Cultura

NAU – ENCONTRO ARTÍSTICO DE EXPRESSÃO IBÉRICA

O Festival de Cinema e Fotografia de Expressão Ibérica decorreu este fim-de-semana e abriu com a exibição de O Tempo das Bruxas de António Vitorino de Almeida.

O NAU teve sessão de abertura no Sábado, com a exibição de O Tempo das Bruxas de maestro e realizador António Vitorino de Almeida. A maior parte do elenco da película dedicada ao absurdo marcou presença no festival.

O objetivo máximo do Nau foi, mais uma vez, garantir que “as pessoas possam ver todo o tipo de arte à volta da língua portuguesa e castelhana”, garante a organização, que promove o encontro artístico e troca de ideias multidisciplinar.

A conferência subordinada à questão “Teatro e Cinema, duas linguagens diferentes?” reuniu António Vitorino de Almeida, Júlio Cardoso (encenador e ator), Gonçalo Amorim (ator e encenador) e Jorge Campos (professor universitário e documentarista), numa conversa descontraída sobre as relações entre a 5ª e 7ª artes.

Discutiram-se os problemas que cada uma das áreas enfrenta, desde o parco financiamento à falta de tempo e de profissionais aptos. Trocaram-se histórias acerca dos desafios de produzir arte em Portugal e considerações sobre a apologia dos filmes produzidos gratuitamente, como é o caso de Tempo das Bruxas. Gonçalo Amorim garante que “não é o dinheiro que move os artistas” e Vitorino de Almeida encontra no seu filme o objetivo, que vai para lá do absurdo, de “contrariar aqueles que dizem que não se pode fazer nada porque não há dinheiro”.

Com as ideias de que “as duas artes se distinguem pela relação que estabelecem com a audiência” e de que “haverá sempre público” todos concordam, mostrando optimismo acerca da contribuição do teatro e cinema para o panorama cultural nacional.

O programa incluiu exibições de competição acompanhadas de um prova de vinhos. O Domingo foi dedicado às crianças com as sessões NAU dos Pequeninos.

A competição contou com a presença de um júri qualificado, que incluiu Júlio Magalhães (jornalista e diretor de televisão), Roberto Merino (encenador de teatro e professor), Maria Inês Castanheira (escritora e produtora de eventos culturais), Sério Fernandes (realizador e professor) e Nuno Vidal (programador cultural).

Tudo Vai Sem Dizer de Rui Esperança foi o grande vencedor do festival. Período Especial de Helena Canhoto e A Luz da Terra Antiga de Luís Oliveira Santos receberam menções honrosas. Guilherme Gomes e Miguel Reis arrecadaram o prémio Universitário com Chico Malha e a Diogo Pereira e O Conflito foi entregue o Prémio Escolas Secundárias. Os espectadores elegeram Não São Favas São Feijocas para o Prémio Público.

Assim como partimos, séculos atrás, para a descoberta e união, levando apenas o português e castelhano como modo de expressão e conhecimento, o desafio é descobrir, hoje e mais uma vez, a arte e o mundo através da nossa língua” é o mote do Festival de Cinema e Fotografia de Expressão Ibérica, que promete voltar no próximo ano.