Tecnologicamente Falando

Aspiradores Robô

Pequenos e versáteis, os aspiradores robô já fazem parte da lista de eletrodomésticos indispensáveis a muitas casas. Por Pedro Alves

Aspirar é uma das tarefas mais recorrentes nas lides domésticas. Para uma boa higiene dos soalhos da casa, recomenda-se que estes sejam aspirados, pelo menos, uma vez por semana. As carpetes em zonas de passagem devem ser aspiradas, pelo menos, duas vezes por semana. Se tiver animais, a recomendação é que aspire todos os dias nas divisões onde passa mais tempo e/ou onde prepara refeições. Isto significa que pode ter que despender de 30 minutos a 4 horas, por semana, a aspirar a casa.

Felizmente, existem alternativas ao tradicional aspirador manual. Os aspiradores robô tornaram-se populares em 2014, com o aspirador Roomba, da marca iRobot, que foi um dos impulsionadores do crescimento acentuado deste eletrodoméstico inteligente. Atualmente, cerca de 14 milhões de casas nos Estados Unidos (cerca de 11%) têm um aspirador robô.

Fonte: Roomba

O princípio de ação dos aspiradores robô é semelhante aos tradicionais: a sujidade é recolhida com a ajuda de escovas e depois sugada, chegando a um depósito após passar por um filtro. Mas é na movimentação autónoma e possibilidade de programação que residem as grandes diferenças destes pequenos, mas inovadores aparelhos, face ao aspirador tradicional.

O que são aspiradores robô e como funcionam?

A tecnologia para o funcionamento dos aspiradores robô foi patenteada em 2002 pela iRobot, tendo resultado do trabalho de investigação de Rodney Brooks, um engenheiro de robótica do Massachussets Institute of Technology (MIT), e co-fundador da iRobot. Rodney inspirou-se na Natureza, ao observar o comportamento de insetos, como as formigas. Reparou como estas, sem grandes faculdades cognitivas, se movimentam em busca de comida e voltam à colónia, para depois regressarem com outras formigas ao local onde encontraram comida. Constatando que as formigas o conseguem fazer ao seguir um conjunto de simples regras na sua movimentação como, por exemplo, alterarem a rota após embaterem num objeto.

Este conjunto de regras foi aplicado à programação dos aspiradores robô e está descrito na patente. Simplificando, o aspirador robô deve ir em frente por defeito, a não ser que bata em algum obstáculo. Nesse caso, deve parar, rodar ligeiramente e voltar a andar em frente. Se detetar que o obstáculo com o qual embateu se mantém sempre à mesma distância (como no caso de uma parede), deve continuar em frente, para que essa distância se mantenha constante. Seguindo este conjunto de três regras básicas, o aspirador consegue percorrer quase na totalidade a área útil de uma divisão. Exemplo disso é a imagem abaixo, na qual um aspirador robô com luzes LED cor de rosa foi fotografado ao longo de vários minutos (fotografia de longa exposição), enquanto percorria uma sala escura.

Fonte: Tyler Lizenby/CNET

Mas como é que os aspiradores conseguem detetar se estão a embater em objetos ou que distância já percorreram? Para isso recorrem a um conjunto de sensores:

  • Sensor de queda – tipicamente, através de um feixe de luz infravermelha, o sensor mede a distância da base do aspirador robô ao solo. Se essa distância aumentar, significa que está num precipício, como um degrau, e o aspirador recebe ordens para recuar;
  • Sensor de colisão – é ativado quando o aspirador robô embate contra algo. Se detetar que a distância ao obstáculo se mantém após o robô tentar andar noutra trajetória, faz com que o robô siga paralelamente ao obstáculo (exemplo: para ir ao longo de uma parede);
  • Sensor ótico – através de um feixe de luz na zona das rodas, este sensor permite contar o número de vezes que as rodas giram. Como o perímetro da roda é conhecido, o processador do aspirador robô consegue quantificar a distância percorrida.

Para além dos sensores, que são fundamentais ao funcionamento do aspirador robô, existem outros elementos tecnológicos. Tipicamente, estes aspiradores têm uma estação base, da qual partem antes de cada rotina de aspiração, e que permite que recarregar a bateria (cada ciclo de carga costuma ser suficiente para 1 a 3 horas de funcionamento). Algumas destas bases permitem, inclusive, o esvaziamento automático dos depósitos do aspirador, para que este possa limpar várias vezes antes que seja preciso deitar fora o pó acumulado. Contudo, eventualmente terá que esvaziar o contentor da estação base.

Adicionalmente, como os aspiradores robô são, na sua grande maioria, circulares, costumam ter uma ou duas escovas cujo raio de ação se estende para além da base do aspirador, para que possam chegar a esquinas e outros locais de difícil acesso. Normalmente, a integração destes eletrodomésticos com uma app para smartphone permite personalizar o funcionamento do equipamento. Nos modelos mais avançados permite, por exemplo, programar em que dias e quais áreas da casa o aspirador deve limpar. Alguns aspiradores podem ser igualmente integrados com assistentes de voz, como a Siri ou o Google Assistant.

Vantagens e desvantagens

A principal vantagem deste tipo de aparelhos é a comodidade que oferece por não se ter que preocupar com aspirar a casa manualmente (pelo menos, não tão frequentemente quanto o faria). Os modelos de média e elevada gama, podem facilmente ser programados para limpar nos dias que pretender, tendo apenas que esvaziar ocasionalmente o depósito.

No entanto, há algumas capacidades que se perdem em comparação com um aspirador tradicional. A dimensão mais reduzida e o facto de funcionarem com recurso a bateria fazem com que a capacidade total e potência sejam comprometidas. Para além disso, o aspirador não consegue passar em sítios estreitos ou aspirar em altura para chegar a superfícies como sofás ou cortinados. Resultado: muito provavelmente terá que tirar o aspirador tradicional da despensa, de vez em quando, para aspirar zonas com sujidade mais persistente ou de difícil acesso.

O que considerar na compra de um aspirador robô?

Uma das coisas mais importantes a considerar são as caraterísticas da sua casa, como o número de andares e a presença de carpetes. Isto vai requerer a compra de um aspirador robô com sensor de queda incorporado e um elevado poder de sucção, respetivamente. Depois, poderá querer ter em conta o tamanho do aspirador, uma vez que, dependendo da altura e diâmetro do mesmo, este poderá conseguir chegar a espaços mais recônditos, como debaixo de um sofá ou ao espaço entre um móvel e uma parede. Por último, se a área útil da casa for grande, poderá compensar ter um aspirador com um grande depósito ou com uma estação base que tenha a capacidade de esvaziar o depósito do robô automaticamente, para evitar que tenha de esvaziar o depósito frequentemente.

Em relação à tecnologia incluída, será sempre útil ter conectividade WiFi, uma vez que permitirá o controlo do aparelho através do smartphone, a partir de qualquer ponto da casa. De modo a realizar tarefas como ligar/desligar, monitorizar as zonas da casa que já foram limpas, ver os minutos de bateria restantes ou programar o calendário de tarefas de limpeza.

Nos modelos mais recentes, poderá também encontrar sensores e câmaras adicionais que dotam o aspirador com a capacidade de detetar objetos sem embater neles, o que torna a rotina de limpeza mais suave e segura para os seus móveis e rodapés.

Texto por Pedro Alves. Revisto por Maria Teresa Martins.