Ciência e Saúde

OMS ESTUDOU IMPACTO E INCIDÊNCIA DE MEDICAMENTOS FALSIFICADOS

A Organização Mundial de Saúde divulgou os resultados de dois estudos realizados sobre a incidência e as consequências do comércio de medicamentos falsificados ou de qualidade inferior. Foram destacados o risco de disseminação de resistências a antimicrobianos e o aumento da mortalidade por doenças infeciosas, bem como a perda de confiança nos medicamentos e serviços médicos.

Durante este ano, a OMS emitiu quatro alertas de medicamentos falsificados em circulação no continente africano. Num estudo recentemente publicado, foi prevista a ocorrência de um medicamento falsificado ou de qualidade inferior em cada dez, em países de baixo ou médio rendimento. O relatório destaca consequências a nível económico, socioeconómico e de saúde pública.

Com a globalização e o desenvolvimento do comércio online, verificou-se o aumento das oportunidades de entrada no mercado de medicamentos ilegais. Este é um assunto que tem obtido a atenção da OMS, no sentido de identificar e quantificar esses produtos.

Os medicamentos falsificados podem conter substâncias ativas erradas, mal doseadas ou mesmo não conter substância ativa. Pode, por isso, ocorrer diminuição ou ausência do efeito terapêutico, ou mesmo um efeito tóxico desencadeado pela sua administração.

“Os medicamentos falsificados são uma séria ameaça para a saúde pública. Não só prejudicam os pacientes como diminuem a confiança nos profissionais de saúde, medicamentos, sistemas de saúde e programas de imunização. Este fenómeno contribui ainda para a resistência antimicrobiana e o desperdício de recursos preciosos.” – segundo o Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

De acordo com a informação divulgada pela OMS, a ocorrência de medicamentos falsificados ou de qualidade inferior verifica-se em todo o mundo, com maior incidência nos países de baixo e médio rendimento, onde o acesso a medicamentos de qualidade é limitado. Desde 2013, foram 20 os alertas emitidos através do Sistema Mundial de Vigilância e Monitorização da OMS. Os casos reportados incluíram medicamentos, vacinas e meios de diagnóstico in vitro, sendo que os mais frequentes foram referentes a antimaláricos e antibióticos.

Neste documento divulgado pela organização, foi destacada a importância de adotar a estratégia de “prevenir, detetar, responder” a este problema. As medidas de prevenção incluem a manutenção da integridade da cadeia do medicamento e o controlo da qualidade dos produtos. Na etapa da deteção será importante, por exemplo, o controlo nas fronteiras e como medidas de resposta podem referir-se a emissão de alertas e a garantia de um processo legal transparente.

No relatório sobre o impacto dos medicamentos falsificados na saúde e economia, foram usados dois modelos de previsão, um para a pneumonia infantil e outro para a malária na África sub-saariana.

No caso da pneumonia infantil, o modelo baseou-se numa prevalência de 10% de antibióticos falsificados ou de menor qualidade e sugeriu que mais de 72 mil mortes pudessem ser atribuídas à utilização de medicamentos com atividade diminuída. Quando se pressupõe a ausência de atividade desses produtos, o número de óbitos alcança quase 170 mil casos.

O segundo modelo tratou dados referentes à malária “não complicada”, provocada pelo parasita sanguíneo da espécie Plasmodium falciparum, na África sub-saariana. Os resultados indicam que anti-maláricos falsificados ou de baixa qualidade podem ser responsáveis por cerca de duas a cinco em cada 100 mortes por malária.

Como consequências económicas e socioeconómicas resultantes da utilização destes produtos, foram descritas a diminuição da produtividade, o desperdício de recursos, o aumento do estado de pobreza e a perda de mobilidade social. No âmbito da saúde, foram referidas consequências como aumento da mortalidade, maior incidência das doenças e progressão de resistências a antibióticos e a outros fármacos.