Ciência e Saúde

Inaugurada a Maior Central Fotovoltaica Portuguesa

Foi inaugurada no passado dia 9 de outubro, a maior central fotovoltaica do país, situada em Alcoutim. A cerimónia de inauguração decorreu com a presença do Ministro do Ambiente e Ação Climática, do Secretário de Estado Adjunto e da Energia e do Vice Presidente da Câmara de Alcoutim. Por Maria Amaro.

O projeto, lançado em 2017 mas apenas terminado este ano devido à pandemia, inicialmente denominada Solara4, tem atualmente o nome de Central Fotovoltaica Ricardo Totta e uma potência de 219 megawatts. Esta potência permite classificá-la como a maior central a operar em Portugal e uma das maiores centrais não subsidiadas da Europa. Tem 661 500 painéis instalados, que ocupam uma área descontínua de 320 hectares.

Na cerimónia de inauguração, o Ministro do Ambiente e Ação Climática afirmou que projetos como este vão tornar o preço da eletricidade mais estável e mais baixo, ”uma vez que a produção de energia através de fontes renováveis é muito mais barata que a produção a partir dos combustíveis fósseis”.

O ministro referiu ainda que o elevado preço da eletricidade em Portugal está relacionado com o aumento do preço do gás, e que a solução é a aposta nas fontes renováveis, especialmente a energia solar da qual Portugal pode tirar partido devido à sua posição geográfica. A aposta nos mercados internos de energia permitirá ao país reduzir a dependência de fontes externas e garantir uma maior estabilidade no preço a curto prazo.

Por se tratar de um parque fotovoltaico não subsidiado, a energia não tem um preço fixo de venda aos consumidores, sendo possível baixar o preço no mercado interno. O investimento pelas empresas WElink Energy/Solara4 e China Triumph International Engineering Company (CTIEC) na criação da Central Fotovoltaica Ricardo Totta foi na ordem dos 170 milhões de euros.

Foram efetuados estudos de Impacte Ambiental e consultas públicas ao projeto que determinaram uma ocupação de área máxima de 600 hectares por painéis fotovoltaicos. Neste momento, e já com a obra terminada, a área ocupada é de cerca de metade da área permitida, tendo sido incorporados corredores verdes entre os painéis de modo a diminuir o impacto visual negativo dos painéis. Note-se que este foi, desde o início, uma das maiores preocupações da população de Alcoutim.

Para a efetivação da obra foram contratadas empresas locais do concelho e o comércio local tornou-se mais dinâmico com o movimento dos trabalhadores na zona durante os quatro anos de construção.  

Em declarações ao Diário de Notícias, o engenheiro Hugo Paz revelou o projeto futuro de expansão da central, aumentando a capacidade de produção de eletricidade. A licença da central permite a injeção na rede de 200 MVA (mega Volt Ampère), mas, atualmente, só estão a ser utilizados 172 MVA. Esta diferença dá espaço à instalação de mais painéis assim que a capacidade de armazenamento de energia seja melhorada. 

Neste momento, na central fotovoltaica trabalham 20 pessoas e 200 ovelhas. Os animais comem o pasto para que não seja necessário fazer a manutenção da relva, tornando o projeto mais sustentável. 

A Central Fotovoltaica Ricardo Totta vai reduzir em 326 mil toneladas as emissões de CO2, o que equivale à energia utilizada por 200 mil casas, sendo uma contribuição fundamental para que Portugal atinja as metas de energias renováveis do Programa Nacional de Energia e Clima 2030.

Texto por Maria Amaro. Revisto por Maria Teresa Martins.