Ciência e Saúde

BALEIA AZUL: “QUEM JOGA NUNCA VENCERÁ”

O intitulado “jogo do suicídio”, Baleia Azul, tem vitimado imensos jovens por todo o mundo. Agora que já há alguns casos registados em Portugal, o Jornal Universitário do Porto foi tentar perceber a opinião dos portuenses sobre o fenómeno.

Porquê este nome?

O nome “Baleia Azul” deve-se à crença de que as baleias azuis encalham voluntariamente nas praias, com o intuito de perderem a vida.

Como surgiu?

O jogo teve origem controversa. Terá começado em 2015 na Rússia através da rede social “VKontakte”, semelhante ao Facebook. Acredita-se que o seu criador seja o russo Philipp Budeikin, detido em novembro de 2016. Na altura, confessou os crimes e disse estar a “limpar a sociedade”. Afirmava que as suas vítimas eram “lixo biológico” e que estavam “felizes por morrer”, numa entrevista divulgada pelo “Daily Mail”. Segundo o jornal russo “Pravda”, após a detenção, Budeikin foi internado num hospital psiquiátrico de São Petersburgo, já que sofre alegadamente de bipolaridade e foi ali que ficou a aguardar julgamento. No entanto, Philipp aliciaria jovens e adolescentes para os grupos desde 2013.

Noutros países, o fenómeno tem-se propagado por outras redes sociais. Há relatos de vítimas no Brasil, no México, no Chile, na Colômbia, no Reino Unido, na China e em Portugal.

Em que consiste?

O jogo baseia-se na relação entre jogadores e moderadores. Os moderadores estão protegidos por um perfil falso e guiam o participante durante o jogo, alegando saber tudo sobre ele. Por isso, caso o jogador queira desistir, o moderador ameaça-o com essas informações.

O Baleia Azul envolve 50 desafios diários e, por isso, deve ser terminado ao fim de 50 dias. Esses desafios são enviados pelos curadores, que pedem provas (fotografias ou vídeos) de que o desafio foi cumprido. O moderador finge interessar-se e compreender o que a vítima sente dando-lhe a possibilidade de, através das tarefas, se sentir valorizada e aprovada. O jogo culmina no suicídio do participante, sendo que é também o curador que define em que moldes decorrerá.

Ponto de situação em Portugal

Joana Marques Vidal, Procuradora-geral da República, admitiu à Lusa que “todos os dias” são sinalizados casos para investigação do Baleia Azul e há pelo menos oito casos até agora registados em Portugal. Apesar de todas terem dado entrada no hospital, algumas delas nas urgências, ainda não houve nenhuma vítima mortal em Portugal.

O Ministério Público já confirmou que estão a decorrer três inquéritos em Setúbal, Portalegre e Faro, relacionados com o jogo.

Quem adere a este jogo?

Os jogadores são, maioritariamente, adolescentes vulneráveis com problemas de depressão ou isolamento. “O jogo em si não provoca suicídio, nem automutilação. É perigoso quando falamos de pessoas vulneráveis. Aí, pode funcionar como fator precipitante do suicídio”, disse o psiquiatra Daniel Sampaio em declarações ao jornal “Público”.

Consequências

“O curador é um criminoso, que se aproveita de quem está emocionalmente frágil, para os fazer jogar um jogo que sabe ser destrutivo e, por isso, não o joga”, alerta a Polícia de Segurança Pública (PSP) num vídeo de prevenção divulgado nas redes sociais.

“Quem joga nunca vencerá”

Assim, o curador que encoraje o suicídio incorre numa pena de prisão até três anos se a vítima for adulta e, pelo menos tentar, o suicídio. Caso a vítima seja menor, a prisão pode chegar até aos 5 anos.

“Quem joga nunca vencerá. Ou perde porque completa as tarefas ou porque comete o suicídio”, remata a PSP.

O que fazer?

A prevenção é sempre o melhor caminho. Os pais devem estar extremamente atentos. Caso detetem alguma mudança de comportamento (ansiedade, medo, isolamento, pesadelos, esconder o telemóvel, cansaço, andar sempre de mangas compridas, não falar durante um longo período de tempo) devem de imediato agir, denunciando o caso.

Para quem já começou a jogar, pode pedir ajuda às equipas dos hospitais dedicadas à utilização problemática da Internet, que auxiliam tanto os jovens como os seus pais.