Missão”. Mas, assim que a batida de “Meu Reggae é Roots” entrou, o público levantou-se e, com euforia, começou a acompanhar a música.

“Está tudo bem cidade do Porto?”, pergunta Alexandre. Após a reação eufórica do público, começa “Andei Só” e os camarotes tornam-se verdadeiros dance floors. De maneira a recuperar o fôlego, o vocalista relembra que o novo álbum sai a 9 de Novembro, contando com ritmos mais diversificados como o dancehall e influências de sons da América Latina, prosseguindo com o “Hoje Eu Quero Ouvir” – um dos singles lançados.

Kiko Peres, guitarrista, rouba a cena. Vestindo calças boca-de-sino e com a cara de um índio estampado na camisola, encanta o Coliseu com o seu solo. Pouco depois entra Alexandre Carlo e pede ao público que abane as mãos, dando início a “Espero que um dia”, seguido por “Deixa o Menino Jogar” e “Palmares”. Após momentos mais calmos e forte contribuição da guitarra acústica, Natiruts volta a mais um clássico. “Quem planta preconceito, racismo, diferença, não pode reclamar da violência” era a mensagem escrita na t-shirt de um fã que gritava as letras de “Liberdade Pra Dentro da Cabeça” de olhos fechados. Outro fã levantava a bandeira brasileira várias vezes até que o fotógrafo conseguisse a foto perfeita. Pouco depois, a banda pede ao público que cante o refrão sem acompanhamento e sorri ao ver a felicidade dos fãs por cantarem a música.

Seguem-se os temas “Caraíva”, “Naticongo” e “Groove Bom” que tem mais influência no estilo reggae rootsreggae fusion e utiliza instrumentos e timbres africanos. A banda começa a tocar “Reggae Power”, interrompendo durante alguns segundos para permitir ao vocalista dizer que só canta “quando todas as mãos estiverem no ar”, tornando o Coliseu numa onda de mãos. A apresentação deste tema contou com a interação entre a banda e o público: primeiro, com o público a completar a letra da música sempre que o Alexandre não cantava para o microfone e, por último, quando a banda começa a saltar no palco e pede ao público para fazer o mesmo. No fim, a banda recebeu o mais alto aplauso da noite.

Após fazer Coliseu tremer, as luzes desligam-se e a banda sai do palco. O público ainda não tinha terminado de bater as palmas e começa a chamar a banda – “Natiruts, Natiruts, Natiruts!”. Ao som dos gritos incessantes do público, a banda volta a entrar. O vocalista agradece pelo sucesso e saúda quem acredita que “a música faz bem e melhora tudo na vida”. Com esta mensagem segue-se “Dois Planetas”, tema calmo mas que carrega das mensagens mais pesadas. Vêem-se fãs de olhos fechados, fãs sorridentes e fãs a balancear enquanto cantam a letra da música. “Só queria dizer obrigado” é uma das frases que o público mais cantava e que findou a música.

“Para um cara ser feliz tem que sorrir” diz Alexandre Carlo, introduzindo o último tema da noite. “Sorri Sou Rei”, um dos grandes sucessos da banda, tem origem acústica, conta o vocalista. Ainda adiciona que “o violão é o instrumento que une todo o mundo”. Durante o refrão o Coliseu encheu-se de vozes de satisfação, alegria e muito amor à música. A dança começou no público e logo contagiou o palco. A banda terminou assim a atuação com um agradecimento à cidade e aos fãs.

Ainda em choque, o Coliseu começa a esvaziar-se cinco minutos depois. Maíra Soares, uma das fãs que por lá ainda ficava afirmava não ter palavras. Veio de Zaragoza para ver a banda que ouve desde a infância e comenta que só faltou mesmo um registo fotográfico com a banda.