Cultura

ÚLTIMO FESTIVAL DE VERÃO JUNTA GERAÇÕES PELA MÚSICA

Depois do sucesso de 2016, o Festival F abriu as portas para não dois, mas três dias preenchidos com música portuguesa. A Vila-Adentro recebeu recebeu centenas de pessoas no seu primeiro dia que se estendeu até às 4 da manhã com os Beatbombers.

Faro, 31 de agosto. As ruas da cidade ficam mais movimentadas por cada hora que passa. O destino? A Vila-Adentro, o palco maior que receberá o Festival F que já vai no seu quarto ano consecutivo.

Por volta das 15h preparavam-se os últimos arranjos: soundchecking, luzes, e já se sentia o cheiro da variada street food que o festival tem para oferecer.

Com sete palcos e três espaços dedicados a tertúlias e animação de rua, foi o Palco Ria uma das novidades desta edição, localizando-se no Largo de São Francisco de modo a possibilitar uma maior capacidade de visitantes.

Pouco antes das 19h00, as entradas começaram. A Orquestra Clássica do Sul deu início à noite e até às 4 da manhã a noite foi música.

Quem não soube do início do festival, ficou alertado: uma onda de som percorria a cidade e por toda a parte os visitantes começavam dirigir-se ao ponto de encontro. Quem não chegou a horas ou quem estava à procura de estacionamento, pôde aproveitar a emissão da Rádio Comercial em direto.

“Os Expensive Soul estão a metade do seu concerto, um concerto que começou com poucas pessoas a assistir por ser perto da hora de jantar, mas entretanto o palco encheu e a banda soube dar a volta à situação. Neste momento a animação faz-se sentir e alguns dos hits como “Cupido”, “O Amor é Mágico”, “Dou-te Nada” já foram aqui cantados.”

Já eram 23:30h e Lisboa String Trio, Peixe:Avião e First Breath After Coma já tinham atuado. Agora é para que lado? Não foi tão longe como de Bragança a Lisboa, mas uma travessia do recinto impunha-se para assistir ao concerto de Xutos & Pontapés no Palco Ria.

A carga de euforia fez-se sentir logo no primeiro acorde. Quem estava ali sabia para o que vinha e não perdeu uma única sílaba das muitas músicas ali tocadas e cantadas numa só voz. “Dados Viciados”, “Carta Certa” e “Gritos Mudos” deram início a um dos maiores concertos da noite. Quem lá esteve, de certo que não foi o primeiro concerto de Xutos que assistiu.

A devoção notou-se mesmo quando na reta final do concerto e no início de “Ai Se Ele Cai” o coletivo ficou sem som e imagem devido a um problema técnico. Numa só voz (e após a banda sair do palco até o problema ficar resolvido) cantaram-se músicas como “Para Ti Maria” e “A Minha Casinha”, de modo a incentivar e apoiar toda a banda que está nestas andanças com o público há quase 40 anos.

A próxima paragem seria o Palco Quintalão, para a performance de Mishlawi que nestes dois últimos anos tem dado cartas no panorama do hip hop nacional.

O norte-americano não é estranho à plateia, e Mishlawi não esquece o público farense que por outras vezes o recebeu calorosamente. “Good Night Faro! Let’s make another night to remember!”

“Always on My Mind” foi uma das primeiras a ser cantada por plateia e artista e, mais uma vez, nem os problemas de som impediram o concerto de continuar. “Estão a ouvir bem? Let’s keep it up!”

O recinto pareceu um pequeno quintal para tanta gente e para toda euforia vivida durante o concerto. Com raízes americanas mas criado em Cascais, Mishlawi comunicou durante todo o concerto com o público que falou numa só língua, a música do artista.

Com um flow e um estilo bem ao hip hop canadiano, Mishlawi conseguiu um dos melhores concertos da noite, onde jovens – bem ao estilo de Xutos – sabiam cada sílaba e dançavam a cada beat.

Samuel Úria estava prestes a acabar o seu concerto quando Dengaz subiu ao palco. Acompanhado pelo seu coletivo Ahya Band (composto por guitarra, baixo, bateria, teclas e um trio vocal), o rapper incendiou a multidão com os seus hits “Rainha”, “Ninguém Vê Nada” e “O Que é Que Tem?”, que cantou com Plutónio depois de chamar este ao palco.

A noite já estava quase terminada e o recinto do Festival sentia-se a ficar cada vez mais vazio.

As várias barraquinhas de Street Food já fechavam, as mesas estavam quase vazias e os únicos resistentes da noite dirigiam-se, mais uma vez, ao Palco Quintalão para acabarem a noite com os Beatbombers, a dupla composta por DJ Ride e Stereossauro.

Como a música se fez sentir, o cansaço também fez das suas, e embora o espaço contasse com um vasto público, a dupla não conseguiu manter toda a plateia até ao fim.

O Festival F regressa hoje com mais uma noite adentro com grandes nomes do panorama musical português, contando com a presença de The Black Mamba, Carminho, Mão Morta, Rui Veloso, Valas, Valete e Agir.