Cultura

SERRALVES VESTE-SE DE POP ART

Foi inaugurada ontem (5), em Serralves, a exposição The Sonnabend Collection, que resulta de obras adquiridas por Ileana Sonnabend, uma das principais galeristas do século XX. Surge como celebração do meio século de Arte Europeia e Americana e traz consigo pinturas e esculturas dos principais artistas dos anos 50 e 60, entre eles Andy Warhol e Roy Liechtenstein.

O ponteiro do relógio marcava as dez horas da noite, quando os seguranças do Museu de Serralves deram permissão para avançar. Tinha chegado a hora: todos aqueles que se encontravam à espera para ver com os seus próprios olhos obras que marcaram a história da arte, podiam avançar.

As boas-vindas foram dadas pela escultura do rosto de Michael Sonnabend, por George Segal, e pelo retrato de Ileana Sonnabend, por Andy Warhol. Encontram-se à entrada, como ponto de partida, para que sejam logo conhecidos os responsáveis pela coleção e como representação da importância que ambos tiveram para a arte do século XX.

A primeira sala, Arte Pop e Nouveau Réalism, apresenta artistas com técnicas que diferem em muito umas das outras – da linguagem pop de Jasper Johns à exploração de materiais banais retirados do seu sítio habitual de John Chamberlain, chegando aos fenómenos da cultura visual: Roy Lichtenstein e Andy Warhol. Ali, sem fita de distância mínima a separar o visitante da obra, é possível ver cada imperfeição dos pontos da banda desenhada de Lichtenstein ou dos contornos de uma Campbell Soup de Andy Warhol. São as obras que qualquer estudante de arte está habituado a ver nos livros de história, com as imperfeições que os computadores não deixam ver, tornando ainda mais real a sensação de se estar perante um original pintado por um génio.

Se na primeira sala não faltam cor e motivos figurativos, facilmente associados ao consumismo que se começou a fazer sentir nos anos 50, na segunda sala o excesso de informação desvanece. Tendo como temas a Arte Povera e o Antiformalismo, o contraste na passagem da sala anterior para esta passa a fazer sentido, uma vez que nestes movimentos artísticos o valor deve ser dado ao processo e não à obra de arte em si.

Seguindo o seu caminho, os visitantes e apreciadores de arte dirigem-se à terceira sala, na qual se deparam com obras minimalistas. A sala é iluminada, o que reflete não só a importância da luz, mas também da cor e da transparência, na corrente da segunda metade dos anos 60: o Minimalismo. A obra “Everything is Purged From This Painting But Art; No Ideas Have Entered This Work” de John Baldessari, uma tela branca com a frase do título pintada a acrílico, atrai os mais curiosos que, entre gargalhadas e elogios ao humor do autor, vão tirando fotografias com os seus telemóveis.

Dirigem-se às quatro últimas salas, com passos calmos, ainda a conversar sobre tudo o que viram até ali. “Impressionante”, “diferente” e “genial” são as palavras que escapam entre conversas paralelas.

As quatro últimas salas reúnem obras com visões excêntricas do mundo real ou imaginário. À esquerda, “Uomo seduto”, em português “Homem Sentado”, de Michelangelo Pistoletto,  apresentando as salas que trazem de volta o figurativo. A obra que consiste na pintura de um homem sentado sobreposta a um espelho está estrategicamente posicionada, representando com o espelho a primeira experiência figurativa humana: o reconhecimento do Homem da sua própria imagem. Seguem-se obras do movimento neo-expressionista alemão, que vão abordando a memória, com ou sem referências ao passado.

A exposição acaba com uma instalação de Barry Le Va que, segundo a folha de sala, sugere atividades físicas e mentais. Requer uma observação com tempo e dá ao visitante a possibilidade de ali ficar a refletir, após a viagem no tempo que foi feita ao longo das sete salas.