Cultura

MEMÓRIAS DA BATALHA DE LA LYS E ABOLIÇÃO DA PENA DA MORTE EM EXPOSIÇÃO NO CPF

“Bloody Landscapes” e "Morte à morte! - 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal" são duas das exposições do Centro Português de Fotografia que facultam o conhecimento de experiências coletivas. Por Miguel Correia.

No Centro Português de Fotografia (CPF), a exposição “Bloody Landscapes” assinala a batalha de La Lys, que ocorreu a 9 de abril de 1918 e que é, seguramente, uma memória repetida. A batalha que coincide com o momento final da investida alemã representa um dos maiores desastres da nossa memória coletiva.

A exposição fotográfica de Augusto Lemos configura, fundamentalmente, um documento pessoal e testemunhal. Através do vasto leque de fotografias oferece-se ao espetador a oportunidade de revisitar este espaço de batalha, inserido no contexto da I Guerra Mundial, transformando-o, simultaneamente, numa perspetiva da paisagem do Norte da Europa.

Augusto Lemos percorreu os espaços que recuperam a intervenção internacional, como a mortífera batalha de La Lys, revisitando a frente com as trincheiras escavadas, o intervalo entre as duas frentes inimigas, a localidade de La Lys, e o monumento aos mortos da Grande Guerra. Encontrou os nomes, as artérias reconstruídas, os novos bairros, a catedral, os cemitérios e alinhamentos de nomes quase todos de mortos desconhecidos, apenas indicados pela nacionalidade. Estará patente no CPF até 8 de junho.

De notar, igualmente, a exposição “Morte à morte! – 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal”/1867-2017, comissariada pelo historiador Luís Farinha e da responsabilidade da Assembleia da República, em parceria com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que celebra a aprovação da carta de lei de 1 de julho de 1867 (reforma penal das prisões e abolição da pena de morte para crimes comuns e de trabalhos públicos).

A exposição enaltece o pioneirismo de Portugal na abolição da pena de morte, privilegiando o recurso a textos, imagens e documentos, aos antecedentes jurídicos e políticos, às práticas anteriores de execução, às repercussões nacionais e internacionais da aprovação da carta de lei, aos sucedâneos da pena de morte (pena celular perpétua e degredo para as colónias) e às tentativas de reposição da pena capital.

A mostra abrange um núcleo multimédia com um filme enquadrador e uma projeção evocativa dos debates parlamentares que versam a problemática da pena de morte. São ainda apresentados mapas referentes aos países abolicionistas e retencionistas em 1880, 1980 e na contemporaneidade.

O título é retirado de uma carta de Victor Hugo ao diretor do Diário de Notícias, datada de julho de 1867, que felicita Portugal pela abolição da pena de morte. Estará incluída na programação do CPF até 24 de junho nos seguintes horários: terça a sexta-feira (10h-18h); sábados, domingos e feriados (15h-19h).

Este artigo é da autoria de Miguel Correia.