Ciência e Saúde

FARMACÊUTICO COM NOVOS HORIZONTES

Decorreu na passada terça-feira, dia 20 de março, o vigésimo segundo Fórum Farmacêutico AEFFUP no salão nobre do Complexo ICBAS/FFUP.

Após um ano de paragem, a Associação de Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (AEFFUP), na pessoa de Norberto Parente, atual presidente da AEFFUP, sentiu o desejo de retomar a realização do fórum pela mais-valia que este proporciona à comunidade estudantil.

Na sessão de abertura, Norberto Parente frisou a necessidade da atualização de informação com temas atuais e da realidade da profissão farmacêutica. Afirma ainda que “só assim contemplaremos com clareza e nitidez uma imagem do que serão os nossos novos horizontes”. O mesmo dá o mote para o tema das Lei de Bases de Saúde, endereçando a todos os estudantes a responsabilidade de acompanhamento deste e de outros temas com espírito crítico e irreverente.

“Um desafio inacabado que precisa de ser alimentado”

Numa perspetiva de enquadramento histórico e político, Carlos Maurício Barbosa, professor associado da FFUP e ex-bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, procurou explicar a Lei de Bases da Saúde e incitar à reflexão do público. Sublinha que os cidadãos, para além do direito à proteção da saúde – artigo 64 Constituição da República- têm também deveres. Defende ainda que a operacionalização deste artigo, através da Lei de Bases de Saúde e da criação do Serviço Nacional de Saúde, é “um desafio inacabado que precisa de ser alimentado”.

Existe um sentimento generalizado de que é necessário rever a Lei de Bases da Saúde. Bruno Macedo, da Fundação Calouste Gulbenkian, procurou responder à pergunta “Porquê uma nova Lei de Bases de Saúde?”. A resposta assentou numa panóplia de indicadores demográficos, sociais e económicos, sinalizando ainda as mudanças e as oportunidades que urgem da reformulação da lei em questão.

No final da manhã, houve ainda espaço para uma discussão acerca das implicações que essa reformulação teria para o farmacêutico. A Dra. Clara Carneiro, Ordem dos Farmacêuticos, e o Dr. João Coimbra, médico no Centro Hospitalar de São João, tomaram da palavra para elucidar a plateia sobre este assunto. Bruno Macedo explica que “é importante não confundir o que é preciso alterar com o que está previsto e não é cumprido, sob pena de ficar tudo na mesma”.

A Dra. Anabela Madeira e o Dr. Gil Fontes, da Associação Nacional das Farmácias, introduziram os três temas que viriam a ser o objeto de discussão dos diversos grupos de trabalho na parte da tarde. O Programa de Troca de Seringas na farmácia, a dispensa de antirretrovíricos  em Farmácia Comunitária e o programa SAFE – Serviço Nacional de Assistência Farmacêutica –  foram os projetos abordados. O primeiro encontra-se em funcionamento há 25 anos e os dois últimos, que se encontram em fase de teste, obtêm, dessa forma, a designação de piloto.

Num modelo de prós e contras, os estudantes e o demais público da sala tiveram a oportunidade de discutir os temas em grupo. Pelo confronto de ideias e pondo em prática o que foi aprendido ao longo do dia, foi possível chegar a conclusões acerca dos benefícios sociais dos vários projetos, bem como estabelecer contacto com aquilo que podem vir a ser os novos horizontes da profissão farmacêutica.