Ciência e Saúde

HÁ TREZE ANOS QUE A GERAÇÃO 21 ACOMPANHA CRIANÇAS DO PORTO

O estudo Geração 21, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que acompanha crianças da Área Metropolitana do Porto desde que nasceram, avançou em agosto para a avaliação dos 13 anos. É um projeto único em Portugal, e dos maiores estudos longitudinais que envolve crianças na Europa. Por Ana Amarante.

Arrancou, nas instalações da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a avaliação aos 13 anos das crianças do projeto Geração 21, que tem como lema “Nascer e crescer com saúde no Porto”. É um processo composto por exames físicos e psicológicos e que atende a diferentes aspetos do desenvolvimento infantil, com duração prevista de dois anos. Nesta avaliação, pretende-se continuar linhas de investigação já iniciadas, como as que dizem respeito à obesidade e problemas metabólicos, mas também explorar novos temas, como a dor crónica.

Desde 2005 que 8647 crianças são acompanhadas por uma numerosa equipa de investigadores coordenada por Henrique Barros, do ISPUP. Da antropometria até à distribuição da gordura corporal, hábitos de sono, alimentação, atividade física e ambiente familiar, passando por amostras de sangue, cabelo ou mesmo dentes, é gerado um grande volume de informação no que diz respeito à saúde física e psicológica dos participantes. As amostras recolhidas passam a fazer parte do Biobanco do ISPUP, que serve como repositório e permite a sua consulta e análise posteriores. Tal como em avaliações anteriores, também as mães contribuem com informação.

As crianças Geração 21 passaram já por uma série de avaliações, até fazerem um ano de idade, depois aos quatro, aos sete e aos dez anos. Em cada momento de avaliação, são recolhidos dados comuns que permitem estabelecer uma continuidade temporal, mas também novas informações, que refletem a evolução dos temas mais emergentes para a comunidade científica.

À medida que o tempo avança, torna-se possível avançar de linhas de investigação transversais para as que têm em conta a comparação entre as diferentes fases da vida destas crianças. Os aspetos a estudar acompanham o desenvolvimento e a vida das crianças, desde os determinantes do bem-estar materno pós-gravidez ou as variações ponderais nos primeiros meses de vida, até à caracterização do consumo de frutas e vegetais pelas crianças a partir do momento em que começam a frequentar a escola, ou a relação entre o peso na altura do nascimento e a sua saúde metabólica mais tarde.

A Geração 21 está integrada numa rede de coortes de nascimentos mundial. O estudo deste tipo de populações permite compreender melhor vários mecanismos de doença, descobrir novos fatores de risco e esclarecer alguns componentes sociais que influenciam a saúde infantil.

Este trabalho traduz-se também no desenvolvimento de novas estratégias e políticas de saúde, mais adequadas à população – isto, porque toda a informação gerada pela coorte é integrada em diferentes estudos, que permitem não só caracterizar a evolução dos padrões de saúde ao longo dos últimos treze anos, mas também da própria sociedade. De acordo com Henrique Barros, um dos objetivos do projeto é o seguimento destas crianças até à idade adulta e enquanto estas assim o pretenderem, para que se compreenda o que é nascer e crescer no Norte de Portugal.