Ciência e Saúde

Fukushima: passado e presente de um desastre nuclear

A 11 de Março de 2011 a costa oeste do Japão foi sacudida por um violento terramoto seguido de um tsunami. Em Fukushima os mecanismos de emergência da central nuclear colapsaram dando origem a um dos maiores desastres nucleares da História. Foram implementadas novas medidas de segurança, todavia o debate ainda persiste. Por Ana Pais da Silva.

Os reatores da central nuclear de Fukushima, em resposta ao sismo detetado, desligaram automaticamente a sua produção de energia através da fissão nuclear. Devido a diversas falhas no sistema elétrico da central, a energia requerida para o reator funcionar em segurança falhou. Como consequência, os geradores de emergência foram automaticamente ligados.

É imperativo realçar que é necessária uma fonte de energia para manter a circulação do líquido que arrefece os reatores nucleares que, apesar de serem desligados, não cessam imediatamente a produção de calor proveniente das reações nucleares. No entanto, após o sismo, a central nuclear, que se encontra em zona costeira, foi atingida por um tsunami com cerca de 14 metros que levou à falha de todos os sistemas de emergência.

Sem potência para alimentar as bombas de circulação, os reatores começaram a sobreaquecer e a derreter, causando fugas de material radioativo em certas unidades da central nuclear. Existiram pelo menos três grandes explosões de hidrogénio.

Muitos resíduos radioativos acabaram por contaminar a água de arrefecimento, que foi libertada no oceano Pacífico. Nos dias posteriores ao acidente, a radiação que foi libertada para a atmosfera obrigou a uma evacuação da zona num raio de cerca de vinte km.

Dez anos depois de Fukushima

Em Março de 2021 foi recordada pela décima vez esta tragédia que, nos dias de hoje continua a ser combatida. Ainda existem grandes quantidades de resíduos radioativos que resultaram do acidente e que precisam de ser descartados.

Foi recentemente publicado pelo The Guardian uma notícia que indica que o Governo Japonês, apesar da oposição dos pescadores locais e dos grupos ambientalistas, pretende lançar mais de um milhão de toneladas de água contaminada diretamente no oceano Pacífico. Se até ao Verão de 2022, não for encontrada uma solução melhor, o oceano Pacífico será novamente alvo de nova contaminação, pois a capacidade de armazenamento da água radioativa da central nuclear irá atingir o seu máximo.

Este incidente causou preocupação a nível mundial, levando a que novas medidas de segurança fossem aplicadas não só na central de Fukushima mas em todas as que se encontram em locais geográficos de risco. Foram revistas e modificadas as barreiras que protegem as centrais nucleares contra tsunamis, e a resposta defensiva e estrutural aos sismos foi melhorada. Surgiram novos protocolos para as centrais e as equipas de emergência locais, e reforçou-se a preparação e as estratégias das equipas de trabalhadores para prevenir novas situações catastróficas.

Todavia, 10 anos após este incidente nuclear, nunca foi colocada em causa a continuidade da produção de energia através de reações nucleares. Atualmente, o Japão vê a energia nuclear como um caminho essencial para a independência energética. Para além disso, esta energia provém de uma fonte renovável e tem baixa emissão de gases de efeito de estufa, sendo assim uma peça importante para combater a crise climática vivida atualmente.

Estima-se que a longo prazo esta autossuficiência energética permitirá à economia japonesa voltar a ter destaque e competitividade com as grandes potências económicas a nível mundial.

 

Texto por Ana Pais da Silva.