Cultura

PONTOCULTURA: SIRUMBA, LINDA MARTINI

"pontocultura" é o novo espaço de crítica do JUP. Sai quinzenalmente e põe um ponto em cada novo lançamento, estreia ou evento. O primeiro analisa o novo álbum dos Linda Martini, Sirumba, lançado no dia 1 de abril.

Curioso ou não, há quem ainda acredite e defenda que o que é nacional é que é bom. Felizmente para alguns, indiferente para outros, não há dúvidas que há quem se queira fazer ouvir e o consegue. Os Linda Martini são prova viva e contra factos, não há argumentos.

Após Olhos de Mongol, Casa Ocupada e Turbo Lento, a banda Lisboeta deixa-nos Sirumba, o seu quarto álbum.

É com o tema homónimo que os Linda Martini abrem um dos álbuns mais esperados para este ano. Com um início já tão nosso conhecido, a música caminha para um refrão explosivo e direto que se repete sem nunca cansar. Não esquecer os 30 segundos que antecedem o terceiro refrão: a música ascende, os nossos ouvidos acompanham e tudo encaixa perfeitamente. O retorno ao refrão é rápido e conciso. Bom começo para os Linda Martini.

Segue-se Unicórnio De Sta. Engrácia, o primeiro single lançado deste novo álbum. É quase, é quase, é quase, é quase teu, um verso que nos leva até à exaustão. Começa no bater do pé, estende-se até às pernas e aos braços e termina na cabeça com um movimento desajeitado. Entretanto, o ritmo acelera, ganha intensidade e desgasta-se até ao limite. Entra o refrão e conseguimos respirar, de novo, um ar tranquilo e regenerador. Uma verdadeira montanha russa de emoções.

 

De Preguiça o próximo tema não tem nada. Com uma sonoridade mais melancólica, os Linda Martini exploram, nos instrumentos e na letra, o seu lado mais poético e musical.

Putos Bons traz-nos aquele que poderá ser o melhor refrão de Sirumba: uma letra uniforme, visualmente bonita, acompanhada por um instrumental intenso e gritante. No fim, a música começa a despertar no ouvinte emoções  confusas ou, talvez, variadas. Começa de forma delicada e em segundos explode, surgindo, de fundo, uma voz que imaginamos aparecer entre a neblina da manhã. A voz desaparece e a música começa a decrescer, um sinal que o bom está para acabar.

Mas há mais. Bom Partido retoma um tom triste, sombrio e pensativo. Uma música leve e apaixonante, fácil de carregar na memória. Pouco é dito depois de se ouvir este tema. Afinal, ele fala por tudo e por todos.

O fim está próximo e pelos dedos contam-se as músicas que restam. É o tudo ou nada.  Farda Limpa revela-se um tema estável, sem grandes oscilações. Talvez pouco de novo acrescenta ao álbum, mas é inegável a sua harmonia bem conseguida. A manter no álbum.

O solo de guitarra que inicia Comer Por Dois é uma chamada de atenção. Ficamos imediatamente presos a esta e, de olhos fechados, sentimos cada toque, cada palavra, cada som. Fica na cabeça tudo o que nos atropela é a deixa para um último suspiro: rompe um conflito interior onde o vencedor e o vencido são ainda desconhecidos.

Dentes De Mentiroso inicia com uma guitarra aguçada e uma bateria infalível e termina tranquilamente com: E a vida acontece aos outros. O que estás a pensar?

Hoje não foi O Dia Em Que A Música Morreu. Os últimos 6 minutos e 34 segundos deste álbum tornaram-se num belíssimo hino: um grito de glória a nós mesmos.

E com pouco vos digo que Sirumba é, sem dúvida, um álbum a recordar.