Cultura

PARTY SLEEP REPEAT: DO LADO DE CÁ

Há uma semana atrás festejava-se em São João da Madeira, no Party Sleep Repeat. Hoje o JUP tenta fazer a perfeita repetição, através do testemunho de quem esteve do lado do público.

A música dos Sunflowers já enchia a Oliva Creative Factory quando o primeiro shuttle chegou a São João da Madeira. Joana Patrícia de Sousa corria para perder o mínimo possível do concerto- “Entrevistei-os na semana passada e prometi-lhes que vinha cantar todas as músicas.”, contou ao JUP. Chegou a tempo de ouvir “Hasta la Pizza”, a música que mais esperava, e ainda foi chamada pelo Carlos de Jesus, membro da banda, para tocar guitarra.

No lado oposto a Joana encontravam-se dois girassóis. A relação com a banda era inegável. Por trás das máscaras de cartão estavam Jorge Teixeira e Rui Canastro, organizadores do festival Basqueiral, no qual os Sunflowers também marcarão presença. Quando foram questionados acerca da sua presença ali confessaram que vieram “para lhes dar um miminho, porque eles merecem e para lhes dizer que estamos cá”.
Uma pausa de quinze minutos foi o suficiente para recuperar energias para o concerto que se seguia- os Toulouse. Na primeira fila, Miguel Lestre, vocalista dos Prana- banda que mais tarde atuaria na Sala dos Fornos- ia movendo o corpo ao ritmo das músicas da banda Vimaranense. “Não só por estar na minha terra e por ser a 5ª edição seguida a que eu venho, é mais estranho tocar no festival do que propriamente estar a ver as bandas.”, disse ao JUP no fim do concerto. Miguel Lestre tem como hábito pôr-se do lado de cá, e sabe melhor do que ninguém qual é a energia que uma banda precisa de sentir por parte do público. Para contornar aquilo que não gosta que lhe aconteça utiliza uma tática que considera infalível- “Os concertos começam, o pessoal começa a recuar. O que eu faço é: se estiver muito espaço entre o público e a banda, entre cada música dou dois passos em frente. O pessoal começa a seguir e de repente estão todos à frente. Acho que é a melhor coisa.”, confessou o vocalista dos Prana.
A conversa com Miguel Lestre chegava ao fim e como música de fundo começavam a tocar os espanhóis Baywaves. Cristiano Rocha e Maria João assistiram ao concerto do início ao fim, trocando entre si sorrisos e algumas palavras. Por trás do palco o sol ia-se pondo, pronto para deixar a noite presenciar novas estórias. “Um bocadinho colados aos Tame Impala, mas bons”, disse Cristiano Rocha que foi interrompido pela amiga, Maria João, “Eu acho que os Tame Impala devem ser a rampa deles. Não sei, porque eu não conhecia a banda. Mas gostei! E quando o meu amigo me disse que eram espanhóis eu pensei no pequeno Frankenstein e assustei-me”, disse entre risos. “Depois ele disse-me que cantavam em inglês e eu assustei-me ainda mais. Mas já me arrependi porque estou a gostar imenso.”, concluiu a ideia.
O último a pisar o palco exterior foi Adão, com um dj set. O ecrã na zona de alimentação com o jogo Sporting-Benfica não foi impedimento para que se continuasse a dançar e a celebrar a amizade na fábrica da Oliva.
Às 22h os Prana pisaram o palco da Sala dos Fornos. Miguel Lestre passou do lado de cá para o lado de lá. João Barros, Leonor Pacheco e Mário Cardoso cantaram todas as músicas, sem hesitar, e não pararam de saltar por um minuto. Vindos do Porto de propósito para assistir ao concerto da banda que admiram, contaram ao JUP que esperaram três anos por este momento. Soube-lhes a pouco e esperavam “pelo menos” um encore, onde fosse cantada a “A Valsa do Cupido, esse sacana”. Ainda assim não pouparam elogios à banda de São João da Madeira – “Eles têm uma energia e uma sonoridade contagiantes.”, concordaram os três.
A energia contagiante dos Prana preparou o ambiente igualmente enérgico do concerto dos Marvel Lima. Os corpos já estavam aquecidos, as vozes já começavam a ficar roucas e a noite tinha acabado de começar. No meio da multidão estava Beatriz Moreira, a deixar-se ser contagiada. “Até agora foi um dos concertos em que mais dançamos. E o pessoal estava a aderir ao concerto deles, foi o concerto em que mais pessoas estiveram em sintonia com a banda.”, comentou no fim do concerto.
Beatriz ficou com as amigas perto da linha da frente à espera do próximo concerto, dos Riding Pânico. Voltou a falar com o JUP e fez uma comparação com o concerto anterior- “Esta era uma banda com músicas mais introspetivas. Já não dava tanto para estar a dançar, era mais para cada pessoa estar sozinha a pensar. No público está cada um na sua onda, mas também foi um concerto incrível.”.
Dentro de momentos chegava um dos mais esperados na noite- The Legendary Tigerman. Em jeito de celebração aos Blues e ao Rock ’n’ Roll, Tigerman foi cantando as suas músicas, acompanhadas por pequenos vídeos filmados em Super 8. A sintonia foi tal que no fim do concerto o Homem-Tigre fez um crowdsurf enquanto cantava “Twenty First Century Rock ’n’ Roll”. Mas não foi o único. Nelson Oliveira, natural de São João da Madeira, surfou em cima do público, naquele que para si foi “o melhor concerto de sempre”. “Felicidade, alegria, adrenalina e energia” foram as palavras que encontrou para descrever o que sentiu.
O cansaço já era visível, mas a festa continuou até amanhecer com La Flama Blanca e A Boy Named Sue.
No Party Sleep Repeat quase toda a gente se conhece. Trocam-se abraços e olhares cúmplices, conhece-se novas bandas, e faz-se a promessa de que para o ano a festa se irá repetir.