Ciência e Saúde

MARS EXPRESS: 15 ANOS À DESCOBERTA DE MARTE

No mês do décimo quinto aniversário da chegada da Mars Express ao planeta vermelho, o JUP explica-te em que consiste esta missão da Agência Espacial Europeia e quais foram os seus principais marcos e descobertas. Por Mariana Miranda.

No dia 20 de dezembro de 2018, a Agência Espacial Europeia (ESA) partilhou pelo Twitter uma das imagens capturadas na missão Mars Express que mostra a cratera Korolev, perto do pólo norte de Marte. A imagem, que rapidamente fez as delícias dos internautas nesta época natalícia, mostra o parece ser uma cobertura de neve na cratera Korolev.

Batizada com o nome de Sergei Korolev, engenheiro-chefe do programa espacial soviético, Korolev tem 82 quilómetros de diâmetro e é uma das crateras mais bem preservadas no planeta Marte. Encontra-se preenchida por uma camada de gelo, com cerca de 1,8 quilómetros de espessura, que se deve a um fenómeno denominado por “armadilha fria”. Tal como explicado no site da ESA, o ar que se movimenta sobre o depósito de gelo arrefece e afunda, criando uma camada de ar frio que fica diretamente por cima do próprio gelo, ajudando-o a manter-se estável e permitindo que a cratera permaneça gelada durante todo o ano.

A missão Mars Express foi lançada no dia 2 de junho de 2003 pela ESA. Os objetivos passam por compreender melhor Marte, procurando dar resposta a questões fundamentais ligadas à geologia, atmosfera, características da superfície e subsuperfície, historial de presença de água e potencialidade de vida no planeta.

Além de permitir a recolha desses dados, a missão possibilita a aquisição de informação útil para o estudo de fenómenos em ambientes mais familiares ao Homem. Por exemplo, se for possível determinar as causas do desaparecimento de água líquida à superfície em Marte, essa informação poderá ajudar a perceber se um destino semelhante está reservado para o futuro dos oceanos da Terra.

Para alcançar os seus objetivos, a Mars Express conta com vários equipamentos, incluindo um satélite com o mesmo nome da missão e um veículo de aterragem batizado de Beagle 2, em referência ao navio HMS Beagle da expedição de Charles Darwin. Dos vários instrumentos que o satélite possui, foi graças à câmara estéreo de alta resolução (HRSC) que foi possível captar a imagem partilhada pela ESA da cratera Korolev.

A 25 de dezembro de 2003, a Mars Express teve o seu primeiro grande marco com a entrada em órbita em Marte e, dessa forma, o início da exploração do planeta vermelho. Apesar do sucesso do lançamento do satélite, o Beagle 2 desapareceu aquando da data prevista de aterragem, sendo que apenas foi encontrado em janeiro de 2015 por um satélite da NASA.

Entre as descobertas e conquistas mais importantes da Mars Express encontra-se a descoberta de várias evidências de água líquida em Marte, a identificação de vários elementos glaciares, sondagens nas regiões polares e em Fobos (a maior lua de Marte), evidências de que os vulcões marcianos (incluindo o Monte Olimpo) estiveram ativos muito mais recentemente do que inicialmente se pensava, a melhor compreensão de vários fenómenos atmosféricos, tais como a influência da radiação solar no fluxo de iões da ionosfera para o espaço e a existência de nuvens geladas de dióxido de carbono, a descoberta de auroras em Marte e a possível deteção de metano na atmosfera. Das descobertas mais recentes destaca-se a deteção de água líquida por baixo de gelo no pólo sul através do radar MARSIS.

Com o aproximar da data prevista para o fim da missão Mars Express (embora já tenha sido adiada várias vezes) e apesar do aumento da atenção para a mais recente missão ExoMars, as imagens captadas pela câmara estéreo de alta resolução e todos os outros dados recolhidos pelo satélite da Mars Express continuam a fascinar e cativar a imaginação dos cientistas e de todos aqueles que se interessam pelos mistérios do sistema solar.