CURTAS 2018: MAIS UM ANO, MAIS UM PALMARÉS – Jornal Universitário do Porto
Cultura

CURTAS 2018: MAIS UM ANO, MAIS UM PALMARÉS

A 26ª edição do Festival de Vila do Conde chegou ao fim. Foi uma semana cheia de (claro) curtas e dos tão esperados vencedores.

231 curtas. 9 longas. 45 países. 5 concertos. 3 exposições. 3 debates. 9 encontros. 5 workshops. 10 festas. Curtas Vila do Conde 2018 – Festival Internacional de Cinema.

A Sessão de Encerramento e Entrega de Prémios começa por recordar ao público presente na sala os diversos momentos desta semana preenchida. São projetadas as peças de vídeo montadas pela equipa de reportagens, relativos a cada dia e a cada tipo de sessão.

Os nove dias passaram a correr. Ou melhor, passaram sentados – sentados nas salas do Teatro e do Auditório. Foram dias em que o tempo pareceu ficar suspenso, em que o mundo lá fora passa a ser a ficção e o ecrã retangular é a única realidade que importa. Foram dias de novas amizades, novos cineastas, novas aprendizagens. Foram dias de tantas conversas, que se lhe perde a conta.  Acima de tudo, foram dias de muito cinema.

Os realizadores conversaram com o público, explicaram as suas opções e responderam às suas perguntas, com a familiaridade que já é regra da casa. A barreira linguística só existe na dimensão teórica, porque, na prática, todos falam com todos; pelos corretores e átrios ecoavam animadas trocas de palavras nos mais diversos idiomas. Uma grande misturada, vista de fora, mas, nesta semana multicultural, todos se entendem.

B Fachada escolheu alguns dos seus êxitos para acompanhar o filme mudo “The Cameraman”. Já o quarteto que compõe os Linda Martini optou por compor especialmente para o filme que lhe foi atribuído, “La Coquille et le Clergyman”. As melodias etéreas da banda ondularam consoante as cenas da produção surrealista francesa, permitindo aos presentes a imersão completa. Isto, para referir apenas alguns dos momentos musicais do Stereo.

Este ano, a organização do Curtas decidiu proporcionar ao público a possibilidade de levar um cartaz para casa. No Auditório estiveram disponíveis cartazes – praticamente da altura de uma pessoa – das diversas edições.

Os estabelecimentos comerciais juntam-se à festa. No âmbito do concurso de montras, a Vila redecora-se para o festival e para acolher os visitantes. Na Sessão de Encerramento é relevada a vencedora: a da Bosque Concept Store.

Regressando a esta Sessão final, após o pequeno discurso da Presidente da Câmara de Vila do Conde, é projetado o filme de Eugène Green. “Como Fernando Pessoa Salvou Portugal” é o nome deste mini-filme, que aborda – de uma forma bastante divertida – a relação de Fernando Pessoa com a Coca-Cola (presente no filme como “Coca-Loca”). A história por trás da famosa frase “Primeiro estranha-se, depois entranha-se” é desvendada na produção do francês – que é o “o mais português dos cineastas nascidos nos Estados Unidos”.

Por fim, o momento mais esperado da semana: a apresentação dos vencedores.

Fotografia: Sofia Silva
Fotografia: Sofia Silva

A figura principal do palmarés desta 26ª edição do Curtas é a animação de Boris Labbé. “La Chute” venceu o Grande Prémio DCN Beers da Competição Internacional (à qual concorrem também os filmes da Competição Nacional). O júri – composto por Laurence Boyce (crítico de cinema e membro da BAFTA, da FIPRESCI e da European Film Academy), Aurélie Chesné (programadora da France Télévisions) e Nadav Lapid (escritor e realizador In Focus) – elogiou bastante o que é, agora, o Curtas 2018 Best Fim. “Quando os habitantes do céu descem para corromper os da Terra, a ordem natural do mundo é lançada no caos. É o começo de uma queda trágica que leva à criação do reino do Inferno e o seu oposto, os círculos do Paraíso, uma incandescente metáfora de exploração visual”; é a sua sinopse.

Ainda na Competição Internacional, foram atribuídos os prémios relativos às três tipologias de cinema. “Fry Day”, de Laura Moss, foi premiado com o troféu para Melhor Ficção. “Madness”, de João Viana, foi considerado o Melhor Documentário (Prémio Manoel Oliveira). “Raymonde ou l’évasion verticale”, de Sarah van den Boom, ganhou Melhor Animação.

O público votou e o público decidiu. O Prémio do Público foi atribuído a “Ce Magnifique Gâteau!”, a animação de 44 minutos, realizada por Emma de Swaef e Marc James Roels.

A portuguesa Ana Moreira, reconhecida pelo público como atriz, anda agora pelo mundo da realização. A sua ficção de 16 minutos venceu o Prémio de Melhor Curta-Metragem Europeia. “Aquaparque” fica, assim, nomeado para os European Film Awards da European Film Academy. Ana Moreira conquistou, ainda, o Prémio Kino Sound Studio para Melhor Realizador, já dentro da Competição Nacional.

Passando, então, para os filmes nacionais, o Prémio de Melhor Filme, assim como o Prémio Pixel Bunker, foram atribuídos a “Onde o Verão Vai (Episódios da Juventude)”, de David Pinheiro Vicente. “Um rio, um grupo de adolescentes em férias e muitos cigarros. Na atmosfera densa e húmida da floresta e da adolescência, cinco jovens celebram o tédio sazonal e a descoberta da sexualidade.” É esta a descrição do Curtas 2018 Best Portuguese Short Film.

O Prémio do Público SPA, destinado ao filme português com melhor média de votação atribuída pelos espectadores, foi dado à animação “Entre Sombras”, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos.

Na Competição Experimental, o Prémio de Melhor Filme foi entregue ao norte-americano Morgan Fisher, realizador de “Another Movie”. O júri atribuiu, ainda, uma Menção Honrosa à curta-metragem “Comfort Stations”, da dupla Anja Dornieden e Juan David González.

João Pombeiro venceu a Competição de Vídeos Musicais com “Back to Nature”, da banda Nightmares On Wax.

Dentro da Competição Take One!, a ficção “Amor, Avenidas Novas” foi a grande vencedora. Duarte Coimbra, da Escola Superior de Teatro e Cinema, arrecadou o Prémio IPDJ, o Prémio Smiling, o Prémio Agência da Curta Metragem e o Prémio Restart. O duo constituído por André Puertas e Ana Oliveira conquistou o Prémio Blit para Melhor Realização, com “A Ver o Mar”.

Nesta primeira edição da Competição Take One! Europeu, o prémio foi para a Polónia. “Prosze O Cisze (Their Voices)”, de Eri Mizutani, conquistou o pódio de melhor filme para a National Film School in Lodz.

Por último, a Competição do Curtinhas. O júri – composto por crianças – atribuiu o Prémio Curtinhas MAR Shopping à animação “O Rato da Floresta (The Highway Rat)”, de Jeroen Jaspaert. Foram, também, escolhidas duas menções honrosas. A animação de Julia Ocker venceu a para maiores de 3 anos, “Formiga (Ameise)”.  À ficção “Na Sombra (Skyggebokser)”, de Andreas Boggild Monies, foi entregue a distinção para maiores de 10 anos. Reino Unido, Alemanha e Dinamarca foram, então, os países destacados.

A Sessão de Encerramento termina, mas o Curtas não. Os filmes premiados são transmitidos em três sessões no Teatro Municipal de Vila do Conde, até ao fim do dia. Serão, também, apresentados em diferentes cidades do país, através das extensões do festival.

Agora que a semana em que o projetor substitui o Sol chegou ao fim, resta esperar pela 27ª edição, que já tem design e datas: 5 a 14 de julho de 2019.