FALCON HEAVY E O FUTURO EM MARTE – Jornal Universitário do Porto
Ciência e Saúde

FALCON HEAVY E O FUTURO EM MARTE

Na passada terça-feira, o foguetão mais potente do Mundo descolou com sucesso para uma órbita maior do que a de Marte. Foi criado por uma empresa privada e é parcialmente reutilizável.

Após o lançamento de sucesso do Falcon Heavy, Elon Musk descreveu a visão que tem do futuro da exploração espacial. “Queremos uma nova corrida no espaço”, disse, acrescentando o impacto que acha que o seu projeto terá: “Penso que irá encorajar outras empresas e países a pensar ‘Se a SpaceX, uma empresa comercial, consegue fazer isto, […] nós conseguimos fazer maior e melhor’, o que é ótimo”.

Os projetos Falcon 9 e Falcon Heavy também se destacaram pela capacidade de reutilização dos foguetes e propulsores. A primeira tentativa de desenvolver um Sistema de Lançamento Reutilizável (SLR) originou na NASA (National Aeronautics and Space Association) no projeto Space Shuttle, que foi descontinuado em 2011 após elevados custos e perda de vidas.

Mais recentemente, a SpaceX e a Blue Origin reacordaram o desenvolvimento de SLRs, tendo no ano passado um foguete Falcon 9 aterrado com sucesso num navio-drone. Esta capacidade de aterrar e reutilizar as naves revela-se essencial para reduzir os custos das viagens. Referindo-se a esta tecnologia, Musk comentou: “Se fosse necessário comprar um avião novo sempre que viajássemos, seria imensamente caro”.

É difícil prever quão rápidos serão os avanços científicos e tecnológicos e qual a direção tomada na conquista espacial, mas o plano para 2020 da NASA indica que continuarão a procurar indícios de vida no Planeta Vermelho, mantendo em marcha o projeto iniciado com o rover “Curiosity”, de recolha de dados biológicos, geoquímicos, e de radiação solar na superfície de Marte.

O novo projeto incluirá uma sonda capaz de perfurar e recolher amostras de rochas e solos que poderão ainda ser transportados para a Terra, permitindo um estudo mais aprofundado destas. Também será estudada a possibilidade de “terraformar” Marte, incluindo um método de produzir oxigénio a partir da sua atmosfera, e identificando outros recursos como água abaixo da superfície.

A data para o lançamento está marcada para Julho/Agosto de 2020, quando Marte e Terra estarão numa boa posição relativa para reduzir custos de viagem e facilitar a aterragem no Planeta Vermelho.