Cultura

DÓ, RÉ, MI, GIAMPAOLO DI ROSA

Di Rosa é um organista italiano que escreve em cada parte do mundo um pouco da sua história. Em entrevista ao JUP conta como começou e promete que os planos futuros são “continuar a tocar”.

Giampaolo Di Rosa nasceu a 30 de Dezembro de 1972 em Itália. Desde os nove anos de idade que percorre com os dedos das mãos as teclas do rei dos instrumentos: o órgão. Foi em Roma que iniciou o seu percurso académico e musical. Estudou órgão, composição, canto gregoriano e improvisação litúrgica. É frequentemente apelidado como “o cavaleiro andante da música” – de Roma seguiu para Nápoles, depois para a Alemanha, onde tirou a pós-graduação, mestrado em órgão, estudou cravo, performance e pedagogia musical, e passou ainda por Paris. Com 29 anos chegou ao Porto, que lhe abriu portas à investigação e à transmissão de conhecimentos através de aulas, e viajou para Aveiro, com o fim de realizar o doutoramento. Terminada esta caminhada musical regressou a casa, e é atualmente organista titular em Santo António dos Portugueses, a Igreja da nação portuguesa em Roma.

Poliglota, mostra-se fluente em sete idiomas distintos que incluem o português, o italiano, espanhol, inglês, alemão, francês e o romeno. Esta caraterística revela-se uma mais-valia nos concertos que dá por todo o mundo. Desde Santo António, que tem um dos maiores festivais de órgãos a nível internacional (todos os Domingos ao longo do ano há um concerto), a Vila Real, em Portugal, Leon, na Espanha, Alemanha, Polónia, Escandinávia, Rússia, América, Hong Kong, Singapura e Austrália, Giampaolo confessa que tem áreas privilegiadas de atuação.

Para os mais curiosos, Di Rosa explica qual é a constituição de um órgão de tubos – “o órgão tem muitas artes e é tão grande, complexo que pode ser considerado como um grande edifício, ou até como um barco ou navio de cruzeiro enorme. Tem uma parte principal que são os tubos, que são como instrumentos e estes são alimentados por ar que portanto é gerado pelo motor através de um sistema complexo de transmissão, e é tocado tudo isto por teclados e um teclado particular é tocado com os pés. Portanto como definição o órgão é instrumento de tubo, de ar e de tecla.”

Giampaolo salienta a importância do instrumento para a produção musical e afirma que “o órgão é o instrumento maior e nele estão presentes outros instrumentos como flautas, violas, trompetes, oboé, até que é chamado o rei dos instrumentos e tem um repertório que é o maior possível em termos de séculos”.

O organista italiano interpreta, preferencialmente, temas de artistas como Mozart, Bach ou Beethoven, mas também trabalha muito à base de improvisação. No ano corrente, 2017, vai estrear o integral para órgão de Oliver Messian.

Giampaolo Di Rosa vai estar na Sé de Vila Real, onde também é organista titular, no dia 19 de Maio para a realização de mais um concerto de órgão de tubos.