Cultura

ENTREVISTA A ÓLAFUR ARNALDS

A uma sala Suggia com cerca de 600 entusiastas de música erudita, o escandinavo Ólafur Arnalds respondeu com uma mestria e um profissionalismo irrepreensíveis.

O repertório incluiu músicas que remontam a 2007, ao álbum Eulogy For Evolution, precisamente o primeiro ano em que passou pela Casa da Música, porém, na relativamente pequena Sala 2. Concretizado ficou o sonho de por lá voltar a passar para inaugurar a suntuosa Sala Suggia. O dinamarquês Arnór Dan pisou o palco para dar voz a Old Skin, For Now I am Winter e A Stutter. O JUP entrevistou Ólafur Arnalds, o multi-instrumentista islandês que partilhou o palco com Rodrigo Leão, a fim de saber um pouco mais sobre a sua arte:

 

Atuaste ontem em Coimbra, 26, no Teatro Académico de Gil Vicente. Até agora consegues salientar alguma diferença entre os público do sul e do norte da Europa?

A diferença entre públicos, encontro-a mais entre a Europa ocidental e de leste, mas consigo sempre encontrar diferenças entre países. As pessoas do sul parecem-me ter personalidades mais calorosas.

 

For Now I am Winter parece afastar-se, em termos de sonoridade, de … And they have escaped the weight of darkness, no sentido em que refreia as cordas e as partes electrónicas. É mais escuro e melancólico. Isto foi propositado ou apareceu naturalmente?

Um pouco dos dois, penso. Decididamente escolhi fazer algo diferente e afastar-me dos meus álbuns antigos. Mas tudo começou a fazer sentido e a ganhar forma a partir do momento em que comecei a compor e a experimentar.

 

Foi também a tua primeira vez a utilizar voz, com o Arnór Dan, dos Agent Fresco.

Sim.

 

O teu próximo álbum vai seguir esta matriz mais melódica ou tencionas aventurar-te em novos sons?

Ainda não sei bem. De momento tenciono experimentar novas sonoridades. Canso-me de estar no mesmo sítio por muito tempo.

 

Muitas pessoas perguntam-se como um baterista de uma banda de hardcore/metal passa para um projeto musical de música neoclássica/experimental. Sentes saudades dos velhos tempos?

Nem por isso. Quero sempre experimentar novas coisas. Às vezes tenho saudades de tocar bateria, mas, ao mesmo tempo, tenho ainda mais vontade de continuar a experimentar até encontrar novas formas de fazer música.

 

Já tocaste e colaboraste com grandes artistas como Sigur Rós e Nils Frahm. Compuseste, até, a partitura integral para o espetáculo de dança Dyad 1909, do coreógrafo Wayne McGregor. Há dois anos, uma das tuas faixas foi incluída no filme The Hunger Games. Alguma vez pensaste chegar tão longe com a tua música?

Não, nunca. É claro que eu queria fazer isto, mas o negócio da música é bastante difícil e lida com outras questões, que não só o talento. Mas batalhei imenso até chegar onde estou, e isso é o mais importante.

 

Receias que isto que catapulte para um domínio mais mainstream, no qual não queres inserir a tua música?

Não tenho qualquer preconceito para com aquilo a que as pessoas chamam música mainstream. Música é apenas música, portanto, não deixo que a popularidade ou o género musical ditem o tipo de som que vou fazer.

 

De acordo com o Andy Gill, um crítico musical do jornal The Independent, “ de momento, a Islândia é um dos países mais produtivos, musicalmente.”. Concordas?

Penso exatamente o mesmo. Para um país tão pequeno, há imensa coisa a passar-se.