Cultura

GNR DE BRAÇOS DADOS COM RIVOLI: 30 ANOS DE “PSICOPÁTRIA”

Na passada quarta-feira (9), o Porto celebrou os 30 anos de “Psicopátria”, o lendário álbum dos GNR lançado em 1986. Com sala esgotada, o Rivoli recordou o álbum que trouxe à banda uma sonoridade mais pop.
Fotografia por Bernardo Guerra Machado

O concerto inseriu-se no programa Porto Best Of cujo objetivo é relembrar álbuns emblemáticos da música e/ou de músicos do Porto. Em cada noite, um artista ou banda simbólica da cidade do Porto tocará, na íntegra, o seu primeiro álbum ou o que mais influenciou o seu sucesso.

“Pós-Modernos” foi o passe de entrada para uma noite nostálgica, repleta de boas memórias. A banda rendeu-se, de imediato, ao carinho e encanto do público. A felicidade era geral e impossível de ser disfarçada. Rui Reininho não tardou a libertar-se em palco, fruto da sua personalidade destemida, mas também tão amigável, a que todos se habituaram.

“Bellevue” foi o segundo tema a ser apresentado. Reconhecido no primeiro segundo, o público acompanhou-o com emoção e paixão: ora cantavam, ora batiam palmas. De braços dados com o público, os GNR souberam envolver a audiência num ambiente íntimo e harmonioso que se manteve ao longo da noite.

“Dá fundo”, “Cerimónias”, “Efetivamente” e “O Paciente” deram espaço a pequenos movimentos desajeitados, mas entusiastas. Em perfeita sintonia, o público começou, gradualmente, a levantar-se das cadeiras e a dançar fluidamente enquanto Rui Reininho, acompanhado pela banda, se desinibiu e encheu o palco com o seu modernismo próprio.

Durante alguns minutos, o vocalista dos GNR abandonou o palco e deixou ao Rivoli “Coimbra B”: um perfeito casamento entre o piano e a guitarra, com um tom íntimo, melancólico e, igualmente, sedutor.

Embalado na doçura de “Ao soldado desconfiado”, o público balançava, suavemente, a cabeça enquanto momentos eram, mutuamente, recordados.

Durante a noite, desenvolveu-se um constante diálogo entre o público e a banda. Entre risos genuínos e intervenções divertidas de Rui Reininho, a sala não conheceu nenhum momento de silêncio. Foi uma espécie de encontro de amigos que há muito não se viam e que se juntaram com um único propósito: relembrar e celebrar momentos passados, momentos esses marcantes na vida de cada um.

Terminaram com “Nova Gente” e “Choque Frontal”, onde o público, finalmente, deixou os seus lugares e lançou-se para junto do palco, quase como estivessem a reviver os seus tempos de jovens onde tudo era vivido de forma descomprometida e sem destino.

E foi com toda a sala em pé a aplaudir que os GNR se despediram, mais uma vez, com a certeza de que, passados 30 anos, o “Psicopátria” continua ainda bem presente na mente e na história de cada um.

A noite contou ainda com a atuação de “Lobo”, a banda convidada que abriu o concerto para os GNR.