Cultura

CORO DE CÂMARA D’OURO APRESENTA “REQUIEM FOR THE LIVING”

O coro de Câmara d’Ouro de Vila Real apresentou no sábado (29), na Sé da cidade, a obra "Requiem for the Living" de Dan Forrest, um concerto único a nível nacional.

A cidade de rio Corgo abriu novamente as portas à cultura musical, que encheu o espaço da Sé e foi “de chorar por mais”.

O Ex libris de Vila Real assistiu à estreia de uma obra que dá nome a uma espécie de ritual para os mortos. A palavra Requiem vem do latim e significa descanso, também conhecida como “Missa para os mortos”, oferecida para o repouso das almas.

Os ensaios começaram cedo. No entanto, o ambiente era de festa e descontração. À pergunta “Estão nervosos?”, a resposta foi “Não, achamos que vai correr bastante bem”. E correu. A acompanhar um longo aplauso caloroso, o público mostrou o seu entusiamo com assobios e a constante repetição de “Bravo!”.

A apresentação da obra dividiu-se em duas partes. Um momento inicial é protagonizado apenas pelos membros do Coro de Câmara d’Ouro, sob a direção do Maestro José Gonçalves, onde nos são apresentadas as obras Sicut Cervus de Giovanni Palestrina, The Lord bless you and keep you de John Rutter, Seal Lullaby de Eric Witacre e por fim Ave Verum Corpus de Wolfgang Mozart. Após a primeira atuação inicia-se, de facto, o Requiem, sob a coordenação do Diretor Musical Luís Santos que revela a chave do concerto – “o que nos propomos a fazer esta noite é a interpretação dessa mesma obra, prevendo, instituindo e tentando alcançar junto do público essa sensação de paz, contrariando o ritmo fugaz e frenético do nosso dia-a-dia, que todos nós vivenciamos”.

Neste período de reflexão foram interpretadas músicas Sacras, cujo objetivo era apelar a diferentes sentimentos no público. Ao Introit – Kyrie estão associadas súplicas por descanso e misericórdia. O segundo cântico Vanitas vanitatum evoca sensações de tumulto e sofrimento, facilmente percebido nos ritmos agressivos da música. De seguida, o Agnus Dei implora por salvamento e paz, uma melodia que oferece tranquilidade e plenitude. O Sanctus evidencia um sentimento de alegria e de louvor, conjugado com um ritmo frenético cheio de energia. O concerto termina com o cântico Lux Aeterna, entoado de forma doce, de modo a retratar a luz, paz e repouso, tanto para os vivos como para os mortos.

Alexandra Amaral, soprano do grupo e responsável pelo departamento das Relações Públicas, afirma que “o nosso objetivo é levar a música coral a toda a gente, para que não se sinta que a música é só o privilégio de alguns, nós queremos chegar a toda a gente”.

O grupo nasceu em 2014 e tem 14 elementos. É composto por quatro naipes vocais: sopranos, contraltos, tenores e baixos, e conta com uma pianista residente e com o Maestro.

A adesão ao concerto foi tão positiva que no dia seguinte, domingo, foi repetido e o público voltou a encher a Sé vila-realense.