Ciência e Saúde

Vulcão em La Palma: o que aconteceu e quais as consequências da sua erupção

O vulcão Cumbre Vieja, no arquipélago das Canárias, entrou em erupção no passado dia 19, após ter sido registado um elevado grau de atividade sísmica na região. Não existem vítimas até ao momento, mas o fenómeno natural já causou um enorme rasto de destruição. Por Ana Torres.

Passados 50 anos, o complexo vulcânico Cumbre Vieje, em La Palma, voltou a entrar em erupção, após uma semana em que, segundo informações do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha, se registaram 22 mil sismos de pequena escala na zona.

Os sismos em causa deveram-se à ascensão de magma proveniente de zonas inferiores à crusta terrestre, com epicentros inicialmente registados a 20 quilómetros de profundidade e que, progressivamente, foram detetados cada vez mais próximos da superfície.

No passado dia 19, deu-se a ruptura da crusta e o início da erupção. De acordo com o Instituto Vulcanológico das Canárias, este foi, inicialmente, caracterizado pelo expelir de escoadas de lava pouco fluídas, que atingiram temperaturas de 1075 ºC e se moveram a velocidades de 0,7 quilómetros por hora em direção ao mar.

Numa segunda fase, a erupção adotou um caráter mais explosivo, com grandes nuvens de cinza ardente a serem libertadas para a atmosfera. Esta alternância entre diferentes formas de ejeção de material vulcânico permitiu aos especialistas classificar a erupção como estromboliana – períodos intermitentes de erupções moderadamente explosivas, intercalados com períodos de extensão variável em que a emissão é essencialmente efusiva.

A coluna de dióxido de enxofre (SO2) emitida pelo vulcão está a deslocar-se em direção a vários países, tendo, neste momento, especial concentração sobre o norte de África, a costa mediterrânica de Espanha e zona a norte da Noruega.  Este gás, prejudicial para a saúde humana e para o ambiente, está a ser monitorizado pelo sistema europeu de satélites Copernicus, e poderá vir a dar origem a chuvas ácidas.

No dia 27 de setembro, deu-se uma “pausa” nas erupções estrombolianas, com consequentes períodos de menor atividade sísmica. No entanto, isto não significou um cessar total da erupção, já que passadas cerca de sete horas, as erupções voltaram a ser registadas.

Hoje, dez dias após o início da atividade vulcânica, deu-se a colisão entre a lava e o oceano, cujas consequências são nefastas: o choque térmico causado pela elevada disparidade entre as temperaturas gerou colunas de vapor de água e de vapores tóxicos, na medida em que os compostos químicos presentes no mar (cloretos, sulfatos, carbonatos, flúor, etc.) foram volatilizados. Um dos maiores riscos resultantes destas reações é a criação de nuvens com elevado teor de ácido clorídrico (HCl), o que significa um perigo para a saúde de quem se encontrar na região. Ademais, poderá ainda ocorrer a vitrificação da lava que, em caso de explosões, levará a que esta seja projetada pelo ar na forma de estilhaços.

Foram evacuadas cerca de seis mil pessoas da ilha e apesar de, até ao momento, não existirem vítimas, estima-se que tenham sido destruídas quase 600 estruturas, incluindo habitações. O aeroporto de La Palma esteve encerrado entre os passados sábado e domingo e, apesar de ter sido entretanto reaberto, a companhia aérea local mantém os voos suspensos.

Os cientistas especializados estimam que o vulcão se mantenha ativo durante mais 24 a 84 dias.

Texto por Ana Azevedo Torres. Revisto por Maria Teresa Martins.