Cultura Opinião

O INDIE MUSIC FEST ARRANCA JÁ ESTA QUINTA

Estamos a poucos dias do arranque do Indie Music Fest, no encantado Bosque do Choupal, em Baltar, na periferia da cidade do Porto. O Jornal Universitário do Porto esteve à conversa com o diretor Tiago Nalha em antecipação da quinta edição deste mesmo festival.

Esta é uma edição especial. O Indie está de parabéns. São cinco anos, cinco edições. Qual o balanço que pode ser feito antes do arranque da edição de 2017?

Tiago: Muito positivo! São cinco anos muito bons, temos crescido imenso com muito trabalho e muita dedicação de muitas pessoas envolvidas neste festival. Desde o início até agora houve muito trabalho para podermos chegar aqui, mas o balanço só pode ser positivo. São cinco anos muito bons, quatro edições que correram muito bem e esta que está agora para começar e que esperemos corra também pelo melhor.

 

 

Como surgiu a ideia para a criação do Indie?

Tiago: Há um bar aqui a cerca de 300 metros que é o Indie e como esta é uma zona sem muito acesso à cultura alternativa em que se quiseres ir a concertos tens de te deslocar ao Porto ou a outro local que não fica assim tão próximo de Baltar, pensamos em por que não criar algo de diferente aqui na zona onde fosse possível ter acesso a concertos que aqui no Vale do Sousa não tens acesso. No fundo tudo começou nesse bar, no Indie, e projetamos um festival que fosse ocorrer aqui, numa zona que não é tão privilegiada em termos de cultura e concertos, mas que uma vez por ano tem um festival inteiramente dedicado à música mais alternativa.

 

Quem vem ao festival tem fáceis acessos à cidade do Porto, para um passeio à descoberta e ainda acampa num sítio lindíssimo. É provavelmente uma das localizações mais privilegiadas de todos os festivais de verão do país…

Tiago: O Paredes de Coura acabou por se tornar num festival quase obrigatório e tem acessos bastantes difíceis, mas como se costuma dizer «o fruto proibido é o fruto mais apetecido», de ser tão difícil se aceder acabou por se tornar tão apetecível. O Indie está num local onde agora tudo está perto porque há parcerias com autocarros e comboios e é mais fácil chegar a todo o lado, visitar a cidade do Porto na altura do festival. Mas também há um espírito muito bonito entre o público que chega até nós de boleia de vários pontos do país ou vai embora de boleia com alguém que não conhecia, há sempre forma de resolver qualquer impedimento e chegar ao bosque mágico.

 

O Indie é considerado por muitos o melhor festival de verão, por ser tão diferente dos demais. Como tem sido o desafio de se manterem fiéis a essa singularidade que vos define dos restantes festivais?

Tiago: Sim mas queremos mais. Queremos crescer ainda mais. Somos um festival diferente, e temos seguido sempre essa linha e já lá vão cinco anos. É muito bom que nos insiram nos melhores festivais de verão porque há muito trabalho por detrás de tudo para que isso seja verdade, mas queremos ainda mais, queremos crescer como festival.

 

O facto curioso do Indie é também que composto por bandas portuguesas ainda no seu começo.

Tiago: Sim e essa foi uma das nossas principais motivações. Damos a conhecer música portuguesa e ajudamos as bandas a criar um público e a dar a conhecer o seu trabalho e no início do festival reparamos que havia público receptivo para isso mesmo e o festival nasceu assim. Temos vindo a fazer isso ano após ano e é interessante porque o público mesmo não conhecendo a banda que está a assistir recebe-a de uma forma incrível.

 

O facto do festival ser um dos últimos da época não lhe retira qualquer notoriedade ou público, sendo que é mesmo um dos mais aguardados do ano.

Tiago: Às vezes as pessoas não conseguem vir porque é uma altura de férias e não dá mesmo para virem, mas por outro lado há pessoal que já vem há quatro ou cinco anos seguidos. Já tivemos casos de público que vem à boleia desde o Algarve ou que fica sem boleia no último dia de festival, mas tudo se acaba por resolver. É esse o espírito entre os festivaleiros. É um festival onde às quatro da tarde já vemos crowdsurf e mosh e nem nós sabemos explicar como isso aconteceu. Foi algo natural. É de ser um festival tão diferente que fica tão guardado no coração e mentes das pessoas. Não é algo de plástico, percebes, as pessoas estão ali pela música.

 

O festival destaca-se também pelo seu cartaz, que ano após ano, se destaca por se manter sempre fiel à qualidade.

Tiago: Sim, e tentamos sempre que isso aconteça ano após ano. É importante mostrar a música portuguesa e o que de melhor se faz e nem é tão bem conhecido. No Indie tentamos fazer isso e dar espaço a bandas que ainda estão no começo, mas que têm uma enorme qualidade e ali ganham público e espaço para mostrarem isso mesmo. É um festival que chega a ser um segredo bem guardado, mas o público volta todos os anos ao bosque encantado e só quem lá está sabe o que vale a experiência.

 

Quais as expectativas para esta edição?

Tiago: São muito boas! Estamos a vender bilhetes e passes muito bem e esperamos que o festival traga novamente momentos únicos ao público. Estamos muito felizes com esta edição e temos grandes expectativas para os próximos dias.

 

Arriscamos antever a edição de 2018?

Tiago: Para já ainda não. Vamos ver como corre esta edição primeiro. No último dia falamos sobre a edição de 2018.

 

O Indie Music Fest terá lugar nos dias 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro no Bosque do Choupal em Baltar.

 

Fotografia: Shifter