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JUP RADAR: SARA BRANDÃO, “TENHO SEMPRE HISTÓRIAS A ACONTECER NA MINHA CABEÇA”

Sara Brandão é o nome da grande vencedora do Prémio Literário Nortear. Escreve nos tempos livres, mas foi num Interrail e em Erasmus que “Ver” ganhou vida. Por Diogo Lopes e Sofia Silva.

Sara tem 20 anos e está no seu 4º ano da Licenciatura em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. É a mulher das mil artes: “meto-me em muitas coisas; ando na música, no teatro, tiro fotografias e gosto de escrever nos tempos livres – no tempo que sobra, com tudo o que acontece”.

O “prazer da escrita” levou-a a participar no Prémio Literário Nortear. Este é um concurso anual para jovens escritores da Galiza e do Norte de Portugal. Nesta 4ª Edição, houve 31 candidatos, com idades entre os 16 e os 36 anos.

O júri do Nortear premiou Sara Brandão pela “escrita perfeita e a estrutura bem arquitetada, com uma base sólida, mantendo uma irrepreensível coerência textual”. Como prémio, Sara recebeu 2000 euros e terá o seu conto publicado numa versão bilingue (português e galego) de 500 exemplares.

“Ver” é o nome da obra, e conta a história de Alfredo, um fotógrafo cego. Esta personagem surgiu a Sara aquando do seu Interrail pela Europa – mais precisamente em Sófia, Bulgária.

Meio ano depois, Sara soube que tinha sido aceite para fazer Erasmus nessa mesma cidade. Antes de ir, decidiu ler o seu diário de viagem – o diário onde tinha apontado a ideia inicial do conto. Assim nasceu “Ver”: entre comboios e universidades, entre Portugal e a Bulgária, entre diários de viagem e canetas, entre desenhos e palavras rabiscadas em folhas de papel, entre o sentido da visão e todas as outras “diferentes formas de ver”.

O JUP esteve à conversa com Sara no Café Vitória, um dos que refere como local ideal para escrever.

Ganhaste agora o Prémio Nortear, com o conto “Ver”. O que te motivou a escrever e a enviá-lo para o concurso?

Eu vou escrevendo, só que não costumo mostrar a ninguém; mostro só a um grupo pequeno de pessoas, a amigos mais próximos. Por acaso, o irmão de uma amiga minha ganhou há dois anos o Prémio Nortear, e eles estavam sempre a dizer que eu devia enviar alguma coisa um dia. Quando escrevi este conto, mostrei-o a uma amiga e aos meus pais, e eles disseram ‘tens mesmo que encontrar uma cena para mandar’. Eu nunca mando nada para lado nenhum. Mas esta minha amiga é super organizada com os concursos, sabe sempre o que está a acontecer e manda-se para tudo, então deu-me as informações e disse-me ‘manda’. E eu ganhei coragem e mandei logo, assim que acabei de escrever. Acabavam as candidaturas em junho, acho eu, e eu em abril já tinha enviado; sabia que se ficasse com o conto na mão, não o ia enviar. Tinha que ser logo.

Como te sentiste quando descobriste que tinhas ganho?

Foi super estranho, porque não estava nada à espera. Eu gosto muito de escrever, mas nunca pensei que as outras pessoas gostassem de ler aquilo que eu escrevo.

Esperas inspirar outras pessoas a fazer o mesmo que tu?

O mesmo que eu, não sei, mas a fazer o que elas queiram fazer e a não terem medo. Acho que, principalmente no mundo das artes – eu sinto muito isso nos meus colegas –, nós vivemos muito com medo do que vai acontecer a seguir. E temos sempre aquele problema de estarmos um bocado dependentes de as pessoas gostarem do que fazemos ou não… então nem sempre fazemos. Mas eu acho que isso não é razão, porque às vezes não estamos mesmo nada à espera da receção que podemos ter. É sempre importante fazermos coisas e mostrarmos que fazemos coisas. É mesmo muito importante que as pessoas tenham consciência do que está a acontecer agora e apoiem artistas novos – também para toda a gente ganhar mais motivação, senão é só assustador: ‘e agora, o que é que eu vou fazer, o que é que eu vou ser?’.

Porque é que escolheste o título “Ver”? Sabemos que a história é sobre um fotógrafo cego, mas podia ser qualquer título. Mil e uma palavras podiam caber ali, e tu escolheste “Ver”.

Sim, mas eu por acaso não sei. Eu trouxe os diários em que comecei o conto e estive lá a ver se tinha alguma coisa sobre o título, mas não. Eu nunca começo com o título; é sempre a última coisa a pôr, porque eu acho que nunca tenho títulos pertinentes para as coisas. Eu acabei o conto – que inicialmente até chamo sempre pelo nome da personagem principal, que é Alfredo – mas depois achava que tinha de ser uma coisa menos ampla, e o conto para mim só fala… não é que fale propriamente de visão, mas tem isso muito presente, e acho que era um bocado uma chamada de atenção. No início até estava entre parêntesis, depois tirei-os.

Fotografia: Sofia Silva
Fotografia: Sofia Silva

 

Qual é a tua passagem preferida do livro? Há alguma frase, alguma parte de que te lembres mesmo?

Há… Eu acho que há duas de que eu gosto bastante, mas não é propriamente uma passagem. Eu não me lembro de frases de cor. Lembro-me de uma cena que eu escrevi em que ele transporta um amor passado, que ele sentia por uma pessoa, para uma coisa atual, e eu gosto da maneira como ele faz isso, como ele resolve isso na cabeça dele. E também a única parte que eu tenho em visual do meu conto e que eu gosto é: o pai dele, quando a mãe estava grávida dele, rodeava-lhe a barriga com margaridas e eu acho isso bonito [risos]. Não sei, quando eu penso neste conto, é aquilo que me vem à cabeça.

Escreveste o conto sozinha?

Sim.

Se estivesses a escrever com outras pessoas, como seria o processo de escrita? Achas que a escrita poderia funcionar com a colaboração de outros?

Não sei, porque para mim escrever é estar na minha bolha. Eu tenho que estar completamente sozinha e sem as pessoas perceberem o que estou a fazer. Se estiver num café, estou de fones e ninguém dá por mim… senão estou em casa, ‘na minha’. Não é por vergonha nem nada, é só porque é estranho, porque parece que é super exposto. Eu escrevo muito baseado em coisas que aconteceram ou pessoas que eu conheço.

Como é que a Licenciatura em Design de Comunicação influenciou a escrita do livro?

Eu não gosto de design gráfico, então eu estou em design mas há uma grande parte daquilo de que não gosto. Mas acho que isso me ensinou que é normal e válido nós percebermos o que não gostamos para avançar para aquilo de que gostamos. Em Belas Artes, uma coisa que percebi é que as pessoas no meu curso têm muitas vertentes. Ninguém está lá e é só uma coisa. Eu gostava de escrever e nunca levava isso a sério. Nunca escrevia uma coisa até ao fim, e as pessoas só me perguntavam ‘mas porquê, porque não experimentas escrever alguma coisa, se gostas tanto?’. E eu pensava ‘eu estou a tirar isto, se calhar devia focar-me mais nisto’. Mas não é razão. A verdade é essa. Estamos num curso, mas podemos gostar de outras coisas e de explorar esse lado de nós.

"Ver". Fotografia: Sofia Silva
“Ver”. Fotografia: Sofia Silva

 

Quando e onde costumas escrever? Qual é o teu espaço ideal para te dedicares à escrita?

Normalmente, escrevo em cafés. Quando tenho um tempo morto entre coisas, às vezes gosto de ir sozinha para um café trabalhar. Só que acabo a nunca trabalhar para a faculdade, porque me perco sempre a escrever. Ou então à noite no quarto, quando parece que já não há vida na casa.

Dizem que quando se escreve um livro, o escritor deixa sempre uma parte de si na obra. Que parte de ti está presente no conto “Ver”?

Isto foi apenas um conto! Acho que está a parte mais assustada de mim. Como eu já disse, as personagens, e tudo o que acontece quando escrevo, têm sempre a ver com pessoas ou situações que eu conheço. Claro que as vou mudando e adaptando. Mas, neste caso, eu tive a ideia no Interrail, e depois escrevi-a só meio ano e tal depois, em Sófia. Eu acho que foi o medo de estar sozinha numa cidade nova… é a parte de mim que está lá mesmo não estando. A diferença é que a personagem principal não vê, então conhece o mundo de outra maneira, e acho que foi um bocado o medo que eu estava a sentir num sítio novo que eu tentei transpor aí. Mas não é muito linear.

Estavas agora a falar da personagem do Alfredo. Ele é baseado em alguma pessoa?

Não. O Alfredo especificamente, não. Eu acho que ele tem partes que são o que eu não me quero tornar, por certas decisões que ele toma. Eu acho que não o baseei em ninguém. Mas, de certa forma, talvez o tenha feito, porque os meus pais, quando leem, dizem sempre que veem certas partes de pessoas ali. Mas acho que é um bocado inconsciente, acho que isso já vive comigo.

De onde vem o teu gosto pela literatura e pela escrita?

Acho que é por causa das coisas que eu leio. Eu sempre gostei muito de ler… quer dizer, mais quando cresci um bocado. Tenho sempre histórias a acontecer na minha cabeça. Vou escrevendo cenas super estúpidas no meu diário, frases soltas, que alguma vez no tempo pensei que se poderiam tornar em algo mais. Mas, maioritariamente, pelas coisas que eu leio. Também gostava de poder transpor isso de alguma maneira.

Que livros ou autores tens como referência?

Saramago, valter hugo mãe, Afonso Cruz… Eu gosto principalmente de literatura portuguesa. De pequenina, a Sophia de Mello Breyner; mais tarde, quando cresci, as poesias. E depois, não tanto autores, porque não posso dizer que tenha lido muita coisa deles, mas há livros específicos de que gosto muito e que me marcaram, quer pela inocência, quer pela história… Albert Camus, To Kill A Mockingbird, da Harper Lee, Milan Kundera… Recentemente, é isso.

Tiveste a ideia do conto e escreveste-a num diário de viagem. É comum manteres esses diários? Em que viagem surgiu a ideia?

Eu fui fazer um Interrail com três amigas minhas no verão do ano passado. Em Sófia – por acaso, eu não fazia a mínima ideia de que ia acabar por ir estudar para lá – lembrei-me de uma personagem, já nem sei bem porquê, mas anotei-a e comecei o conto aí. Ele acabou por não ter nada a ver com o que eu escrevi no início, acabou por não ir por aí, mas a personagem é exatamente aquela. Então tive essa ideia e arrumei o diário. Depois, no segundo semestre do ano passado, quando descobri que entrei para Sófia, mesmo antes de ir, decidi ler o meu diário do Interrail – eu não gosto tanto de ler os diários quando os estou a fazer, mas gosto depois de pegar nas coisas e de as ver as coisas que escrevi. E como tinha passado por Sófia, lembrei-me que era engraçado ler e ver o que senti lá. Li aquilo e pensei, ‘fogo, porque é que eu não continuei isto? Eu gosto desta personagem’. Eu tinha mesmo a personagem na cabeça. Então, quando fui para Sófia, peguei e comecei aí.

O conto “Ver” vai ser publicado em português e em galego. Achas que haverá algo que se possa perder na tradução? Tens receio que algumas piadas ou expressões percam o valor numa outra língua?

Tenho. Isso tenho sempre, porque ler uma tradução é sempre diferente de ler a versão original. Mas eu acho que, do que ouvi das edições anteriores, eles têm sempre feito um bom trabalho e nunca vi ninguém que sentisse que o conto perdesse alguma coisa, mesmo de pessoas que sabem as duas línguas. Por isso, espero que, se alguém ler em galego, sinta a mesma coisa que quem lê em português. Acho que é só isso que posso esperar.

Tens mais do que uma qualidade. As tuas paixões incluem escrita, fotografia, ilustração, animação, música, teatro… Como consegues conciliar isso tudo?

Não consigo estar parada, acho que é só isso. Eu gosto de demasiada coisa. Não tenho aquela coisa, aquela pressão de que tenho de ser boa em tudo. Não faz parte da minha personalidade. Eu acho que nos devemos rodear de imensas coisas e fazer o máximo que podemos, e experimentar o que gostamos. Porque acho que são estas pequenas coisas todas que depois formam o que quer que seja que saia. Então, é isso. Eu organizo-me, mas também tudo aquilo em que estou é relaxante. Eu não estou em nada que me deixe pressionada. Estou no teatro porque gosto, estou na música porque gosto, senão eu não estaria. Eu estou porque aquilo para mim é divertido e dá para espairecer e para sair um bocadinho. Ou sair da faculdade, e daquele núcleo de fazer trabalhos para ter uma nota, para ser constantemente avaliada.

Qual dessas ‘carreiras’ gostavas que fizesse parte do teu futuro? Ou, se várias, de que forma?

Não sei. Eu não faço ideia daquilo que vai acontecer. Sei que, eventualmente, vou ter que deixar o teatro porque não vou por aí. Mas eu acho super fixe; por isso, até dar, quero estar. E depois acho que as coisas vão…. não sei, por exemplo, não vou fazer nada sozinha na música, acho que isso nunca vai acontecer. Mas gostava de um dia participar em alguma coisa. O mesmo com o design, o mesmo com a escrita. Por isso é que tenho um bocado de medo de, até, pensar em definir alguma coisa. Acho que esse é o meu maior problema.

Como é que vês o papel da escrita no teu futuro?

Não quero, de todo, deixar de escrever – principalmente por aquilo que faz para mim. Mas também não quero escrever com expetativa para ninguém. O que eu senti agora é que eu não estava nada à espera de ganhar, de todo. Eu sei que ganharam sempre bons contos, e sei de participações que foram muito boas. E eu nunca escrevi sequer para alguém de fora da minha família ou do meu núcleo de amigos ler – e claro que a opinião é sempre diferente. Agora o que eu senti é que mesmo muita gente quer ler; eu até tenho um bocado de medo que as pessoas não gostem ou que depois fiquem à espera de alguma coisa. Eu não consigo escrever se souber que tenho pessoas que vão estar à espera que aquilo tenha um certo efeito para elas. Por isso, eu quero continuar a escrever, mas tentar manter ao máximo esta escrita para mim. E claro, ir melhorando e aprendendo, porque acho também que, quanto mais lemos, melhor escrevemos. Todas as opiniões que recebi foram sempre construtivas. Nunca ninguém me disse, ‘olha, muda isto, porque está uma porcaria’. Não, foram mais do género, ‘acho que aqui podes fazer assim ou assado’.

Fala-nos um pouco do teu trabalho a nível visual: a parte do design, desenho, ilustração…

Eu desenhar não desenho muito. Aprendi muito bem na faculdade, foi das melhores cadeiras que tive, mas eu acho que rabisco mais do que desenho. Tenho sempre um diário comigo, porque estão sempre ideias a passar e, às vezes, gosto de anotar e fazer pequenas ilustrações. Mas nunca levei aquilo muito a sério, para além de coisas que tive de fazer para a faculdade e, de vez em quando, por exemplo, prendas de aniversário. É certo que uma pessoa vai receber uma ilustração, porque eu gosto que seja uma coisa mais pessoal… Mas acho que o que gosto mais daquilo que fiz na faculdade é mesmo a parte da fotografia e do vídeo. Também é onde me sinto mais confortável, onde me sinto mais criativa e com alguma base de conhecimento, porque na ilustração acho que estou totalmente perdida. E fotografar e fazer vídeos dá-me um certo prazer, e já tenho um gosto mais específico para aí. Por isso, acho que também nos meus trabalhos acabo sempre por virar um bocado para aí. No que toca ao design gráfico, não é o que eu mais gosto nem o meu ponto forte, então tento sempre jogar com qualquer coisa que eu gosto para contrabalançar, nem que seja o texto que estou a trabalhar. Qualquer coisa que não me faça perceber que é aquilo que eu estou a fazer, porque depois eu olho à minha volta e toda a gente faz super bem, e eu estou tipo ‘ok’. Em Design de Comunicação, há mesmo muita gente que adora design gráfico e que é mesmo boa e tem mesmo visão. Eu acho que o meu problema para aquilo é que eu não tenho visão nenhuma. Eu estou como um peixe fora de água. Mas vou tentando.

Fotografia: Sofia Silva
Fotografia: Sofia Silva

 

O que se segue para ti agora? Tens algum projeto literário em mente?

Estou a escrever outro conto. Não sei o que vai ser dele, porque a probabilidade é ficar arrumado com os outros ou eu oferecer de prenda de natal, como ofereci um anterior. Não sei. Acho que isto suscitou-me uma vontade de que mais pessoas lessem, para saber mesmo se isto foi uma cena do momento ou não mas… é isso, vou continuar a escrever.

Achas que algum dia um dos teus livros vai estar numa estante de livraria? Em qual gostavas de o ter? 

Isso é super assustador [risos]. Não sei, não faço ideia. Opá, isso é muito estranho, porque eu tenho aquela cena super infantil de ver o escritor como um ser um bocado intocável, uma pessoa assim, sei lá… quanto tu acabas de ler um livro bom, e parece que estiveste lá, ou que, de certa forma, levaste com ele na cara, parece que quem escreveu aquilo tem que saber mais do que tu. Então, pensar nisso é um bocado assustador. Mas, se algum dia estiver, eu só quero que faça jus a estar, a quem também lá está e que eu gosto. Só espero que faça jus aos escritores que eu sempre gostei e que eu sempre li e sempre me inspiraram. Acho que é um bocado isso. Não quero estar lá assim um bocado perdida e ser passageira.

Como achas que se poderia incentivar mais jovens a optarem pelo caminho da cultura?

É um bocado aquilo que eu disse no início, sem ser repetitiva. Eu acho que é super importante que as pessoas tenham a noção de que se faz arte, acontece arte, e que é um caminho viável – a cultura. Acho que ainda vivemos um bocado no ‘por que é que vais para artes?’, ‘o que é que fazes?’, ‘não vás por aí’. Eu acho que há muito para aprender nas artes e também há muito que fazer. E as pessoas devem ter consciência de que há imensa coisa espetacular a acontecer, e que não devem perder a motivação porque acham que não vão conseguir. Eu tenho muito aquela ideia de que, se tu fugires de uma coisa porque achas que não vais ser bom, mas não gostas de mais nada, não vais conseguir fazer nada. É super importante incentivar a cultura, para mim. Eu até sou sempre chata e faço spam dos trabalhos dos meus amigos e não sei quê, porque há coisas que eu acho que são genuinamente boas e acho que às vezes passam mais despercebidas porque as pessoas não prestam tanta atenção. Nós perdemos muito tempo, às vezes, a idolatrar quem está longe e não prestamos atenção quando estão a acontecer coisas muito boas aqui ao nosso lado. Só que nós achamos que nunca vão chegar a esse patamar que pode ser idolatrado. Mas eu não acho que isso faça sentido.

O que estás a pensar fazer com o dinheiro do prémio?

Viajar [risos]. É a resposta mais inconsciente e assim.

Vais viajar para escrever novos cadernos para depois escreveres novos contos?

Exato [risos]. Olha, não tinha pensado nisso, isso é um bom ciclo. Opá, viajar porque… para já, pelo menos, é a minha ideia. Porque finalmente posso viajar para um sítio mais louco. Até agora tenho ficado mais por aqui, então acho que é isso.

Sabes quando é que vai estar disponível o conto?

Ainda não sei, eles avisariam… Agora, andam a decidir a capa.

Convinha que desenhasses tu também.

Pois, eu enviei. E em princípio vai ser. Mas ainda não me disseram nada quanto ao dia certo em que vão lançar.

Flipbook de Sara, baseado nos desenhos que foram o ponto de partida para “Ver”.

 

A Sara Brandão é colaboradora do JUP (fotojornalista) mas este artigo foi escrito com a devida distância e isenção.

Este artigo é da autoria de Diogo Lopes e Sofia Silva.

JUP Radar é a rubrica mensal do Jornal Universitário do Porto, incluída na editoria de Cultura, que explora os artistas emergentes, nas mais diversas áreas, que chegam ao nosso radar. Os artigos saem no último domingo de cada mês.