Cultura

CANTOR, DANÇARINO E “SURFISTA”: MARÉS DE FÃS RENDERAM-SE A JAMES

A 14ª edição do Meo Marés Vivas recebeu grandes nomes do panorama nacional e internacional em três dias repletos de surpresas e de grande fervor patriótico. O último dia contava com Tom Odell, Rui Veloso e James, mas foi este último que colheu os aplausos mais fortes e os sorrisos mais rasgados do público.
Fotografia por Vanda Pinto

Depois de um primeiro e  segundo dia arrebatadores, a tarde do terceiro dia do festival Meo Marés Vivas começou tímida. Aquando da prestação de Beth Orton, a cantora e compositora inglesa que venceu um BRIT Award, o recinto contava com um número reduzido de festivaleiros. À medida que o tempo corria, e já com Tom Odell em palco, o ambiente começava a compor-se.

“Still getting used to being on my own” foi o tema com que deu início ao concerto, seguindo-se “I Know”, “Wrong crowd”, “Can´t pretend” ou “Sparrow”. Como era de esperar, o grande êxito “Another Love” estava reservado para os momentos finais, tendo recebido o apoio das vozes bem afinadas da multidão. No entanto, foi com “Magnetised” que terminou o concerto, deixando as pessoas atraídas pela energia que provinha das teclas do piano violentamente premidas e da forte percussão do baterista. Ainda durante a última prestação, deixou-se abraçar pelo público e subiu para o piano, segurando com fervor a bandeira portuguesa.

Por volta das 22h30 foi Rui Veloso que entrou em cena. “Olá pessoal”, saudou o músico. De guitarra elétrica na mão, começou ao ritmo animado de “Rio abaixo, rio acima”, seguindo num tom sereno para “Não me mintas”. De passagem por “Porto Covo” não recebeu nenhum “bilhete para ir ter ao jardim”, mas recebeu o apoio incontestável de uma plateia que claramente aprendeu bem a lição de casa, lançando-se no “Primeiro Beijo”. Até chegar a “Porto sentido”, quis deixar uma mensagem: “A música que vem a seguir tem que chegar a Nice (…) Portugal é um país de paz, da paz, em que toda a gente cabe”, afirmou convicto o músico português. Seguiu com “Todo o tempo do mundo” para “Nunca me esqueci”, sem deixar de lado o “Chico Fininho”. A sua saída do palco após este tema não poderia ser definitiva, porque numa noite em que houve em palco um pedido de casamento ficava a faltar o “Anel de rubi”. Também o tema “Não há estrelas no céu” foi cantado quando Rui Veloso regressou e não quis abandonar o palco sem antes dizer: “Obrigadíssimo! Foi fabuloso. É fantástico vocês estarem desse lado (…) Viva Porto! Viva Gaia! Viva Portugal!”.

O último dia do festival nortenho foi de James

A banda inglesa da cidade de Manchester que já tinha marcado presença há dois anos no Meo Marés Vivas regressou triunfante, poderosa e confortável. A receção calorosa assim o proporcionava. “Welcome home, James” era a mensagem presente num cartaz de uma fã, que à semelhança de milhares de pessoas, não escondeu o contentamento quando o artista entrou em palco. A partir daqui, contaram-se duas horas de um concerto pleno de energia e momentos inusitados.

Aquando da música “Move down south”, o vocalista Tim Booth moveu-se mesmo para sul, desceu as escadas, sob a luz dos múltiplos holofotes, e deixou-se agarrar pelos fãs das primeiras filas. De repente, sem medo, atirou-se para a multidão à sua frente, percorrendo milhares de mãos sem nunca esquecer o microfone. Após “She’s a star” e “Curse Curse” chega a “Surfer’s song”, momento ideal para uma nova investida no crowdsurfing. Com a audiência mais que conquistada, Tim Booth deixou várias vezes o público a cantar sozinho, enquanto se imobilizava enternecido ao ver o coro exímio dos milhares de fãs que provaram conhecer bem o repertório do cantor.

Desde os constantes movimentos curvilíneos e vibrantes da dança do cantor ao megafone, passando por um solo de violino de Saul Davies, foram várias as peripécias que marcaram o espetáculo. “Estamos a chegar ao fim do concerto”, começou o vocalista, que perante a reprovação da plateia, disse divertido: “A menos que insistam”. Depois de “Attention”, num tom mais introspetivo, e “Sometimes”, a banda saiu do palco, mas ninguém saiu dos seus lugares, aguardando o regresso do grupo. Passados poucos minutos, voltou com “Moving on”, continuando a não dar descanso aos corpos dos festivaleiros que se agitavam energeticamente.

E, desta vez, o concerto estava mesmo a chegar ao fim. Para último, deixou o famoso êxito “Getting away with it (All messed up)”, terminando em grande um espetáculo eletrizante que nunca deixou abrandar a emoção e o ritmo. “Thank you for looking after me. See you soon”, despediu-se o vocalista.

A 15ª edição do festival nortenho já tem data marcada, estando agendada para os dias 13, 14 e 15 de julho.