Ciência e Saúde

RANKING DE DURAÇÃO DE CONSULTAS DE CUIDADOS PRIMÁRIOS: PORTUGAL EM 10º

Através de um estudo internacional publicado a novembro de 2017 foi possível apurar que uma grande parte da população tem apenas alguns minutos com o seu médico de família, uma situação que pode afetar negativamente a saúde do paciente, bem como aumentar demasiado a carga de trabalho dos médicos.

Contando com a participação de 67 países, este é, até à data, o maior estudo internacional sobre a duração média das consultas de cuidados primários – ou Medicina Geral e Familiar – e coloca Portugal na 10ª posição do ranking, com uma duração média de 15,9 minutos por consulta.

Neste estudo – que contou com a participação de Ana Luísa Neves, investigadora Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde (MEDCIDS) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Imperial College London – foram apontadas algumas consequências decorrentes de consultas muito curtas, como a possibilidade de colocarem os médicos em risco de burnout e o uso excessivo de antibióticos resultante de uma prescrição de medicamentos pouco cuidada.

Em 15 desses países – que representam 50 por cento da população mundial – a duração média de uma consulta de cuidados primários é inferior a cinco minutos. A Suécia ocupa a primeira posição com uma duração média de 22,5 minutos por consulta e o Bangladesh a última, com uma duração média de 48 segundos.

A duração adequada das consultas é um assunto bastante debatido já que por um lado consultas mais curtas permitem um maior número de pacientes abrangido, mas por outro estudos indicam que consultas mais longas permitem um diagnóstico mais preciso de problemas de saúde mental, uma promoção da saúde mais eficaz como também permite uma maior facilidade de diálogo entre o médico e o paciente. Espcialistas afirmam que é essencial encontrar um tempo de consulta ideal, que poderá variar de país para país, ou até dentro do mesmo, pois este deverá ser adaptado ao paciente.

O bastonário da Ordem dos Médicos – Miguel Guimarães – considera que 15 minutos de consulta é um tempo “relativamente curto” nas atuais condições e circunstâncias de trabalho dos médicos de família.