Cultura

SONICBLAST MOLEDO: “WORSHIP THE RIFF”

O festival de stoner voltou na sua sétima edição a Moledo, concelho de Caminha. Durante dois dias de eletricidade, 11 e 12 de agosto, o riff foi rei.

A aldeia Moledo do Minho, em Caminha, é a escolhida desde 2011 para receber um festival que tem vindo a aumentar de público e que este ano esgotou passes gerais e bilhetes diários.

A localizaçao minhota, conhecida por ter boa praia para praticantes de surf e windsurf, é perfeita para uma junção de sol, mar, praia, surf, piscina, skate e música.

No dia 10, antes do arranque do festival, já os festivaleiros chegavam de tendas e mochilas às costas, preparados para a dose de energia que entretanto chegaria. Neste mesmo dia houve tempo para um warm-up. De tarde, no piso superior de uma esplanada à beira-mar (Paredão 476) tocaram Jesus the Snake e Chaos Ritual, cenário ideal para abrir os ouvidos dos espetadores, com o sol a cair em direção ao mar e as cervejas a ocupar as mãos dos ouvintes. À noite, a poucos metros dali, tocavam vindos de Almada os Desert Mammooth e de Braga os Mr. Mojo (Ruivo’s Bar, local onde viriam a ser os after-parties oficiais do festival). Aqui, num ambiente mais underground já se fazia mosh e crowdsurfing.

Eis que chega, finalmente, o dia onde a piscina se abre para todos aqueles que não queriam perder um mergulho enquanto ouviam música. A abertura do festival coube aos mexicanos Bar de Monjas, contentes por terem vindo a Portugal. A zona da piscina, com residência artística de Ricardo Dantas, ainda não estava cheia, mas durante o concerto dos espanhóis Holy Mushroom, com um baixo bem marcado e com tempo para um “blues de antigamente”, já se adivinhara o que viria.

Aqui, membros de Kikagaku Moyo, com os longos cabelos e calças à boca de sino, sentavam-se na beira da piscina por uns momentos a desfrutar do sol e da música. Seguiu-se It Was the Elf, banda oriunda da Serra de Estrela, que tem o intuito de criar música utilizando os elementos da montanha, conseguindo-o, não fossem os mais aplaudidos até ali.

Segue-se Stone Dead, mais produto nacional, que veio interpretar o seu álbum, muito aplaudido pela imprensa. Deram rock and roll que chegue para justificar qualquer mergulho na piscina ali ao lado e fizeram justiça ao que se tem dito sobre eles. A dar música ao ultimo mergulho do primeiro dia, os portugueses Black Bombaim, agora com saxofonista, fizeram o que sabem fazer, dar densidade ao ambiente.

A poucos metros ao lado do recinto da piscina, The Great Machine, banda stoner/psicadélica de Israel abria o palco principal. The Well, trio que tem como baixista e vocalista uma mulher de longos cabelos, imagem típica, seguiria a seguir para encerrar o dia e dar as odes a Yuri Gagarin, que viria no início da noite. A banda sueca, num concerto muito espacial e dimensional, cheio de instrumental bem tocado, veio explicar em cima do palco a razão do seu nome.

Kikagaku Moyo, os hippies japoneses, instrumentais, fizeram sentir bem que os ouvia. Misturam cítara com guitarras poderosas, baterias psicadélicas, baixos muito vincados; ao mostrarem as suas lindas harmonias encantaram, revelando que sabem ser ocidentais.

O trio Monolord viria depois, com novo álbum prestes a sair, num conjunto de vozes distantes e ritmos pesados, cabeça acima cabeça abaixo. Elder, os americanos de stoner vêm a seguir. Ritmos muito fortes, mas um vocalista não muito afinado, por vezes incómodo, que o instrumental, primazia nesta banda, disfarçava. Quem gosta gosta, quem não, The Cosmic Dead vem aí.

Começando o concerto a dizer que perderam o material na viagem, desde instrumentos a pedal boards, tendo agradecido aos Elder e Monolord pela gentileza do empréstimo de material (um dos escoceses nunca tinha tocado sintetizador, avisa). “Black Bombaim!”, gritava o vocalista. A seguir, esgalharam o rock, o heavy, o stoner, mas o riff em primeiro lugar.

Acabado o primeiro dia, muitos foram dormir e preparar para “o amanhã”, mas outros tantos não o conseguiam e ficaram nas tendas a fumar, beber ou terminaram na zona à beira-praia, apesar de o bar do after-party não estar muito preenchido.

Dia 2

O dia 12, segundo e último, acordava com sol, com um mergulho no mar para acordar, com uma cerveja num café na praia para o mesmo efeito. No dia de Colour Haze e Orange Goblin, havia quem só chegasse para este dia. A piscina continuava a partir das 13h30, a começar com a banda portuense Ana Paris.

Vinham Vinnum Sabbathi, outros do México, que trouxeram samples vocais do tipo espacial enquadrados em ritmos a tender para o metal. Löbo, com o seu psicadelismo, tocavam antes de Blaak Heat, que tinha muita gente de pé para os ver (um cenário não muito comum). A zona da piscina enchia a cada minuto que passava, aumentavam os copos de cerveja, o fumo dos charros e as palmas para o tecnicismo de Blaak Heat.

Toxic Shock vem depois deixar de boca aberta todos os que assistiam, quando um dos membros saltou do topo do palco para a piscina ali ao lado (um belo momento, só visto). Death Alley fechavam mais tarde o recinto da piscina. Mergulhos, agora, só na praia.

O heavy stoner de Sasquatch abria o palco principal, seguido de The Machine, banda veterana que acompanhou, com rock progressivo, os últimos raios de sol. Acid King, com noite ainda virgem, num som muito alto e vincado, ritmado, preparavam o terreno para o que viria. Colour Haze, alemães, com álbum editado este ano, não precisavam de mais de sete músicas para arrepiar os ouvintes. Abrindo com, She Said, consolidando com Aquamaria, cujas malhas de guitarra saíam cantadas por muita gente, tocando duas músicas do novo álbum, passando pelo álbum homónimo, iam-se embora com Tempel e com um sorriso enorme na cara. Quem os ouviu mais nada apetecia dizer a não ser palavrões de como foi bom este concerto. Mais ainda quando Stefan Koglek, guitarrista e vocalista, anunciou que iriam voltar a Portugal.

Orange Goblin, banda britânica formada nos anos 90, foram uns monstros no que toca à música. O vocalista começava por dizer que estavam ali todos para o mesmo: ouvir música, seja ela rock ou heavy metal. Foi um concerto cheio de mosh e crowdsurfing. Havia vagas no meio do terreno que depois acabavam com saltos e encontrões e suor, muito suor com sabor a rock e a eletricidade.

O festival acabava com Dead Witches, que pretendem transportar quem os ouve para outro mundo, o mundo da escuridão. Agora, acabados os concertos do festival, seguia-se ou para o after party ou para o mesmo que se fez no dia anterior. O dia seguinte era de viagem, uns para Paredes de Coura, outros para casa e outros destinos mais ou menos festivaleiros.

Ficou o sentimento de calor e energia que aqueceu todo o fim-de-semana de festival. Muitos são repetentes, outros a primeira vez. Para o ano poderão repetir a experiência nos dias 10 e 11 de agosto. Agora é tempo de descansar e ressacar das malhas tocadas. Worship the riff, como se lia nas costas de uma festivaleira, em SonicBlast Moledo. Sem dúvida.