Cultura

PORTO/POST/DOC: PARA QUEM SE ARREPIA COM HISTÓRIAS REAIS

O festival de cinema internacional do Porto volta a estar centrado nas “novas formas do cinema contemporâneo, com especial ênfase no documentário”. Nesta terceira edição, o foco é o cinema sensorial. Entre exibições, debates, oficinas, aulas, festas e concertos há mais de cem atividades espalhadas por nove dias. Começa já no próximo sábado (26), no Rivoli.
Fotografia retirada do site oficial do festival.

O sensorial, que “convoca novas tecnologias digitais e abordagens inovadoras ao mundo”, como se lê no site do festival, vai estar presente em diversos filmes em exibição. Num ciclo de cinema dedicado às histórias de comunidades, procura-se experimentar um novo género híbrido que mistura o documentário e a ficção.

Há treze filmes em competição e três são portugueses: Ama-San, de Cláudia Varejão, Eldorado XXI de Salomé Lamas e Tarrafal de Pedro Neves. Pela primeira vez, o festival apresenta uma competição de filmes de escola realizados por alunos de universidades e politécnicos portugueses, ou de estudantes portugueses a estudar no estrangeiro.

O grande foco divide-se entre as retrospectivas do cineasta brasileiro Eryk Rocha e ao Sensory Ethnography Lab (SEL) de Harvard, um laboratório de documentários que promove combinações inovadoras de estética e etnografia. Dentro deste foco vão ser exibidos os “filmes poéticos” da cineasta checa Jana Ševcíková, que tem investigado comunidades esquecidas do Leste Europeu.

No Fórum do Real assiste-se a debates entre académicos, programadores, críticos e cineastas sobre o “cinema e a sua experiência sensorial”. Já na secção “Cinema Falado” valoriza-se o cinema português e o cinema em português. Este ano há uma um documentário sobre o trabalho de Álvaro Siza Vieira, um filme francês rodado no Porto sobre os sem-abrigo e o diário de viagem de um realizador português, Pedro Ferreira.

Para os interessados em música, há filmes que destacam músicos, bandas e movimentos musicais que marcaram a cultura popular e há concertos e festas a partir da meia noite. Tunnel Vision, o guitarrista Filho da Mãe e o super-grupo punk Patrulha do Purgatório são alguns dos nomes que vão atuar.

A programação está dividida pela baixa, entre o Rivoli, o Passos Manuel, o Maus Hábitos e a Cave 45.

School Trip Mini: Os mais pequenos também vão poder viajar

Há pela primeira vez um programa feito para crianças e jovens, dos 4 aos 14 anos. “Mini” está inserido no “School Trip”, projeto educativo do festival e segundo a organização quer ser “uma porta de entrada para o festival, promovendo iniciativas pedagógicas, orientadas por uma equipa de profissionais”.

A cineasta convidada desta edição é Leonor Teles, vencedora d’O Urso de Ouro no último festival de Berlim. Vai ser exibido, no dia 30, o documentário premiado, “Balada de Um Batráquio” e o “Rhoma Acans” o seu primeiro documentário. No final a cineasta vai estar à conversa com o público.

O “Mini” começa no segundo dia do festival (27) com oficinas grátis dedicadas ao cinema. Durante 28, 29, 30 Novembro e 2 Dezembro vão ser exibidos uma seleção de filmes para o 1º, 2º e 3º ciclo de ensino.