IJUP’18 RECEBEU ESTUDANTES E INVESTIGADORES DA U.PORTO – Jornal Universitário do Porto
Ciência e Saúde

IJUP’18 RECEBEU ESTUDANTES E INVESTIGADORES DA U.PORTO

A comunidade académica encontrou-se no IJUP, encontro de investigação jovem, onde se apresentaram mais de 400 trabalhos científicos desenvolvidos pelos estudantes da Universidade do Porto. A iniciativa decorreu de 7 a 9 de fevereiro, na Faculdade de Medicina, e o JUP foi conhecer o trabalho e a opinião dos participantes.

Terminou o IJUP que, ao longo de três dias, recebeu centenas de jovens investigadores no Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina. Foram apresentados mais de 400 trabalhos, sob a forma de comunicação oral ou póster. Os temas integraram as áreas de ciências biológicas, da educação, do desporto, do ambiente, da saúde e ciências sociais; química, psicologia, artes, arquitectura, engenharia, área agroalimentar, matemática, física, economia, criminologia, direito e marketing.

O JUP foi ao encontro da comunidade académica para conhecer alguns dos projetos desenvolvidos e ouvir as várias opiniões acerca do evento.

Os estudantes, que realizaram os trabalhos no âmbito de teses de mestrado, estágios curriculares ou projetos de investigação curriculares ou extracurriculares, não pouparam elogios à iniciativa. Destacaram a relevância da experiência no seu crescimento enquanto investigadores, o desenvolvimento da capacidade de expor um tema e de argumentar a seu favor, assim como a possibilidade de conhecer trabalhos noutras áreas, como complemento da sua formação. Os participantes manifestaram ainda vontade de que, no futuro, o evento acontecesse com maior frequência e de que viesse a receber estudantes de outras universidades do país e estrangeiras.

A Comissão científica do IJUP foi composta por elementos de todas as unidades orgânicas da UP e coordenada por Maria João Ramos, Vice-Reitora para a Investigação e Desenvolvimento da Universidade do Porto e coordenadora do evento.

“As instituições do ensino superior de qualidade devem ser capazes não só de procurar o conhecimento básico e fundamental como, também, de o colocar ao serviço da sociedade através por exemplo do desenvolvimento de tecnologia associada. O IJUP cumpre precisamente esse propósito e ajuda a desenvolver, desde cedo, competências que estão para lá da formação académica dos estudantes. O IJUP representa para muitos jovens a oportunidade de revelarem publicamente os resultados dos seus projetos, de treinarem a apresentação de comunicações científicas, de discutirem questões epistemológicas e metodológicas, de potenciarem novas investigações nas suas áreas de estudo e de partilharem conhecimento numa lógica interdisciplinar.”, comentou Maria João Ramos.

“As instituições do ensino superior de qualidade devem ser capazes não só de procurar o conhecimento básico e fundamental como, também, de o colocar ao serviço da sociedade através por exemplo do desenvolvimento de tecnologia associada. O IJUP cumpre precisamente esse propósito e ajuda a desenvolver, desde cedo, competências que estão para lá da formação académica dos estudantes. O IJUP representa para muitos jovens a oportunidade de revelarem publicamente os resultados dos seus projetos, de treinarem a apresentação de comunicações científicas, de discutirem questões epistemológicas e metodológicas, de potenciarem novas investigações nas suas áreas de estudo e de partilharem conhecimento numa lógica interdisciplinar.” – comentou Maria João Ramos.

Michele Fajardo, estudante na Faculdade de Farmácia, apresentou o seu trabalho sobre o potencial da leguminosa Vicia narbonensis L como fonte proteica e de fácil cultivo, e as metodologias para deteção de um composto potencialmente prejudicial presente no produto – “Para mim o IJUP é bastante relevante, pois permite conhecer projetos interessantes e partilhar ideias. A troca de experiência contribui muito para o enriquecimento académico e pessoal.”, contou ao JUP.

Na área da fisiologia vegetal, Mário Freitas realizou um trabalho sobre uma infeção bacteriana na planta do kiwi e a sua resposta oxidativa nas folhas. O estudante considera este evento como “uma mais-valia tanto a nível pessoal como a nível profissional”, por permitir a interação entre os jovens investigadores que “trazem ideias e opiniões diferentes acerca dos trabalhos”. Em relação à diversidade de temas apresentados, destacou as vantagens de “perceber o que é que cada estudante na Universidade do Porto tem andado a estudar e dá-nos uma perspetiva global daquilo que é feito na academia”.

Acerca da iniciativa, “acho muito interessante, é inovador e incentiva os jovens estudantes a participarem e a envolverem-se no mundo da investigação.”, contou Ana Luísa Pires. A estudante considera que o IJUP “é um bom começo, uma espécie de alavanca para podermos ganhar experiência e progredir.” Ana Luísa realizou um trabalho na área da fisiologia humana, onde procurou avaliar se a toma de medicamentos a horas diferentes desencadeia um efeito diferente. Os resultados evidenciaram “algumas diferenças, que se tomarmos [glucocorticóides] na hora errada, provoca uma leve disrupção do modelo normal do ciclo circadiano”. Sobre o encontro, declarou, “espero que continue, que cada vez traga mais estudantes, possivelmente estudantes do estrangeiro, para sabermos o que andam a investigar e, se for possível, formar grupos de investigação com pessoas de países diferentes”.

O JUP falou também com Cláudia Vasconcelos, que, no âmbito da sua tese de mestrado, estudou “o bullying homofóbico entre estudantes da Universidade do Porto, considerando não só a orientação sexual, mas também os papéis de género”. Como resultado destacou a ocorrência de bullying homofóbico na UP numa percentagem de 7,8% na amostra analisada e uma percentagem superior revelou sofrer bullying genérico. Os seus principais objetivos são a sensibilização da comunidade para o tema ainda pouco abordado e “implementar o respeito pela diferença”.

No âmbito da avaliação da atividade de compostos de origem natural, Adelaide Sousa estudou o potencial de um grupo de flavonóides como moduladores da Diabetes do tipo 2, concluindo que “alguns flavonóides podem inibir de forma muito positiva a enzima alfa-glucosidase e que podem substituir alguns fármacos que são atualmente prescritos”; e Débora Gonçalves investigou o papel do 9-tetra-hidrocanabinol, presente na canábis, na expressão da leptina, “uma hormona que tem efeito no apetite”. Para Adelaide Sousa “é a partilha de conhecimento entre nós que eu acho fundamental”. Por fim, manifesta a opinião de que “este tipo de iniciativas devia de acontecer mais do que uma vez no ano”. Já Débora Gonçalves considera que “é muito boa ideia, para ajudar os estudantes a progredir”.

Bruno Araújo, que testou a atividade antimicrobiana do óleo essencial de Leptospermum scoparium, comentou, acerca da sua participação, “espero que obtenha à vontade a apresentar trabalhos neste contexto, que as pessoas possam perceber a importância destes estudos e que possam surgir novas investigações”. Por sua vez, Diana Freitas avaliou a biodiversidade associada ao organismo marinho Sabellaria alveolata e destacou como objetivo “divulgar a ecologia marinha”.

Luís Midão investigou “o uso de computador pela população idosa a nível europeu, […] com a base de dados SHARE” e divulgou que os seus resultados indicam que “aproximadamente 36% das pessoas com mais de 65 anos nunca usam o computador”. No âmbito da tese em arquitectura e realidade virtual, Gabriel Correia apresentou o trabalho em que foi construído, com recurso a CAD, desenho assistido por computador, um modelo 3D da Faculdade de Arquitectura, que “permite, com o hardware de realidade virtual, entrar no edifício”, o que permitirá “pré-visualizar modelos e para fazer mostras aos clientes”. Questionados sobre a sua participação no encontro, ambos os estudantes consideram que esta foi uma “experiência positiva” e uma oportunidade para divulgar os seus projetos.

Numa comunicação oral, Tiago Gonçalves apresentou o seu trabalho na área da engenharia biomédica. “O nosso trabalho foca-se na telemedicina que é baseada na indústria 4.0, ou seja, interação máquina-humano e no âmbito de desenvolver ferramentas de decisão que ajudem os profissionais de saúde a efetuarem um melhor trabalho”, explicou ao JUP. Sobre a participação no evento, o estudante considera que constitui uma forma de adquirir experiência para apresentações científicas futuras e uma oportunidade para divulgar o trabalho realizado. Concluiu que, em edições futuras, gostaria que se verificasse um maior fluxo de visitantes no evento.

Ana Rita Ramalho, visitante no IJUP contou ao JUP:

” Eu acho que é uma iniciativa extremamente interessante, que permite que os estudantes, ainda numa fase precoce, entrem em contacto com a investigação, com o ambiente de congressos e até que possam decidir se esta é uma vertente em que querem enveredar na sua atividade profissional futura”.

” Eu acho que é uma iniciativa extremamente interessante, que permite que os estudantes, ainda numa fase precoce, entrem em contacto com a investigação, com o ambiente de congressos e até que possam decidir se esta é uma vertente em que querem enveredar na sua atividade profissional futura”.

A estudante e membro do Conselho Geral da UP destacou a relevância da possibilidade de conhecer trabalhos noutras áreas ou de encontrar colegas investigadores com temas de interesse em comum e de este ser um ponto de contacto entre as várias faculdades. “Sendo a investigação uma das missões em que a UP investe, é ótimo ver que esse investimento é refletido e promovido junto da camada jovem, para promover desde cedo essa que é uma das principais bandeiras da nossa universidade.”, acrescentou Ana Rita Ramalho.

Após mais uma edição do IJUP, a comunidade académica mostrou-se satisfeita com o encontro de investigação jovem, tendo manifestado opiniões concordantes acerca das vantagens da participação no evento.